Vamos falar de Marketing a sério? Por Roberto Silveira de Souza – Big Beto

 

A palavra Marketing foi vulgarizada. É utilizada de forma errada constantemente. Diariamente encontro textos de tricolores questionando o Marketing do clube, que precisamos melhorar o nosso Marketing e até mesmo nas propostas de candidatos encontramos a frase feita “Fortalecimento do Marketing”, como um dos pilares da gestão. Entra gestão, sai gestão e nenhuma “novidade” acontece, as promessas ficam no esquecimento, pois palavras o vento leva, e na próxima eleição a frase é reutilizada.

Mas o que realmente é Marketing? Muitos confundem com publicidade, propaganda, com saber “vender o peixe”, fazer uma boa “campanha de mídia”, utilizar a imagem dos jogadores para vender camiseta ou plano de sócio futebol. O espaço é pequeno mas tentarei esclarecer de uma vez esse engano.

Você deseja, eu atendo. É uma troca. Se há um consumidor com um desejo, deve existir algo que o atenda e pelo qual ele esteja disposto a reconhecer um valor por isso. Essa definição é de Mattar (1999). Para ele, o Marketing auxilia na aproximação dos dois lados, quem quer e quem tem a oferecer, visando a satisfação dos consumidores em troca de recursos financeiros a quem possa satisfazer esse desejo; Theodore Levitt (1990) conceitua que o Marketing tem a função de satisfazer às necessidades do consumidor por meio de um produto (que pode ser um serviço) e um conjunto de coisas ligadas à fabricação, entrega e finalmente o consumo.

O papa do Marketing, Philip Kotler (1999), define o Marketing como “um processo social e gerencial pelo qual o indivíduo e grupos de indivíduos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor com outros.”  Notaram como Kotler parece entender o que os torcedores do Fluminense desejam? Vamos refazer a sua definição adaptando-a à nossa realidade?

“Torcedores e grupos de torcedores querem ser campeões através de equipes vencedoras, comprando produtos oficiais e tendo prazer de ir ao estádio, e pagarão por isso.”

O Marketing é algo muito mais amplo do que vender camisetas e plano Sócio Torcedor. Ninguém vende o que ninguém quer comprar. Ninguém gasta com algo que não o satisfaz. É um processo de se você ganha eu tenho que ganhar, ou ganha-ganha. Por isso, o Marketing é uma área intersetorial, abrangendo todos os setores de uma organização, desde a concepção, à imagem, à formação de preços, à logística, estoque, oferta, divulgação. Vejo em Stevie Jobs o melhor exemplo para auxiliar nessa definição. Ele não era apenas o CEO que fazia uma excelente apresentação de um aparelho revolucionário e que buscava os holofotes para si. O aparelho apresentado passou por uma Pesquisa, para saber o que as Pessoas queriam, gerando um Processo de desenvolvimento, a Produção de um Produto que seria distribuído na Praça onde os seus consumidores estavam, a um Preço justo, mantendo um relacionamento Pós-venda e ele fazia, no lançamento, uma marcante Promoção. Por que eu coloquei a letra P em maiúscula? Por causa de algo chamado “Mix de Marketing” ou 4 Pês, conceito criado pelo professor Jerome McCarthy e difundido por Philip Kotler, que simplifica o objetivo do Marketing: Produto com Preço vendido numa Praça por uma Promoção. Eu acrescento pesquisa, processos, planejamento, pessoas e pós-venda, mas tudo isso está inserido nos 4 P, afinal alguém quer algo (Produto) que custa X (Preço) e esteja ao seu alcance (Praça) e que ele saiba que existe (Promoção).

imagem 2 (1)

 

Sem entrar mais abrangentemente nos tipos de Marketing, como o Industrial, Pessoal, de Luxo, Político, Varejo, Institucional, Esportivo, Digital, de Relacionamento, de Serviços, entre outros, faço uma pergunta: Qual o produto do Fluminense? Você já foi a um açougue e deve ter visto aquele pobre boi desenhado com os nomes das suas saborosas partes que estão à venda. Vamos separar por partes então. O Fluminense vende serviços quando você é sócio e frequenta a sede social, ou quando é sócio futebol e vai aos jogos de acordo com o seu plano ou quando compra um ingresso para ir ao estádio pois um serviço é um produto da atividade humana que satisfaz a uma necessidade, sem assumir a forma de um bem material. É varejo, quando você compra uma camiseta ou qualquer produto com a marca do Fluminense vinculada a ele, pois varejo é a venda de produtos ou a comercialização de serviços em pequenas quantidades. É digital, materiais que são produzidos em formato digital, e distribuídos no meio online, quando você instala um aplicativo, participa das redes sociais ou se informa no site oficial. Mas é também Esportivo. O marketing esportivo é a aplicação de estratégias do marketing tradicional na indústria do esporte (Universidade do Futebol).

imagem 3

Pare para pensar: o que faria você gastar o seu suado dinheiro com o Fluminense? Não vale apenas pensar nos jogos de futebol, mesmo que eles sejam a razão de você ser Tricolor e o que mais nos preocupa. Tudo isso que você pode ter pensado deve ser atendido por um planejamento de Marketing que deverá saber o que você quer consumir. E você está certo: a montagem de uma equipe competitiva é a prioridade em atender os desejos do torcedor e faz parte do Marketing de um clube de futebol. O resto dos produtos, com profissionalismo na elaboração e implementação, terão sucesso de vendas como uma consequência dessa prioridade.

Finalizando, dou a minha definição de Marketing: “É um conjunto de processos que tem por objetivo atender a um desejo de consumo, informando que se fornece o produto desejado, ao preço certo, no lugar certo, na quantidade e qualidade desejadas, que atenderá ao desejo de forma surpreendente e criará um relacionamento duradouro.”

Na próxima falarei sobre Marketing de Relacionamento. Tenho visto umas aberrações nas redes sociais que são inaceitáveis. Qualquer organização necessita ter uma base de clientes rentáveis e fiéis (BRAMBILLA, 2008, p.110). E esta retenção somente é possível quando a empresa muda sua orientação para uma perspectiva baseada em relacionamentos, interações e na satisfação aos desejos dos seus clientes. Agredir o seu consumidor não é estratégia: é burrice.