Fred revela os motivos de sua saída do Fluminense

Há mais de 5 meses atrás, Fred anunciava sua saída do Fluminense, onde jogou por 7 anos.
O término da passagem de Fred pelo Tricolor foi explicado de maneira vaga, e até hoje os torcedores não sabem os verdadeiros motivos. Em entrevista ao Globoesporte.com, o atacante, atualmente no Atlético-MG, resolveu soltar o verbo e explicar as reais motivações de sua saída. As críticas por parte do camisa 9 foram para Peter Siemsen, que é apontado como responsável pelo fim do relacionamento entre Fred e Fluminense.

Qual foi o real motivo da sua saída do Fluminense?

A verdade é uma só. Nos últimos meses que estava no clube, percebi que se iniciou um processo de fritura da minha pessoa por parte da diretoria do Fluminense. Vi que começou a vazar muitas informações a respeito do meu salário, que minha permanência no clube estava inviabilizando a conclusão das obras do novo CT…

Então, percebi todo esse cenário que estava sendo desenhado contra mim e procurei o presidente. Eu disse: “Peter, o Fluminense é minha segunda casa, meu sentimento é de gratidão, devo muito a esse clube. As maiores alegrias que tive na minha carreira foram aqui, o momento mais difícil que passei no futebol, foi o Fluminense que me acolheu de uma forma que ninguém mais faria. Por isso, quando achar que sou um peso financeiro, peço para me procurar”. E não deu outra. Ele procurou meu representante e disse com todas as letras que ele poderia buscar qualquer situação para eu sair, porque estava sendo um peso após a saída do antigo patrocinador e pela suposta dificuldade da Frescatto em honrar a parte que lhe cabia do meu salário. Abriu-se a possibilidade de eu ser liberado até de graça, principalmente se fosse para o exterior.

Recebi essa notícia com certa tristeza, mas estava decidido que, quando ouvisse isso da diretoria, buscaria o meu caminho. Pouco tempo depois, o Levir Culpi assumiu e, coincidência ou não, senti ali que o processo de fritura se intensificou. A sensação que eu tive foi de que aquela situação era algo premeditado. Na primeira oportunidade que teve, o presidente do Fluminense aceitou até mesmo me envolver numa troca de jogadores com o São Paulo. A negociação foi aberta e por muito pouco eu não fui pra lá. Na última hora, a transação não se concretizou porque minha única condição era sair em definitivo. Eu não aceitaria ser emprestado para outro clube por puro capricho do presidente e correr o risco de manchar minha história no Fluminense. Enfim, depois de todo esse tempo, houve interesse concreto do Atlético-MG na minha contratação e, apesar de conturbada, o desfecho da transação se deu muito rápido.

A essa altura, eu também já estava muito chateado com a diretoria do Fluminense por todo o desgaste que foi gerado.

O Fluminense fez investimentos infinitamente superiores, com valores de salários e aquisições de direitos econômicos, que superaram de muito longe os meus custos para o clube. Admito que também já não tinha mais força para seguir lutando contra aquilo. Então, cedi e concordei.

Mas Deus é tão bom em minha vida que uma situação que eu nunca tinha imaginado… o que parecia ser o fim se tornou um novo começo. Achava que não teria em outro lugar a mesma felicidade e o mesmo prazer que tinha de jogar no Fluminense, mas consegui encontrar aqui no Galo, no convívio do dia a dia no clube, mas principalmente na torcida, uma alegria tão grande quanto a que tinha no Rio.

Houve problemas com o Levir Culpi (ex-técnico do Fluminense)?


Não serei hipócrita em falar que não houve nenhum problema, mas também garanto que já está tudo resolvido entre eu e ele. Após todos os fatos, sentamos frente a frente e resolvemos todas as nossas diferenças. O Levir é um treinador que sempre admirei, desde a primeira vez que trabalhei com ele, ainda no Cruzeiro.

Todas as vezes que o nome do Levir surgiu como uma possibilidade no Fluminense, fiquei muito feliz, porque tinha certeza que viria um grande treinador pra nos comandar. Para minha surpresa, ele chegou questionando minha conduta desde o começo, e eu não concordei. Por isso tivemos aquele problema. A gota d’água foi quando, numa roda durante um treinamento perante todo o grupo, ele quis dizer que eu desrespeitei o Scarpa por conta da forma que o cobrei dentro de campo. Eu também tenho minha personalidade e não admiti que ele colocasse sete anos de história, de muita dedicação e conquistas em cheque por uma situação que não fazia o menor sentido.

Como é a política no Fluminense?

Se toda disputa política em um time de futebol for igual à do Fluminense, te garanto que isso não é nada saudável pra essência do clube, que é o futebol. O que vejo ali é uma disputa pelo poder, custe o que custar. Vejo que em muitos momentos falta respeito com a instituição, falta ética, zelo pela história do clube, que é, no final das contas, o mais importante de tudo. Infelizmente, percebo que o interesse pessoal está acima do clube. 

Não estou me referindo às questões financeiras, digo mais por poder e vaidade. O dia que quem estiver no comando perceber que fazer um futebol forte e manter uma estrutura de trabalho digna é o que realmente importa, os bastidores da política terão um nível muito mais elevado.

Nesta semana, Mário Bittencourt, candidato à presidência do clube, diz que tentaria repatriar Fred. Será que o atacante estaria disposto a voltar a jogar pelo Fluminense?

Saudações Tricolores,
Nicholas Rodrigues.

Atacante joga no Atlético-MG, e diz ter encontrado a mesma felicidade que tinha no Rio. (Foto: Divulgação)
Atacante joga no Atlético-MG, e diz ter encontrado a mesma felicidade que tinha no Rio. (Foto: Divulgação)

Nicholas Rodrigues

Jovem estudante, colunista do FluNews, tricolor fanático e amante do jornalismo, profissão que quer seguir. (Twitter: _NickNeves / Instagram: _nickneves)