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“O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (6)” – Opinião

“O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (6)”

Detalhe para o estado do gramado antes de começar o jogo.

O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (6)”


Sabemos todos que a vida de um torcedor de futebol não é feita apenas de estórias com doces finais felizes.
Domingo, 5 de dezembro de 1976.
Para uns, foi o dia da “Invasão Corintiana”.
Para mim, parafraseando o Presidente Franklin Delano Roosevelt, foi o “Dia da Infâmia”.
Três grandes indagações consumiam minh’alma, então um moleque de 09 anos.
A primeira e mais óbvia pergunta era: por que o astuto Presidente Francisco Horta teria vendido, antecipadamente, numa complexa operação via Banespa, 50.000 ingressos para a apaixonada torcida do Corinthians num jogo único válido pela semifinal do campeonato brasileiro de 1976? Teria algum integrante da Flusócio entrado no túnel do tempo e abduzido o Grande Francisco Horta? Essa me parecia ser a hipótese mais plausível até que assisti à explicação da boca do eterno Presidente. O Fluminense estava em débito com o Corinthians ainda pela compra do Rivelino em 1975. Devido à relação pessoal e próxima entre Horta e Vicente Matheus, então Presidente do Timão, a coisa não foi para frente. Mas, diante disso, Francisco Horta se viu na obrigação de ceder os 50.000 ingressos para o clube paulista. Está explicado. Aliás, está mais do que explicado.
A segunda indagação é, talvez, a que mais me atormenta: por que a polícia militar do Estado do Rio de Janeiro permitiu o acesso preferencial ao estádio à torcida do Corinthians se, em clássicos regionais, as duas torcidas entravam juntas pela mesma rampa? Como consequência desse ato tresloucado, quando eu entrei no Maracanã, por volta de 14:30, havia 1.000 tricolores à esquerda das cabines de rádio e 70.000 vozes contrárias (50.000 corintianos e 20.000 flamenguistas). A torcida tricolor foi entrando a conta-gotas no estádio. Foi um massacre sem igual. Só equilibramos em número de torcedores lá pelas 16:30. Só superamos a Fiel com o jogo já em andamento. Ou seja, na maior parte do tempo, o Maracanã foi um verdadeiro “Recreio dos Bandeirantes”. O troco não tardaria, mas isso é outra estória.
A terceira indagação: por que o jogo não foi suspenso? Aquilo não era futebol, era water polo. Consta que se temia uma forte reação da massa corintiana, que teria de retornar à Sampa de mãos abanando. Aí, já seria excesso de galhardia. Torno a achar que alguém da Flusócio entrou na máquina do tempo e tomou decisões naquele fatídico dia.
Saúde e paz para todos.

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