Análise: a vitória da alma

Foto: Lucas Merçon / FFC

Sem se deixar intimidar por um rival repleto de estrelas, Tricolor das Laranjeiras ditou o ritmo do jogo e se classificou de forma mágica

Organização e vontade. O Fluminense de Fernando Diniz mostra um padrão de jogo invejável. Surpreende e encanta na mesma medida. Toque de bola refinado aliado a jogadores que se doam em campo e vestem a camisa. Antes de qualquer coisa é necessário destacar que, em apenas dois meses de temporada, essa equipe conseguiu resgatar um sentimento perdido nos corações tricolores: a paixão. E a paixão vem do desejo, do encantamento. Em 2019, isso é mútuo.

O Fluminense jogou com hombridade e inteligência na noite de ontem. Diante de um Flamengo repleto de craques de valor milionário, o time não se intimidou. Mesmo ainda sem nomes como Paulo Henrique Ganso, Pedro e Gilberto, que entrando tem tudo para elevar mais ainda o patamar da equipe, o Tricolor mostrou-se bem postado e, diante da pressão e da obrigação de vencer, foi superior. Há de se destacar o domínio na posse de bola (61,5%), o que mostra a posição do Fluminense de impor e ditar o ritmo do jogo.

Apesar de erros durante a partida – o que não é nada de anormal -, o clube das Laranjeiras resistiu aos contra-ataques poderosos do Rubro-negro. Rodolfo apareceu quando foi testado, Airton atuou como um leão, a zaga se superou ao brigar de igual para igual com um ataque veloz… Não faltou vigor para o Fluminense, que fez por merecer a vitória. Após um primeiro tempo aquém de Daniel, Diniz sacou o meia e colocou Dodi, buscando solucionar o único problema aparente do time: o último passe. Porém, a substituição não surtiu tanto efeito. Foi então que a coragem do treinador veio à tona, como vem sendo durante a temporada.

Ao tirar os dois laterais, o técnico colocou Calazans e Caio Henrique, partindo para cima com tudo. E pasmem, o Fluminense não perdeu a organização. Se lançou ao ataque sem perder o equilíbrio entre as linhas, sem deixar sua identidade de lado. Identidade é o que difere o Fluminense de outros clubes do Brasil. Aliado ao seu estilo e à sua filosofia, sem deixá-la de lado nunca, Diniz coloca o Tricolor carioca nos holofotes do futebol nacional. É isso que resgata a paixão que estava adormecida no peito do torcedor.

Por fim, o gol da classificação nos acréscimos do segundo tempo foi o desfecho perfeito para um time que fez por merecer. Não só os jogadores, como a torcida presente no Maracanã, que ecoou suas músicas pelo estádio. Coragem, raça e estrela. Hoje o Fluminense tem tudo isso. Hoje o Fluminense traz os tricolores de volta, pouco a pouco. Seduzindo, encantando e apaixonando. Dinheiro compra elenco e estrelas, mas não compra amor. Amor só vem de um lugar: da alma.

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