fbpx

NADA É MAIS IMPORTANTE E URGENTE PARA O FLUMINENSE DO QUE A MUDANÇA DO MODELO DE GESTÃO – Opinião Ademar Arrais

NADA É MAIS IMPORTANTE E URGENTE PARA O FLUMINENSE DO

QUE A MUDANÇA DO MODELO DE GESTÃO

Inicialmente gostaria de agradecer ao Canal FluNews pelo convite para escrever semanalmente sobre assuntos de interesse do Fluminense Football Club. Com base na experiência adquirida ao longo de toda minha história de vida ligada ao Fluminense, bem como na minha experiência pessoal e profissional, vou procurar apresentar algumas das minhas idéias, projetos e ou criticas sobre os mais diferentes aspectos e segmentos do Clube, objetivando sempre contribuir para a qualificação do debate sobre nossos problemas e sobretudo de forma propositiva e sem qualquer pretensão de ser dono da verdade.

Nesse primeiro texto vou abordar aquele que é disparado há tempos o assunto mais importante para o Fluminense, que é a necessidade de mudança urgente do seu atual modelo de gestão arcaico e ultrapassado. Não é mais uma opção. Trata-se de um imperativo no sentido de que ou muda radicalmente o modelo ou continuaremos esse processo de apequenamento acelerado e constante do Clube até chegarmos a completa inviabilização administrativa, financeira e esportiva.

A transformação do Fluminense em clube-empresa há tempos me parece ser o melhor caminho a ser trilhado, mas não o único possível. Existem experiências de sucesso e insucesso com Clubes que são sociedades civis sem fins lucrativos, da mesma forma que existem experiências de sucesso e insucesso em clubes-empresa. Independente da roupagem jurídica escolhida, para obtermos a eficiência e os resultados esperados o fundamental é que tenhamos uma gestão empresarial, responsável e profissional.

É compreensível, mas completamente inócua a esperança constante de segmentos do Clube e da torcida de que a solução de nossos problemas está na contratação ou troca de um determinado técnico, na contratação de um ou outro jogador ou até mesmo na esperança de que só um Presidente Rico seria capaz de resolver nossos problemas. Infelizmente nossos problemas são muito mais profundos e não são essas as soluções.

Outro aspecto importante é que para superarmos nossas dificuldades precisamos parar de terceirizar responsabilidades. Os problemas do futebol não são decorrentes da existência do Social e do Olímpico. Lembro que desde que passamos a ter eleições diretas no Fluminense, todos os Presidentes eleitos pelos Associados, sem exceção, são ligados ao Futebol do Clube. A mesma gestão caótica, à deriva e irresponsável do futebol é a do Social e também do Olimpico ou alguém acha que nesses outros dois segmentos somos verdadeiras potencias e que não existem dificuldades. A SITUAÇÃO DO FUTEBOL, DO OLIMPICO E DO SOCIAL DO FLUMINENSE SÃO CONSEQUÊNCIAS E NÃO CAUSAS DOS NOSSOS PROBLEMAS. É preciso também que mudemos nossa mentalidade sobre essas questões sem ficar elegendo inimigos.

Mas então, o que precisamos fazer? O que significa mudar o modelo de gestão? O que significa mexer nos alicerces atuais, reestruturar? Vamos citar EXEMPLIFICADAMENTE algumas dessas medidas:

