Marcelo Oliveira admite abdicar de 3-5-2 e revela pedido por reforços: ‘Condição que coloquei’

Nesta terça-feira, o Fluminense iniciou o segundo semestre de 2018, depois da folga pela Copa do Mundo, cheio de mudanças. A começar pelo comando do time: Abel Braga passou o bastão para Marcelo Oliveira, ex-Coritiba. As novidades tendem a se estender ao elenco, que deve ganhar, pelo menos, três jogadores. Embora esconda as posições consideradas carentes e que vão ser reforçadas, o técnico afirma que estabeleceu esta exigência para assumir o desafio. 

– Foi uma condição que coloquei quando vim. Precisamos de três jogadores. O elenco tem qualidade, jovens bem formados. Agora, com duas competições importantes (Brasileiro e Sul-Americana), o Fluminense precisa de um pouco mais, pontualmente, em algumas posições. Eu me surpreendi, o Fluminense tem um trabalho muito bom de avaliação de jogadores. Me apresentaram alguns nomes, eu tinha outros na cabeça que estavam nessa lista. Por questão interna, vamos aguardar e ver se fechamos essa negociação – declarou, ao ser apresentado à imprensa, antes de completar:

– Não posso falar (sobre focos no mercado). Isso é interno. Eu falei com o Angioni e com o presidente. Prefiro me reservar. Temos um grupo bom, eu confio. Mas ele é reduzido. Temos de agregar alguns jogadores experientes.

Sistema adotado por Abelão durante a temporada, o 3-5-2 está, a princípio, descartado por Marcelo Oliveira, que confessa preferência por uma maneira diferente de distribuir os atletas. Ele relembra, ainda, uma estatística negativa que acompanhou o Fluminense nos primeiros meses do ano.

– Já joguei com três zagueiros em algumas oportunidades, mas tenho preferência por jogar de outra forma. Vou conversar com os jogadores, trocar ideia. Eu vi que Fluminense levou mais gols do que fez, isso é o preocupante. Mas tem de ter o time todo concentrado na marcação sem a bola para que se possa minimizar isso. Vamos montar um sistema que não agrida as características dos atletas. Inicialmente, não jogarei com três zagueiros, mas precisamos ter um sistema bom de marcação. Não levar contragolpe, não ser um time precipitado. Mas isso é treinamento – pondera.

Especulado nas Laranjeiras quando ainda jogava, Oliveira destaca o desejo antigo de representar as cores verde, branco e grená, e se diz empolgado. Ele mesmo explica o porquê.

Me sinto absolutamente honrado e orgulhoso por estar aqui no Fluminense. Quando jogava, tive duas sondagens para vir ao Fluminense e não deu certo. Isso ficou na minha cabeça, como sonho. Como treinador, fui consultado uma vez, mas não pude romper o contrato e não aconteceu. Agora, com o convite, me empolguei muito. Eu diria que por duas situações. O Fluminense tem uma camisa tradicional, pesada e de tantas glórias. É um clube grande. E a outra situação é que a referência que eu tive do elenco é boa, comprometido, dedicado, com qualidade, com jovens. Enfim, tem capacidade. Vou substituir o Abel, um técnico vitorioso e experiente, que deixou uma base boa de trabalho. Vamos em frente.

Confira mais falas do novo treinador do Fluminense:

Primeira impressão do elenco 

– Tive apenas um contato, hoje. Conversamos. Normalmente, no começo, deixo alguns tópicos e mensagens aos jogadores, estabelecemos as regras e determinamos objetivos. Foi uma conversa de 30 minutos, vi uma atenção e concentração muito grande dos jogadores. É um legado muito bom. Ouvi do técnico anterior que o grupo era bom, gostava de trabalhar. Vamos criar um bom ambiente, trabalhar e recuperar. Me ocorreu de falar com eles que, na oitava rodada, o Fluminense tinha 62% de aproveitamento no Brasileiro. E hoje tem 38%. Então, algo aconteceu. Infelicidade, mérito do adversário… A regularidade é importante.

Encara como o maior desafio da carreira?

– O futebol é um eterno desafio. Qualquer outro clube que eu assumisse, seria também. O Coritiba, estava na zona do rebaixamento, quando cheguei. Tem outros exemplos. No Cruzeiro, tive resistência pela rivalidade pois tinha trabalhado no Atlético-MG. Formei elenco que foi vitorioso. Mesma coisa no Palmeiras, com tradição e recurso financeiro. O importante é que para chegar tem custo. Esse custo é ambiente, bom trabalho.

Política tumultuada do clube

– O treinador, quando chamado, pode opinar sobre política ou finanças do clube. O meu objetivo é preparar o time. Fazer com que ele funcione e ganhe. Com vitórias, certamente, as outras questões ficam amenizadas.

Não conversei com o presidente sobre isso. Poupei ele disso. Há dirigente para solucionar isso. Sinceramente, isso não me diz muito respeito. Estou aqui para tentar formar um grande time, um time capaz de ser envolvente, como sempre foi. Essa é uma característica do clube, de ter times de boa técnica e de ser guerreiro. É nesse sentido que estou mais preocupado.

Diretoria garantiu reforços? 

– Eu vim para cá por conta da grandeza do clube, tem camisa. A segunda é o elenco, que gosta de trabalhar e é disciplinado. Eu acho que eu e o Paulo Angioni sempre tiveram bons relacionamentos com a direção em outros clubes. Isso pode facilitar. Se a gente não puder trazer um renomado, poderemos, com criatividade, trazer reforços que possam somar ao grupo. A coisa boa é que o elenco que está aí me satisfaz muito. Há tradição de boa formação em Xerém, temos experientes aqui que dão suporte.

Pontos positivos do Fluminense 

– Fazendo uma avaliação rápida, o Fluminense sempre teve toque de bola. Sempre que joguei contra, foi difícil. A torcida empurra. O clube tem tradição de técnica. O aproveitamento de 47% em casa no Brasileiro me surpreendeu, é muito baixo. Esse tipo de competição precisa ter mando de campo forte. Além disso, percebi a irregularidade. Teve um início fabuloso, estava entre os primeiros e agora acabou indo para a 12ª colocação.

Relação com Abel Braga

– É meu amigo pessoal, nós jogamos na mesma época. Falávamos de vez em quando. O auxiliar do Abel, o Leomir, é concunhado do meu auxiliar. Então, nada mais natural que a gente trocasse ideias. As informações foram muito boas. Claro que ajustes precisam ser feitos, mas o grupo comprometido e sem vaidade. O bom ambiente, certamente, nos deixará mais perto das vitórias.

Análise da carreira

– No Atlético-MG, um trabalho de sete meses, tinha oito titulares machucados quando cheguei. Eles demoraram a recuperar. Mesmo assim, classificamos para a Libertadores e jogamos a final da Copa do Brasil com o Grêmio, que posteriormente foi campeão da Libertadores. Ou seja, um time muito forte. Por mais que se possa pensar, o resultado lá foi bom. Depois, evitei ir de imediato a outro clube. Quis descansar e ficar com a família. Fui atender a um pedido do Coritiba, que estava a um ponto do rebaixamento. Foi um trabalho árduo, com 40 jogadores no elenco. Infelizmente, não consegui. Lamento muito e me sinto responsável por isso. Pensando que a minha carreira tem oito para nove anos, tive muitos títulos em pouco tempo. Isso me fortalece muito.

Saudações Tricolores,                                           Nicholas Rodrigues.

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