“Não se dá um passo em Álvaro Chaves sem tropeçar numa glória”: Laranjeiras faz 100 anos

Construído em 1919 e localizado na Rua Álvaro Chaves, o Estádio das Laranjeiras é a verdadeira casa dos tricolores. Onde conhecemos nossas raízes e nossa predestinação à glória. É o nosso lugar. Tão importante para o futebol brasileiro, que nasceu ali, naquele solo sagrado, em 1914: recebeu o primeiro jogo da Seleção, que venceu amistoso contra os ingleses do Exeter City por 2 a 0, com gol de um jogador do Fluminense: Oswaldo Gomes. Foi ali que a bola começou a rolar para a pentacampeã mundial.

A primeira arena brasileira guarda seus diversos momentos de prestígio e um passado grandioso. Uma narrativa inigualável, que merece ser preservada e contada. É o que vai ser feito agora, em comemoração aos seus 100 anos, completados neste sábado, dia 11 de maio.


PRIMEIRO JOGO

Oficialmente, o jogo que inaugurou o Estádio das Laranjeiras, com capacidade para 18 mil pessoas, o maior da América Latina, aconteceu em 11 de maio de 1919, entre Brasil e Chile. Terminou com goleada da Canarinho por 6 a 0, pelo Sul-Americano de Seleções. Foi erguido graças à iniciativa de Arnaldo Guinle, patrono e presidente do Fluminense entre 1916 e 1931, para que o país pudesse sediar o torneio, hoje conhecido como Copa América.

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SELEÇÃO NAS LARANJEIRAS

A sede do Fluminense foi o palco do primeiro confronto entre Brasil e Argentina em solo brasileiro, com triunfo por 3 a 1 sobre os “hermanos”. Ficou conhecida por não ter registrado nenhuma derrota da Seleção, que ali jogou 18 vezes, entre 1914 e 1918. Conquistou o bicampeonato do Sul-Americano de Seleções, em 1919 (sobre o Uruguai, no primeiro jogo com transmissão por uma estação de rádio no mundo) e 1922 (sobre o Paraguai).

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FLUMINENSE NAS LARANJEIRAS

A estreia do Fluminense em sua casa ocorreu em 13 de Julho de 1919, vencendo o Vila Isabel Futebol Clube por 4 a 1, no Campeonato Carioca. A primeira taça veio em dezembro do mesmo ano, ao ser campeão estadual sobre o Flamengo, derrotado por 4 a 0.

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Desde um empate em 3 a 3 com o Americano, em fevereiro de 2003, o Tricolor não joga mais nas Laranjeiras. Até 2016, quando da inauguração do CT na Barra da Tijuca, o local recebeu treinos do elenco profissional. Foram 842 jogos disputados pelo clube no estádio, que hoje serve às categorias de base e ao futebol feminino.

RIVAIS NAS LARANJEIRAS

Você compreendeu que Laranjeiras simboliza o começo das histórias vitoriosas de Fluminense e seleção brasileira. Mas talvez não saiba que até rivais têm um trecho de sua tradição marcado na sede tricolor. É, por exemplo, o segundo estádio onde o Flamengo mais atuou e onde o Vasco disputou seu primeiro duelo internacional, em 1923.

Fluminense e Vasco se enfrentam nas Laranjeiras

AMPLIAÇÃO

Em 1922, com pouco auxílio do poder público, o Estádio das Laranjeiras sofreu uma ampliação na capacidade para 25 mil pessoas, para os jogos Latino-Americanos, evento que celebrava o centenário da independência do Brasil.

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Vários jogos alcançaram grandes públicos, com alguns, segundo relatos, ultrapassando o máximo suportado pela casa. Porém, o registro oficial dá conta de que o recorde de pagantes é de um Fla-Flu vencido pelos tricolores por 3 a 1, em 1925, com 25.718 espectadores.

VOCÊ É “TORCEDOR” POR CAUSA DO FLUMINENSE

Numa crônica publicada no início do século XX, Coelho Netto, apaixonado pelo Fluzão, explicou que as moças, em ato que expressava seu nervosismo durante a partida, torciam os lenços que levavam para Laranjeiras. Foi então que os amantes de esporte passaram a ser chamados “torcedores”.

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MISSA DE INAUGURAÇÃO DO CRISTO REDENTOR

A missa de inauguração de um dos principais pontos turísticos cariocas, o Cristo Redentor, foi realizada nas Laranjeiras, no dia 12 de outubro de 1931. A estátua, aliás, fica de braços abertos para a sede.

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O FLU NA 2ª GUERRA MUNDIAL

Em 11 de outubro de 1942, em meio à Segunda Guerra Mundial, o Fluminense doou um avião para a FAB. A entrega ocorreu no Estádio de Laranjeiras. Como reconhecimento ao esforço no combate ao nazismo, a comunidade judaica presenteou o clube com uma placa em 2015.

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DEMOLIÇÃO

No fim da década de 1950, em razão das obras de duplicação da Rua Pinheiro Machado, necessária para o escoamento do trânsito do Túnel Santa Bárbara e o crescimento do bairro de Laranjeiras, a administração carioca se chocou com o Fluminense. Foram dois anos de negociação até a demolição parcial, em dezembro de 1961. Hoje, tem capacidade de 4,3 mil.

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TOMBAMENTO DO BERÇO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Em reconhecimento à importância histórica, arquitetônica e sociocultural, no dia 06 de julho de 1988, o Instituto do Patrimônio Histórico e Cultural decretou o tombamento do Estádio das Laranjeiras.

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ESTÁDIO DAS LARANJEIRAS REBATIZADO

No ano de 2004, o Fluminense homenageou o ex-presidente Manoel Schwartz, à frente do clube no bicampeonato brasileiro (1984), rebatizando o Estádio das Laranjeiras com seu nome.

O PRÓXIMO PASSO: A REVITALIZAÇÃO

Depois de ser o ponto de comemorações de títulos, como da Copa do Brasil em 2007, Laranjeiras, atualmente, se resume a eventos sociais, sendo o maior deles a FluFest, celebração do aniversário do Fluminense, em julho.

Mas os torcedores querem mais. Por isso apostam na revitalização, projeto que está pronto e posto a público. Mas que ainda depende da aprovação dos órgãos competentes, de aporte financeiro e de apoio, especialmente, de quem vai gerir o Tricolor a partir de 10 de junho.

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O certo é que o desejo da torcida é retomar os dias de grandeza do estádio e honrar sua riqueza. Afinal, não se desperdiça uma linda história; se valoriza. Principalmente em se tratando de Laranjeiras, o berço do futebol brasileiro. Pois o eterno Nelson Rodrigues já havia avisado: “Não se dá um passo em Álvaro Chaves sem tropeçar numa glória”.


Saudações Tricolores,
Nicholas Rodrigues.

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