“Ave Conca”

“Ave Conca”
Na corrente semana, a imprensa esportiva noticiou um fato de relevância para nós, tricolores: o Grande Dario Conca anunciara o fim de sua vitoriosa e esplendorosa carreira de jogador de futebol.
Imediatamente, instalou-se inconciliável divisão – mais uma: seria Dario Conca um ídolo do Fluminense F.C, um perene integrante do estrelado Olimpo Tricolor?
Neste breve artigo, deixo assentada a minha opinião – como sempre despido da pretensão de ser o dono da verdade.
Aliás, acrescento pimenta à discussão com outra questão: Dario Conca era craque de bola? Respondo: isso depende da referência, do nível cem, da acepção de craque. Se tomarmos Roberto Rivelino como referência de craque, Dario Conca foi um grande jogador – o que não é pouco. Se, diferentemente, tomarmos Renato Augusto como referência – ou seja, como craque -, Dario Conca era um cracaço de bola.
Como qualquer jogador de futebol, Dario Conca ora jogava bem, ora jogava mal. Jogava mais bem do que mal, claro. E, tem mais, mesmo quando jogava mal, ele não se omitia em campo. Vem-me à cabeça aquele infame jogo contra o América/RN no Maracanã. Quando o pavor tomou conta da arquibancada, a covardia tomou conta dos jogadores em campo. Todos – e cada um dos atletas – procuravam um jogador do América/RN, em cujas costas poderiam se esconder para não receber a bola, que, àquela altura, parecia queimar-lhes os pés. Todos não! O intimorato Dario Conca – que entrara com a desditosa partida em andamento – procurava incessantemente o jogo.
Mas, se eu lembrei de um jogo isolado da malfadada Copa do Brasil de 2014, como me esqueceria da Libertadores de 2008, da fulgurante arrancada no Brasileiro de 2009 e, principalmente, do Brasileiro de 2010? Dizem os mais antigos que, em 1962, Mané Garrincha ganhou a Copa do Mundo sozinho. Mais uma vez preso a referências, se isso for verdade, Dario Conca também ganhou, sozinho, o Brasileirão de 2010. Vejam bem, estou me referindo a um título nacional pelo qual ansiávamos há 26 anos.
Estava, então, construída a idolatria em torno do “… mais brasileiro dos argentinos…”.
Mais, estava forjado um mito nas Laranjeiras!

Relevantes motivos profissionais – e a independência financeira é um deles – tiraram Dario Conca das Laranjeiras em 2011. Todos – e cada um dos enlutados tricolores – sonhavam com o dia de sua volta da China para o Fluminense. Declarações de amor se reciprocavam através do mundo.
E, com amparo da UNIMED, Dario Conca, enfim, voltou ao Fluminense em 2014! Ele não era mais o mesmo jogador de 2010, mas ainda era o mesmo mito. E a régua com que se medem os mitos é bastante diversa daquela com que se medem os mortais. “Conca é Conca!”, bradavam, em especial, os torcedores mais jovens. Era irretorquível!
Ante o fim da parceria com a UNIMED, Dario Conca rejeitou racional proposta financeira do Fluminense e retornou à China. Ou seja, o mito se fez homem e optou pelo dinheiro – de que já não precisava como antes. Trincou-se o cristal!
Prosseguindo, dizem que, de quando em vez, a vida nos expõe a provas – umas mais duras, outras menos.
Dario Conca foi exposto a uma prova, que, convenhamos, nem era assim tão difícil de ultrapassar. Por que aceitar convite do maior rival do Fluminense se dinheiro já lhe sobrava? Mais, por razões históricas, Dario Conca jamais seria ídolo deles. Decerto, ele não aceitará, pensamos nós…
Mas, sabe-se lá por que, Dario Conca aceitou a proposta para jogar no Flamengo. Ou melhor, para ficar no banco de reservas do Flamengo.
Nosso grande ídolo no banco de reservas deles!
Entre as crianças tricolores, grassava um ensurdecedor e eloquente silêncio – de reprovação à atitude de Dario Conca.
Ao fazer isso, livre e espontaneamente, Dario Conca deixou o Olimpo Tricolor. E pela porta de trás.
Em suma, o Grande Dario Conca merece todo o meu respeito, mas não é mais meu ídolo.
Ele, livremente, quis assim!
Saudações tricolores!

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