A ARTE DA GUERRA 2 – A CAPTAÇÃO DE SOLDADOS E INVESTIDORES. Opinião Rafael de Castro

Olá, Guerreiros!
No capitulo anterior, o foco essencial está na estruturação interna do FFC. Como empresário, sou obcecado pelo controle de custos e creio ter transbordado isso nas inúmeras análises sobre TRANSPARÊNCIA nos gastos da instituição. Por mim, um novo estatuto do clube deveria prever “regime licitatório”, com portal de transparência da requisição de um produto/serviço, com cotação de preços no mercado, com apresentação das ofertas mais vantajosas e principalmente com uma justificativa bem fundamentada pelo gestor da área específica da requisição. Assim ficaria bem mais complexa a manutenção dos feudos das Laranjeiras e participação de tantos “grupidermes”/investidores nos processos políticos do FFC.
Acreditando ter fincado esta bandeira seguiria por um direcionamento mais linear definido da seguinte maneira no capítulo anterior: “refletiremos sobre a missão de trazer soldados para a batalha, o que hoje é tratado de forma amadora nos planos de sócios futebol”. No entanto, a semana nos trouxe dois elementos para ampliarmos nossos conceitos, mas que endossam bastante o que já tratava como “forma amadora nos planos de sócios”.
O primeiro fato está no movimento do nosso rival da barreira. Nos meus momentos de racionalidade, não me nego a verificar os pontos positivos e até mesmo históricos de nossos adversários. A história deles, por sinal, é repleta de engajamentos dos torcedores e esta semana deram nova demonstração com adesão de mais de 100.000 sócios, ultrapassando 140.000, assumindo a liderança neste quesito no Brasil.
Muitos seguirão o discurso do “plano ser barato”, deles terem estádio próprio, de que mais vale ter 30.000 sócios pagando R$ 60,00 (R$ 1.800.000,00), do que ter 140.000 sócios pagando R$ 12.50 (R$ 1.750.000,00)…
Minha reflexão vai no sentido oposto. O clube de remo virou o clube da elite. Seu plano de sócios é caro, seu ingresso é caro e seu produto tende a privilegiar cada vez mais a fidelidade do torcedor, como faz o Palmeiras, o que afasta cada vez mais o povão do estádio, o que dificulta a ida de um turista aos seus jogos e principalmente o que ao longo do tempo tira do mais humilde o poder de pertencimento.
O clube da barreira possui um estádio, mas com capacidade de ¼ do Maracanã, em zona de alto risco. O clube da barreira já tem projeto aprovado para aumentar seu estádio, mas ainda sim será ½ Maracanã e mesmo que tenha assentos de ouro, nunca será comparado ao maior templo do futebol, nem mesmo transformará a comunidade ao seu redor em um belo resort.
O que podemos refletir sobre os modelos dos rivais: o clube que nem a sede precisou adquirir, inegavelmente, conta com uma massa muito mais numerosa que a nossa, competem em alto nível em todos os torneios, possuem ídolos, possuem a mídia, fizeram um trabalho interno profissional e possuem o Maracanã; o segundo, conta com uma massa um pouco maior que a nossa no Estado, apresentam história de títulos similar a nossa, histórico recente muito mais vergonhoso que o nosso (3 rebaixamentos recentes), não constroem um ídolo há mais de 1 década, viveram de gestões desastrosas (Dinamite e a última do Eurico) e possuem estádio em uma comunidade.
Parece difícil explicar o engajamento do segundo, mas ampliando um pouco mais as análises, veremos um clube que se orgulha por se reconstruir nas mãos do seu torcedor. Um clube que vem agindo com mais transparência na construção do seu C.T, um clube que apresenta um projeto para ampliar seu estádio, um clube que contratou um treinador de verdade, que encara os clássicos como com faca nos dentes, que nitidamente passou a ter mais foco na sua gestão e exige dos seus jogadores respeito a instituição.
Nosso movimento de integração com torcedor mais recente foi a Flusócio trazendo sócio futebol para as eleições. Parecia tudo lindo, mas hoje até o torcedor mais distante da realidade do clube já sabe que no nosso estatuto só se candidata quem “formar chapa com as maiorias” e que as “maiorias encontraram nos grupidermes a maneira de continuarem manipulando o poder”, de continuarem tomando as decisões, de continuarem empregando os amiguinhos, de continuarem mantendo seus PJs…
Minha análise é bem simples e até redundante:
Sr. Mário Bittencourt, há elementos suficientes para denúncias concretas sobre inúmeras irregularidades que ocorreram no FFC nos últimos 08 anos e meio.
Apesar de todo absurdo envolvendo a distribuição nas cotas de TV, de certos clubes terem sido salvos com patrocínios (verba pública) em momento de recessão grave no país, de clubes terem obtido patrocínios com empresas que levantaram recursos junto ao BNDES, tendo inclusive diretor preso posteriormente na lava jata, O FFC ainda possui uma das maiores receitas da América do Sul (12ª) e a 7ª maior do país.
É claro que este indicador não traz nenhum mérito direto das gestões na captação de recursos e sim é distorcido ano a ano, de acordo com as vendas de jovens talentos de Xerém.

