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O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (5)”

“O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (5)”

Fluminense 1×0 Flamengo (16/12/1984) – Triangular Final Carioca 1984 (Fluminense bicampeão)


Domingo, 16 de dezembro de 1984, dia da grande final entre Flamengo e Fluminense.
Os dias que se seguiram à fácil vitória do Flamengo sobre o time misto do Vasco – melhor seria dizer pantomima – foram marcados por ameaças mútuas entre torcedores tricolores e rubro-negros.
Naquele domingo de sol, a tensão era evidente, de parte a parte. Se alguém riscasse um fósforo, fogo pegava, qual um paiol.
A “ordem geral” era andar em grupo para inibir agressões.
Da Rua Mariz e Barros, esquina com a Praia de Icaraí, partiriam três ônibus da Young-Flu/Niterói. Do antigo “Beer Bar”, sairiam os ônibus da Raça Rubro-Negra – lembrando que o sentido da Rua Pereira da Silva era inverso ao de hoje.
Não costumávamos cruzar com os orcs.
Era bom para nós; era bom para eles.
Naquela época, a Praia de Icaraí era minimamente balneável. Sublinho: minimamente.
Imaginem, amigos, o nó no trânsito na Rua Mariz e Barros: 14:00, movimento de praia, algazarra da Young Flu numa esquina…
14:00, 14:15.
A caravana partiu rumo ao Maracanã.
Desafortunadamente, um dos ônibus da caravana se desgarrou, ficando para trás.
“Espera”, disse um.
“Vam’bora, tô vendo eles”, garantiu outro.
E seguimos para o Maracanã – até porque não seria possível contornar ou parar na Rua Mariz e Barros.
À medida que se aproximava a Ponte Rio-Niterói, aumentava o fluxo de carros e ônibus rumo ao Maracanã.
E se tornava cada vez mais difícil reunir a alcateia tricolor que partira de Icaraí.
Já no município do Rio de Janeiro, mais precisamente na Praça da Bandeira, deu-se um ataque de orcs. Éramos alvos fáceis – silly ducks –, encaixotados em ônibus parados no trânsito, à mercê de paus e pedras. Foram segundos – ou minutos, não me lembro – de terror. De repente, chegou a cavalaria. Integrantes de quatro ônibus da Fluburgo acorreram em nosso providencial socorro. A eles se juntaram alguns membros da “… maior Força Flu de todos os tempos…” – “.. o terror veste verde…”. Enquanto isso, descemos dos ônibus. Os orcs apanharam muito, muito, muito mesmo. Costumo dizer que nós nos investimos, na ocasião, da função punitiva do Estado…
Retomando o equilíbrio e o raciocínio, decidimos andar da Praça da Bandeira até o Maracanã. Por dois motivos principais. Primeiro, o trânsito estava, realmente, muito lento no local. Chegaríamos mais rapidamente ao estádio a pé. Segundo, evitaríamos novas emboscadas dos orcs.
Tricolores e rubro-negros andando em gigantescos agrupamentos com escaramuças aqui e ali. Essa é uma das mais marcantes imagens da minha memória como torcedor-raiz.
Subitamente, na Avenida Radial Oeste, espocaram morteiros.
Sons incrivelmente perturbadores.
Eram tricolores alvejando rubro-negros na passarela que ligava a estação do trem ao estádio do Maracanã.
Não, não éramos santos. Definitivamente, não éramos santos.
De imediato, instalou-se um corre-corre diante da conhecida “galhardia policial”, para não dizer outra coisa. Aliás, perto da PM daquela época, a de hoje é composta só por gentlemen.
Separa daqui, separa dali, chegou a notícia, por meio de um PM incrivelmente cortês para os padrões da época: o terceiro ônibus da Young-Flu cruzara com a caravana da Raça Rubro-Negra, na Rua Roberto Silveira, ainda em Niterói. A coisa foi feia, bem feia. Ônibus depredado, muitos feridos, alguns encaminhados ao Hospital Antônio Pedro. Numa época em que não havia comunicação instantânea, era tudo o que sabíamos.
Senti um frio na espinha.
Meu Deus do Céu!
O clima no entorno do estádio era de muita tensão.
O número de policiais miliares era bastante reduzido, se comparado com a multidão presente ao evento. Aliás, ante o notório despreparo das forças de segurança, sinceramente, não sabia se isso era bom ou se era ruim.
Cochichei com os meus amigos tricolores mais próximos: “precisamos entrar logo no estádio”.
Todos concordaram.
A propósito, como tínhamos adquirido o ingresso antecipadamente na loja “As Samaritanas”, o nosso objetivo foi facilitado, apesar das longas filas. Afinal, por força da tradição, cada torcida formava a fila nas bilheterias em frente às rampas às quais teriam acesso. Ou seja, dificilmente ocorreriam brigas nas filas.
Entrei no estádio por volta das 15:45.
Preliminar Flamengo x Vasco. Não me lembro o porquê.
Público chegando aos montes.
Maracanã, casa cheia!!
Nunca vi nada igual.
155.000 pagantes.
170.000 presentes.
80.000 tricolores.
Ou seja, 10.000 orcs a mais no setor da geral. E olhe lá!
Os times entraram em campo.
O Fluminense, com a tradicional camisa tricolor.
Uma nuvem de pó de arroz cobriu todo o Maracanã, da direita para a esquerda.
Eles tentaram responder soltando um urubu. Desorientada pela cachaça e pelo talco, a ave de rapina voou para o lado errado e foi abatida pela “… artilharia inimiga…”, na expressão do grande Léo Batista.
A Nassão se calou.
Aliás, nunca mais a Nassão levaria um urubu num Fla x Flu. Já não dera certo em 1983.
O grito de “Nense”, sem oposição alguma, tomou conta de todo o estádio.
Primeiro tempo equilibrado. Fluminense pareceu mais consistente, apesar dos sensíveis desfalques de Ricardo, Branco, Jandir e Deley. A rigor, chances claras de gol não houve.
Segundo tempo também começou equilibrado.
De repente, Tita deu uma porrada, e Paulo Vítor fez uma grande defesa.
Minutos depois, Élder deu outra porrada, e Paulo Vítor fez outra grande defesa.
A Nassão se agitou.
Enquanto isso, tal qual em 1983, Duílio iniciou uma jogada pela direita do campo… Aldo passou nas costas de Adalberto e cruzou a bola na cabeça de Assis…
“Recordar é viver… Assis acabou com vocês”.
Saúde e paz para todos.

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