  1. Auditoria externa e interna que auxiliem tecnicamente a gestão no diagnostico do clube para a correta adoção das melhores medidas necessárias a obtenção de uma maior eficiência.
  2. Renegociação, quando possível, das dividas e melhor tratamento da sua equalização por pessoas jurídicas e físicas especializadas e experientes no assunto.
  3. Adotar medidas concretas de prevenção de passivo trabalhista, cível e tributário, evitando assim a continuidade dessa bola de neve.
  4. Separação imediata das receitas e despesas do futebol, do olímpico e do social, com adoção de todas as medidas necessárias para o imediato reequilíbrio orçamentário de cada unidade de negócio.
  5. Revisão de todos os contratos para eventuais renegociações e ou rescisões quando tivermos acordos fora da realidade de mercado ou das possibilidades do Clube.
  6. Diminuição de despesas e busca por novas receitas substanciais.
  7. Elaboração do planejamento estratégico do Clube em geral, promovendo a deliberação institucional pela adoção do modelo do clube-empresa ou pela continuidade como sociedade civil sem fins lucrativos,  o Planejamento estratégico especifico de cada unidade de negócio, plano diretor, ações de curto, médio e longo prazo, o papel da sede de Laranjeiras, de Xerem, do Centro de Treinamento, a possibilidade de construção de um estádio próprio, etc…
  8. Reforma estatutária com inicio através de um anteprojeto que contemple as deliberações do Planejamento estratégico e onde necessariamente conste a responsabilização dos dirigentes por gestões temerárias, regulamentação de um novo e moderno processo politico-eleitoral, independência maior entre os Poderes Constituídos do Clube, limites aos gestores, maior poder de fiscalização e acompanhamento do fiel cumprimento orçamentário pelos gestores, proibição explicita e bem definida de conflitos de interesses, etc…
  9. Posicionamento institucional ativo, permanente e combativo na defesa de nossos interesses, buscando melhores resultados. Como exemplo podemos citar as absurdos valores que pagamos de forma completamente desnecessária em relação ao Maracanã, direitos de transmissão, etc…O Clube precisa de uma vez por todas saber usar a sua própria força, até mesmo através de pessoas ligadas a ele no Poder Público Municipal, Estadual e Federal, bem como em importantes segmentos da iniciativa privada.
  10. Estruturação completa de um Departamento de Gestão de Pessoas. É preciso ter critérios e parâmetros salariais, perspectiva de crescimento profissional, meritocracia, critérios, parâmetros e procedimentos para contratações, metas, cobranças, ter quantidade de empregados compatível com a sua necessidade, impedir medidas que deixem o clube vulnerável, etc… O Clube não pode continuar contratando pessoas por critérios políticos ou de amizade e a peso de ouro e ainda sem que os contratados tenham a  qualificação necessária. Lembro que o atual Presidente manteve todos os funcionários da gestão Abad, que tanto satanizou, e ainda contratou para pagamento de promessas de campanha. Não há como tirar qualquer instituição do caos com as mesmas pessoas que criaram o caos, sobretudo quando elas acreditam que ele não existe e que tudo o que está acontecendo é normal.
  11. Da mesma forma, é preciso ter claro o perfil dos profissionais e atletas do futebol que desejamos na busca de um time sempre equilibrado e  competitivo. É preciso também apostar mais na meritocracia através de parcela remuneratória variável e progressiva, priorizar o trabalho de Xerem principalmente quando não tiver condições de buscar no mercado jogadores efetivamente melhores, ter contratos cuja negociação levem em conta as condições do clube, as características pessoais do atleta como a idade por exemplo, o rendimento as perspectivas do mesmo para o Clube, etc…
  12. Ações e posturas institucionais que contribuam para o resgate da credibilidade do Fluminense em todos os segmentos. Credibilidade gera dinheiro com o decorrer do tempo. Ser dirigente do Fluminense e em especial Presidente, é uma honra e tem o bônus, mas também o ônus. Presidente do Fluminense não pode jamais fomentar internamente e publicamente a idéia de que em função de menos recursos vamos entrar numa competição com outros objetivos menores que o título da competição. Não pode sequer admitir que um jogador do Fluminense ache prepotência ter como meta o título. Da mesma forma que não é papel de Presidente do Fluminense ir abraçar e pular com jogadores em vestiário. Presidente é a ultima palavra do Clube, é quem negocia e assina pelo clube, não pode ter esse tipo de conduta. Não é papel de Presidente do Fluminense ficar batendo boca com torcedor em rede social e muito menos ficar ameaçando de processo judicial. Não é papel de Presidente do Fluminense organizar doações para Fiocruz quando sequer paga os salários de seus profissionais. Não é papel de Presidente do Fluminense comemorar e divulgar pagamento parcial de salários de meses passados como se fossem títulos. Presidente do Fluminense não pode jamais se considerar um ser supremo e superior porque deu dois treinos. Não pode ter relações promiscuas com empresários nem conflitos de interesses com o Clube. São apenas alguns dos milhares de exemplos.
  13. Ter transparência em todas as suas ações. Transparência gera confiabilidade e ambas também geram credibilidade e dinheiro com o tempo. A confidencialidade no Fluminense não pode mais ser a regra e continuar servindo de instrumento para assinatura de contratos milionários, imorais, completamente fora da realidade de mercado e das condições do clube. A transparência não pode continuar completamente opaca.
  14. Abertura da gestão para eventual ajuda e o diálogo permanente com todos os segmentos e lideranças do clube, tendo humildade suficiente para ouvir e implementar sugestões e corrigir rumos.
  15. Ter permanentemente ações congruentes com a situação geral do Clube e somente tomar determinadas decisões após a oitiva do Departamento específico, do Jurídico e do Financeiro, realizando todas as ponderações necessárias.

Quantas dessas medidas ou outras no mesmo sentido foram adotadas pela atual gestão do Fluminense? Se temos as mesmas atitudes e as mesmas práticas, não podemos esperar resultados diferentes. Precisamos mudar urgentemente. Não há outra saída.

Saudações Tricolores,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Top