Odair comenta o jogo e faz análise

O Fluminense sofre derrota no jogo contra o Flamengo por 3×2

Na coletiva após a partida, o técnico Odair reconheceu os erros do time no 1º tempo, mas, ressaltou o poder de reação na 2ª etapa. Destacou que a equipe chegou a balançar a rede quatro vezes (teve dois gols anulados por impedimento) e, no conjunto da obra, merecia ter se classificado, disse:

– Por todo o conjunto dos 98 minutos, nós merecíamos ter empatado o jogo e nos classificado. Apesar de o Flamengo ter feito um 1º tempo bem melhor, na minha concepção, nosso 2º tempo foi muito melhor e nós produzimos, botamos a bola para a rede e fizemos quatro, mas valeu dois. E em outra o Evanilson esteve na cara do gol. E essa produção contra um time organizado, estabilizado e com um nível de qualidade que o Flamengo tem, mostra o caminho que estamos e que precisamos traçar. Temos um parâmetro alto e é esse parâmetro que devemos seguir.

– Fizemos o 3 a 1, o 3 a 2, o 3 a 3, o 4 a 3… Os dois últimos não valeram, mas fizemos. Produzimos até mais que o Flamengo do 1º tempo.

Sobre o 1º tempo, ressaltou que os dois gols sofridos antes dos dez primeiros minutos desestabilizou o time do Fluminense:

– Não fizemos um bom 1º tempo. Cometemos um erro em bola parada e outro de uma saída de bola nossa e isso custou caro. Quando você toma dois gols logo no início, você desestabiliza e fica arriscado a tomar mais gols. São situações que acontecem dentro de uma equipe que já está entrosada, dentro de uma equipe que já tem identidade sólida, como por exemplo o Flamengo, imagina com uma equipe que está começando o trabalho agora. Tivemos dificuldade até conseguirmos nos estabilizar no fim do 1º tempo. Antes, não conseguíamos nem fazer a construção de trás, nem alongar o jogo, situações que havíamos trabalhado. Mas essas dificuldades aconteceram muito mais pelos gols terem saído muito cedo.

Sobre a 2ª etapa, lembrou que o Tricolor teve uma grande chance de marcar antes de levar o terceiro gol. E depois destacou o crescimento da equipe apesar do placar adverso.

– No 2º tempo, o Evanilson tem uma oportunidade clara de gol antes de tomarmos o terceiro. E antes do gol ainda estávamos de frente para uma finalização, não finalizamos, tomamos o contra-ataque e levamos o terceiro gol. Falei das coisas ruins, mas preciso falar das coisas excelentes também que tivemos a partir daí. Um poder de reação muito grande. Um grupo de jogadores que estava perdendo por 3 a 0 para o rival que talvez tenha seu melhor time dos últimos 30 anos, consolidado, e tem capacidade e espírito de comportamento para reagir. Trabalhamos essas situações que fizemos em pouco tempo de treinamento: construção e achar bolas de espaço nas costas do zagueiro, porque a linha do Flamengo é muito alta.

– A partir do momento que entrou a primeira bola do Evanilson, entrou a segunda, começamos a encontrar o jogo. A linha do Flamengo que sobe muito, já não compactava mais, porque ela não sabia se a bola seria curta ou alongada. E foi o que treinamos e foi o que aconteceu a partir dali. Fizemos o 3 a 1, o 3 a 2, o 3 a 3, o 4 a 3… Os dois últimos não valeram, mas fizemos. Produzimos até mais que o Flamengo do 1º tempo. O Flamengo teve toda uma situação de 1º tempo, e nós tivemos toda uma situação de 2º tempo, bem melhor, que fez até o Flamengo fazer cera, o que eu não via há muito tempo, de cair, desacelerar o jogo, 8 minutos de acréscimo, jogo não andar. A sensação minha é de que iríamos empatar o jogo. O importante de tudo isso é visualizar que não podemos dar essas possibilidades para um adversário com todo esse poderio e que temos que nos aproximar desse 2º tempo em termos de parte tática, mental, física.

Falou ainda, sobre o Crescimento no 2° tempo:

Se pegar os jogos que fiz contra eles pelo Inter e os jogos do River, quais principais características? Marcação intensa no homem da bola e recuperação de bola no campo defensivo, construção e bola nas costas dos laterais e zagueiros. Às vezes nem bolas limpas, apenas para tirar o Flamengo do seu campo e subir a linha de marcação. Trabalhamos a bola nas costas dos laterais, infiltração nas costas dos zagueiros, trabalhamos construção desde o início, bolas longas, só que não conseguimos fazer isso no 1º tempo. Nas poucas vezes que conseguimos, saímos da pressão, mas foram poucas. No vestiário, conversei que precisávamos nos reorganizar para aquilo que tínhamos treinado e estabelecido como estratégia, para fazer o primeiro gol e isso geraria confiança e entraríamos no jogo. Ainda tomamos o terceiro. Mas depois disso, tudo o que treinamos, pensamos, conseguimos botar em prática. A partir do momento que a defesa do Flamengo não conseguia subir, passamos a conseguir construir de baixo também. Geramos esse desconforto para o Flamengo.


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