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Foto Shoreline Films.

“Coronelismo, piscina e voto.” Eleições Fluminense 2019. Reflexão, por André Ferreira de Barros.

Foto Shoreline Films;

“Coronelismo, piscina e voto”

Em primeiro lugar, o título deste artigo se inspira na monumental obra “Coronelismo, enxada e voto”, de lavra do grande jurista e acadêmico Victor Nunes Leal (1948).

Em segundo lugar, numa democracia digna do nome, merece respeito e consideração toda e qualquer proposta que não emule ódio ou violência, tampouco veicule supremacia ou discriminações odiosas. Mesmo as proposições das quais, no mérito, discordamos veementemente. Aliás, principalmente as propostas das quais discordamos veementemente devem ser respeitadas.

Neste ano, Graças a Deus, mais dia, menos dia, haverá eleições nas Laranjeiras. Delas pode resultar a nossa salvação ou a nossa irreversível desgraça. E, nós, eleitores, jogamos um papel fundamental nisso.

Num livre exercício de abstração, avisto quatro núcleos de propostas possíveis para o Fluminense F.C.

A primeira delas retoma uma ideia que começou a ser ventilada ainda na gestão de Gil Carneiro de Mendonça (1996). Vale dizer, o Fluminense deixaria de praticar futebol profissional. Ou seja, viraria um respeitabilíssimo clube social, com o departamento de esportes olímpicos, enfim, se tornando uma referência nacional. Construir-se-iam piscinas e quadras belíssimas e ultramodernas, em torno das quais as famílias alegremente se reuniriam, principalmente nos fins de semana. À base desta proposta estaria o “gap” financeiro aberto pelo Flamengo, que seria irreversível e, pior, crescente. O cenário que se projeta seria negro, quase apocalíptico, algo assim: em 10 anos, o Flamengo venceria 7 Taças Guanabara, 7 Taças Rio, 6 Campeonatos Cariocas, 3 Copas do Brasil, 4 Campeonatos Brasileiros, 2 Copas Libertadores da América, 2 Recopas e, pelo menos, 1 Campeonato Mundial. Em contrapartida, para o Tricolor das Laranjeiras, no mesmo período de 10 anos, sobrariam parcas 3 Taças Guanabara, 2 Taças Rio, 2 Campeonatos Estaduais e, com muita sorte, 1 Copa do Brasil ou 1 Copa Sul-Americana. Vencedores de campeonato com pontos corridos nunca mais seríamos. Idem para a Copa Libertadores da América. Como o Fluminense não tem vocação para “sparring”, seria preferível fechar as portas do Departamento de futebol condignamente. Convenhamos que é grande a aderência dessa proposta à realidade. Por isso, o seu hipotético autor teria o meu respeito – pela clareza de propósitos -, mas não o meu voto. Algo como quem defende a monarquia como o melhor regime de governo para o Brasil.

Uma segunda opção também tem grande aderência à dura realidade: o Fluminense assumiria como irreversível e crescente o desvão financeiro em desfavor do Flamengo. Nessa toada, o Fluminense aceitaria o papel de “sparring”. Com times medianos – ou medíocres, cheios de Rodolfo e Júnior Dutra -, dar-se-ia por satisfeito com a conquista, em dez 10 anos, de 3 Taças Guanabara, 2 Taças Rio, 2 Campeonatos Estaduais e, com muita sorte, 1 Copa do Brasil ou 1 Copa Sul-Americana. Seria mais do mesmo, algo como outra Flusócio, um apequenamento institucional tido como inelutável – sempre com o apoio dos piscineiros e do Departamento de Esportes Olímpicos. Desde que a proposta seja formulada previamente às eleições, o autor mereceria o meu respeito enquanto democrata. Mas ele não teria o meu voto. Afinal, “sparring” é a… (olha o respeito!!!).

A terceira opção é uma variação da segunda. Aliás, tem o mesmo ponto de partida, mas bastante diferente é o ponto de chegada. Por outras palavras, assume-se o “gap” financeiro em relação ao Flamengo como irreversível, mas decrescente. Deixando de lado pueris diferenças com o Vasco/RJ e o Botafogo/RJ, buscar-se-ia uma aliança contra a superpotência rubro-negra. No ponto, não se deve esquecer que aos americanos e ingleses aliaram-se os russos contra os nazistas. Ao depois, juntar-nos-íamos a Cruzeiro/MG, Atlético/MG, Internacional/RS e Grêmio/RS e tentaríamos implodir o sombrio mecenato da Rede Globo de Televisão ao clube da Gávea, causa maior – mas não a única – de nosso infortúnio. A médio prazo – 05 ou 06 anos -, com doses cavalares de trabalho, criatividade e competência, poderíamos – notem bem, amigos, poderíamos – voltar a ser protagonistas do futebol brasileiro. Se formulada com critério, clareza e honestidade, tal proposta tem o meu respeito e, quiçá, o meu voto.

A quarta, e a última proposta, é do tipo “make Fluminense great again”. Sem dizer como, via powerpoint, prometem-se mundos e fundos, passando, claro, pela formação de um supertime de futebol. Afinal de contas, o Fluminense tem futebol no próprio nome do clube. Com que recursos financeiros? Isso não resta claro, ao menos para mim! Talvez seja desimportante! Aderência à realidade? Nenhuma! Em tempo, os piscineiros que se explodam, tais quais os integrantes do Hamas, nas detestáveis palavras de um Deputado Federal. Parafraseando Lorde Keynes, a médio prazo estaremos todos mortos. Logo, esta proposta é música para os nossos sofridos e sensíveis ouvidos. Paradoxalmente, a proposição pode não ter o meu respeito, mas o seu autor(es) pode(m) coletar(em) o meu voto. Aliás, seu(s) autor(es) pode(m) receber uma enxurrada de votos, até mesmo dos piscineiros mais atentos e céticos. E se não forem cumpridas as promessas? Culpa-se a Flusócio, simples assim. Afinal, ao contrário do senso comum, cria(m) ele(s) que “… a casa estava em ordem…”. Afortunada ou desafortunadamente, todos os candidatos que se apresentaram até agora proclamam, em alto e bom som, esta última proposta.

Reflitamos nós, reflitam vocês,

Saudações tricolores



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