No entanto, meu presidente, até isso tende a mudar. Com mais recursos, clubes estruturados estão “seduzindo” atletas de 10, 11, 12 anos e estes trocam de camisa facilmente, pois ainda não possuem vínculo. Esta prática galopante já vem mudando o cenário da base nos últimos anos, basta olharmos a distribuição de títulos na primeira metade da década e na segunda metade.
Portanto, o problema do FFC não é dinheiro e sim como estamos lidando com ele nos últimos anos. Sem amadorismo clubes como Independente Del Vale chegou a final de libertadores esta década e foi campeão da Sulamericana este ano, mesmo estando muito distante dos melhores orçamentos.
Apresente o plano de sócios em Janeiro, como prometido, mas vá além. Apresente ao torcedor um plano verdadeiro de gestão, com metas de curto, médio e longo prazo. Apresente o fim de todas as despesas com atividades que só trazem prejuízo ao maior clube de FOOTBALL do RJ. Apresente seu PORTAL DE TRANSPARÊNCIA ANALÍTICO, demonstrando todas as despesas que encontrou e todas que manteve nominalmente. Apresente um plano de reestruturação sério, seja atraindo torcedores e investidores com contratações de impacto (ídolo) ou como uma medida radical de corte total por 24 meses, onde o clube jogaria com a base e somente contrataria de acordo com o arrecadado no plano de sócio. Apresente suas denúncias ao MINISTÉRIO PÚBLICO, como vem correndo no Internacional, e as exponha aos torcedores nessa sua apresentação.
Se os recursos de TV, patrocínios, social, entre outros deverão estar direcionados para cobrir o buraco que nos deixaram, que a torcida pague pelo time, mas que os crápulas sejam expostos.
Chamar o torcedor para briga é chamar soldados para esta guerra, mas seja TRANSPARENTE. Não inverta a ordem das coisas. Primeiro, “corte na carne”, depois exponha e na sequência, tenho convicção que a torcida bancará!
Que não exista mais uma “viagem grátis”; que não exista mais nenhum “almoço grátis”; que não exista uma contratação sequer ao estilo Agenor, Brenner, Ewerton, Nenê…; QUE O TORCEDOR TENHA TOTAL CIÊNCIA DO QUE ACONTECE COM SEUS R$ 10, R$ 20, R$ 50 OU R$ 100 DE UM PLANO DE SÓCIOS.
Que o torcedor seja SÓCIO DO NEGÓCIO e não que seja refém da sua paixão!

Tricoluz:
O maior benefício de acabar nosso sofrimento (chance de rebaixamento) sem estarmos em campo foi não corrermos o risco de que alguns abestados, que não conhecem a história do FFC, comemorarem uma possível vitória nos próximos jogos com o famoso hit “Time de Guerreiros”, como fui obrigado e assistir contra o CSA;
Alívio é uma coisa…exaltação é outra;
Na “A arte da Guerra 3” refletiremos sobre as conseqüências de mercado de possuir história, tradição, uma sede ativa e funcionando como maior palco de entretenimento da Zona Sul do RJ, um contrato de administração do maior estádio do mundo, em parceria com queridinho da mídia, aliadas a uma gestão TRANSPARENTE, sem risco de imagens aos parceiros e sem risco econômico aos investidores;

Nossa música de arquibancada diz: “Quero gritar campeão!”…
Mas o meu momento racional diz: Eu só quero ver meu FLUMINENSE grande novamente…Fora de campo e por conseqüência dentro dele. Se não for nessa ordem, esqueçam!

Rafael de Castro Ladewig de Araujo.
Meu sangue é grená com glóbulos verdes e brancos.

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