Fluminense ameniza a falta de torcida, com faixas, mosaicos, bandeiras e som. Saiba tudo sobre a montagem da estrutura.

Afastada dos estádios por conta do protocolo de prevenção à Covid-19, a torcida do Fluminense tem dado inequívoca demonstração de amor ao clube e, mesmo sem poder estar presente no Maracanã, tem feito a ambientação do estádio para dar aos jogadores um sinal de sua presença. Faixas e mosaicos se juntam ao som, coordenado por um DJ, das músicas e reações que ecoam pelo sistema de alto falantes, sobre as arquibancadas, mostrando que o time não está sozinho.

O processo teve início quando o Departamento de Arenas do Fluminense realizou uma reunião com as torcidas, exclusivamente, para definir as ações e também o nome de quem seria a ponte com o clube. A partir daí, ficou acertado um protocolo para instalação e retirada das faixas, bandeiras e demais adereços.
Entre a decisões tomadas durante a reunião está o prazo para montagem e retirada de bandeiras e faixas. As arquibancadas são preparadas um dia antes do jogo, uma vez que no dia da partida existem várias outras medidas que precisam ser organizadas. A retirada acontece no dia seguinte, dependendo da tabela. O Departamento de Arenas informa que novas torcidas ou movimento, que tenham a intenção de participar das ações, podem fazer a solicitação pelo e-mail arenas@fluminense.com.br para que o pedido seja avaliado pelo setor.
O ritual da torcida de um clube não é feito apenas com faixas e bandeiras. Tem muito canto e gritos de incentivo, às vezes até de críticas. Mas o protocolo de prevenção à Covid não permite que o torcedor veja os jogos no estádio. E é nessa hora que entra Frank DJ, trazendo a animação e 11 anos de experiência em festas, boates e shows.

Aliado a isso, o profissional usa seus 28 anos como torcedor, conforme ele mesmo salienta, “de arquibancada”, para dar o tom do que é reproduzido pelo sistema de alto falantes do Maracanã. “Eu tenho entre 20 e 25 faixas com cantos da torcida em um equipamento com quatro canais, por onde faço a mixagem das músicas que a torcida, normalmente, canta quando vai aos jogos. Em outro equipamento, eu tenho as reações dos torcedores com os gritos de quase gol, gol, reclamação contra o árbitro, boa jogada e outros. São seis botões de reações que eu já mantenho meus dedos preparados para apertar no momento certo”, explica ele a novidade que tem dado outro clima às partidas com estádios vazios.

Craque nos cantos e reações da torcida, o DJ perde o controle e se emociona quando lhe é feita a seguinte pergunta: Mas você torce para qual time? “Sou torcedor do Fluminense, de arquibancada. Agora já entra a parte que mexe comigo. Me sinto emocionado para falar, porque eu estou ali representando a torcida do meu time de coração. Eu vejo que estou ajudando, fazendo a diferença, é uma sensação indescritível, é incrível, sensacional”, afirma Franklim Scheleger, o Frank DJ, com a voz embargada.
Há mais de dez anos, o Microempreendedor na Área de Sistemas de Segurança Eletrônica, Ricardo Exner, de 44 anos, se transforma, em dia de jogos do Flu, no Rio, em especialista em montagem de mosaicos. Embora ele fale timidamente sobre a especialização, foram, pelo menos, 15 mosaicos de 2008 até hoje, colorindo as arquibancadas.

A diferença é grande, como ele explica. Primeiro porque o torcedor não está lá para segurar a peça, no momento de entrada dos jogadores em campo. Se antes bastava encaixar o adereço entre o assento e o encosto da cadeira, hoje os papeis precisam ser colados, para já estarem prontos no momento da partida. Sem a pandemia, o serviço levava algumas horas e permitia mosaicos de maiores tamanhos. Hoje, a criação pode levar um dia inteiro – mesmo com a redução do espaço usado – por causa da mão de obra na fixação das peças. Dependendo da época, é possível envolver de 15 pessoas, na organização, à cerca de 40, na montagem.
“Antes a gente podia fazer um setor inteiro, a sul por exemplo, com 22 mil peças. Hoje a gente optou por um espaço menor, por conta da dificuldade do processo, estamos usando por volta de oito mil peças. Nós, também, quase não conseguíamos aproveitar material de um mosaico feito para uma determinada partida. Isso porque tínhamos que colocar as instruções para o torcedor no verso do papel, de forma que ele tivesse a orientação do que fazer na entrada do time. Hoje, como não estamos fazendo isso, temos como aproveitar sobra de peças de um jogo para o outro”, detalha Exner

Ele fala ainda que são emoções diferentes, as vividas antes da pandemia em relação ao momento atual. “No jogo com a torcida, temos a emoção de ver o mosaico surgir na entrada do time, porque ele não está visível antes disso. Aí fica sempre aquela expectativa se está tudo certo. Quando o time entra e o torcedor começar a montar o mosaico, vem a emoção de que está tudo perfeito. A torcida também vibra, aplaude. Nesse momento de pandemia não tem isso, porque não tem o torcedor e gente já vê o trabalho pronto, já montado. É bonito, lindo, mas é diferente. Claro que é melhor do que nada, com uma arquibancada fria, só com as cores da cadeira. Mostramos para o jogador que ele está em um clube que tem torcida, vibrante, participativa, que está sempre com o time. Mesmo sem a torcida no local, fica a ideia de que a gente está lá, que estamos juntos, participando e que a gente não está ignorando o que está acontecendo. Que estamos torcendo, ainda que de casa, mas torcendo”, define.

TEXTO: COMUNICAÇÃO FFC
FOTOS: LUCAS MERÇON/ MAILSON SANTANA – FLUMINENSE F.C.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *