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Fidalguia e apologia à desídia

André Ferreira de Barros

Segundo a ordem natural da vida, os mais jovens enterram os mais velhos. Quem já compareceu ao enterro de um pai ou de uma mãe sabe o quanto isso dói. Mas, com o passar do tempo, aprendemos a conviver com isso – e, até mesmo, a nos preparar para esse doloroso dia.

Quando essa lógica se inverte, abruptamente, os pais enterram os filhos. A dor, então, é elevada à milésima potência – se for possível mensurá-la, claro.

O que aconteceu, dias atrás, com os meninos da base do Flamengo enlutou o país – senão o mundo do futebol.

Obviamente, rivalidades clubísticas têm de ser deixadas de lado numa hora de dor excruciante, como ora sucede.

Aliás, vidas e sonhos precocemente ceifados costumam dar ensejo a compreensíveis ondas de solidariedade.

Eu, por exemplo, sou favorável a minuto de silêncio, à salva de palmas, à suspensão (abolição?) de cânticos agressivos contra os rivais, enfim, a todo o tipo de homenagens aos garotos que precocemente nos deixaram.

Mas renunciar a jogar a semifinal da Taça GB, desculpem-me os mais puristas, sou visceralmente contra.

Afinal, diferentemente do que sucedera com a Chapecoense, o Flamengo não foi colhido por caso fortuito, força maior ou fato de terceiro.

Diferentemente, a imprensa noticia, à farta, que o Flamengo foi autuado 30 vezes pelos órgãos competentes. Repito: inacreditáveis 30 vezes.

Amigos, o descaso do CRF salta aos olhos.

Por isso, entregar-lhes, de mão beijada, o direito a jogar a final da Taça GB não seria um ato de fidalguia, mas sim de apologia à desídia. Por outras palavras, um ultraje às famílias enlutadas.

Saudações tricolores.

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