Sem prazo para definir o futuro do Maracanã

Não há definição sobre   futuro do Maracanã.Na audiência pública que ocorreu na tarde desta quinta feira,na  Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O chefe de gabinete da Casa Civil, Marcelo Queiroz, afirmou não ser  possível definir  se o estádio terá ou não uma nova licitação devido ao  desequilíbrio financeiro no contrato firmado entre a Odebrecht e o Governo do Estado.

– Não existe essa posição. Há requisitos jurídicos. A Procuradoria entrou com ações. Isso não é assim. Não se descumpre um contrato de uma hora para outra. Cumpre esperar o processo. O que de fato estava errado na licitação anterior? O que os clubes pensam? O que a população espera? Existe uma noite muito nebulosa na sociedade quanto ao novo modelo. Pode clube? Pode só empresa? Acho que ninguém aqui está maduro quanto a este assunto -Palavras de Marcelo Queiroz

Os presidentes  Pedro Abad e Eduardo Bandeira de Melo , acompanharam a reunião desde o início enquanto Eurico Miranda, e Carlos Eduardo Pereira, chegaram no meio da audiência . Um bate boca entre as partes ocorreu . Segundo Marcelo  Queiroz, o Estado aproveitou a audiência para ouvir ideias sobre o assunto:

– O que a gente tem feito é sair daqui com sugestões. Todos serão avisados do debate aqui. Temos de avançar, mas temos de saber qual o modelo inicial – reforçou o chefe de gabinete.

A  Odebrecht e o Governo do Estado  concordaram, na época da celebração do contrato de concessão por 35 anos,  em eleger uma corte arbitral para resolver eventuais problemas e discordâncias. A mesma  analisará o desequilíbrio financeiro gerado após a mudança no edital de licitação que inicialmente, autorizava a  concessionária a demolir o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare e construir um shopping e edifício-garagem,porém,Sérgio Cabral ,então governador do Rio de Janeiro,excluiu as cláusulas  quebrando  o que fora combinado com o Consórcio Maracanã .

O Maracanã passou por muitos problemas de concessão no início deste ano .  Ficou fechado por meses e em  total estado de abandono. A  Odebrecht   quem cuida do estádio, após vencer a licitação em 2013, não tem interesse em continuar a operação e acertou o repasse da concessão à Lagardère. O  governo do estado estuda a realização de nova licitação e com isso poderá sofrer ação na justiça movida pela Lagardère que cumpriu todas as etapas para assumir a operação da Odebretcht  .

Leia o posicionamento dos  presidentes dos quatro grandes clubes cariocas :

Pedro Abad, presidente do Fluminense:
“Hoje há relação conflituosa. Hoje há um interessado em operar. Isso dá segurança ao governo do Estado. O Estado tem de cobrar a execução do contrato. A GL e a Lagardère querem cumprir o contrato. Isso dá mais certeza de que a não realização de nova licitação é a posição mais confortável aos clubes. Escuto argumentos sobre vícios da licitação. Eu só enxergo que o governo está confortável em decidir à medida que há interessados em operação. Hoje a gente tem uma empresa que não tem interesse e só o faz por decisão judicial. O Fluminense não quer defender as suas vantagens. Temos de defender equipamento de R$ 1,5 bilhão tem de continuar com a sua vocação.”

Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo:
“O Maracanã é importante ao Flamengo, mas o Flamengo é muito importante ao estádio. Sempre colocamos que a nova licitação é a melhor opção, dá transparência e dá segurança jurídica. É a única solução que respeita os contribuintes. O TCE considerou que os termos do edital não eram bons para a coisa pública. O Flamengo pode ajudar a nova licitação. Se for perpetuada a transferência da Odebrecht, o que é um absurdo, o Flamengo estará fora. O Maracanã  ficará na nossa memória. Não jogaremos mais lá com a Lagardère.”

Eurico Miranda, presidente do Vasco:
“O Maracanã não pode ser dado a um clube. Os quatro clubes têm que ter tratamento isonômico. A administração tem de ser dada aos quatro. Se o Estado quer fazer nova licitação, que o faça. Mas que coloque uma cláusula pétrea: que o tratamento aos quatro grandes seja isonômico. Eu tenho estádio, mas se quiser usar o Maracanã não posso ter de me sujeitar às regras de um clube.”

Carlos Eduardo Pereira, presidente do Botafogo:
“A posição do Botafogo é de que, antes de tudo, desarmemos os espíritos. Temos de fazer um estudo técnico. Tem de ter posição adequada aos quatro grandes, mas também quanto ao dinheiro público. O Botafogo quer que todos os quatro tenham acesso ao Maracanã. Assim como todos têm ao Nilton Santos. O Flamengo é o único que não o tem pois o relacionamento entre as direções não teve ética. O Botafogo não pede ajuda a ninguém para arcar com os custos do Nilton Santos”.

Alvaro Souza Che

Fonte :Globo.com