“O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID 19 – Passagem (1)”

“O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID 19 – Passagem (1)”


Evidentemente, o título deste artigo se inspira na magnífica obra do Mestre Gabriel García Marquez, “O amor nos tempos do cólera”.
Era manhã de 23 de novembro de 1984 no Colégio Salesianos Santa Rosa em Niterói – claro que pesquisei a data no Google.
Na hora do recreio, a conversa entre nós era monotemática: Flamengo x Campo Grande, partida que seria disputada à noite.
Afinal, se o Flamengo vencesse esse jogo, o Fluminense – campeão brasileiro e favorito ao título estadual – estaria matemática e inapelavelmente eliminado do então mais importante campeonato do país.
Eram outros tempos, meus amigos, os chamados “times pequenos” costumavam dar trabalho aos grandes, principalmente em seus domínios. Ou seja, alguma esperança havia.
Ocorre que o jogo não seria em Ítalo Del Cima, mas, sim, no Maracanã.
E, é forçoso convir, o time do Flamengo era forte pra cacete… Fillol, Jorginho, Leandro, Mozer, Bebeto, Adílio, Tita, etc…
Os rubro-negros, como sempre, já cantavam vitória antes da hora.
E confesso que, no íntimo, eu concordava com eles. O Fluminense não poderia ter perdido, em sequência, para Vasco e Botafogo.
Como cursava o pré-vestibular, eu estudava em dois turnos.
Cheguei em casa, tomei banho, jantei, descansei…
Só pensava naquilo… o jogo do urubu.
21h:15min… bola rolando no Maracanã….
Radinho de pilha grudado na orelha…
Com 20 minutos de jogo…. Gol do Flamengo…. Gilmar Popoca.
PQP… Desliguei o rádio e pensei: “Ferrou”. Aliás, para ser bem franco, vociferei outra coisa.
Mais alguns minutos, ouço do quarto contíguo, onde dormia o meu saudoso pai, rubro-negro roxo, um “PQP”.
Imediatamente, pego o radinho embaixo da cama… Gol do Campo Grande… Pingo…. 1×1.
“Tá dando sorte deixar o radinho embaixo da cama”, pensei cá com os meus botões.
E o radinho permaneceria embaixo da cama.
Passam-se, então, mais alguns minutos – um bom tempo, aliás – e o meu saudoso pai solta um “Ahhh”.
Pensei: “Cacete, gol do Flamengo!”.
Mas, logo em seguida, vem, também do quarto do meu pai, outro “PQP”.
Meio confuso, pensei “Cacete, gol do Campo Grande!”.
Peguei o radinho embaixo da cama a fim de desvendar o mistério.
Nem uma coisa, nem outra.
O juiz assinalou pênalti para o Flamengo. Tita, que costumava ser mortal em lances assim, chutara a bola na trave.
E o radinho voltou para debaixo da cama.
Ouvidos direcionados para o quarto de meu pai.
A ausência de qualquer barulho naquele quarto era excelente notícia.
O tempo passava. Devagar, mas passava.
O coração disparava.
O bi se aproximava.
Saúde e paz para todos.

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