fbpx

Opinião – “O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (10)”

“O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (10)”


23 de setembro de 1984.
Flamengo x Fluminense, decisão da Taça Guanabara de 1984.
Lutávamos pelo bicampeonato da outrora relevante Taça GB.
Pensei em dizer que fui a todos os Fla x Flu da década de 80.
Mas, como eu posso ser traído pela memória cada vez mais falha, deixo aberta uma fresta para lapsos: não me lembro de ter perdido um único Fla x Flu na década de 80. Aliás, não me lembro de ter perdido um único clássico na década de 80.
E, lógico, numa arquibancada rachada ao meio, nós, tricolores, costumeiramente “engolíamos” os molambos, que desde sempre foram como pombos – muitos, feios, sujos e não cantam.
Mas algo soava distinto naquele domingo ensolarado de setembro de 1984.
É forçoso – e doloroso – reconhecer que os molambos nos calaram. Não aos gritos de “Mengo”, mas, sim, aos de “ô ô ô… Fluminense malufou…”.
Nós, tricolores, entreolhávamo-nos atônitos, sem saber, ao certo, como reagir àquela provocação.
Embora houvesse uma faixa aqui outra ali, na torcida do Fluminense, rechaçando o apoio do clube – ou, ao menos, de parte dele – ao que era considerado retrógrado à época, a massa tricolor restava inerte na arquibancada à direita das tribunas. Só os urubus gritavam.
Isso porque, convém lembrar, às vésperas do jogo decisivo, metade do grupo do time Campeão Brasileiro – entre eles o grande goleiro Paulo Vítor – foi hipotecar apoio político a Paulo Salim Maluf – um candidato identificado com a ditadura militar e com a compra de votos no infame colégio eleitoral.
Inevitavelmente, a pasmaceira passou da arquibancada para o campo. Abobado, o capitão Duílio creu ter ouvido o apito do juiz e colocou a mão na bola. Tita cobrou a falta e Adílio marcou de cabeça. Desunidos, perdemos o jogo, ou melhor, a batalha.
Em 16 de dezembro de 1984, como já contei aqui, daríamos o troco nos urubus, vencendo a guerra, com mais um golaço do Carrasco Assis.
Mas a História nos deixou lições, inesquecíveis e dolorosas lições.
Torcedor tricolor, sincera e honestamente, não tenho a menor intenção de influenciar a sua orientação política. Não sou filiado a nenhum partido político, muito menos tenho político de estimação.
Mas sou intransigente defensor de valores democráticos – sem os quais não poderia estar aqui, livremente, escrevendo (“free market place of ideas”). E graças aos quais os meus opositores vão poder me descer o cacete nos comentários.
Mas, seja você de direita, centro ou esquerda, tenha sempre a democracia como valor fundamental e inalienável.
Não fiquemos, outra vez, do lado errado da História.
Saúde e paz para todos.

3 Replies to “Opinião – “O amor (ao Fluminense) em tempos de COVID-19 – Passagem (10)””

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Top