” A Batalha do Covid-19 sob a ótica do Clube de uma enorme alma, quem construiu a história x ninguém!” Opinião Rafael de Castro

A BATALHA DO COVID SOB A ÓTICA DO CLUBE DE UMA ENORME ALMA, QUE CONSTRUIU A HISTÓRIA X NINGUÉM!

Olá, Guerreiros!
Estamos diante de mais um circo na história esportiva brasileira. O clube de remo, que tanto ignorou a pandemia, leva toda sua corte, made in BNDES, para o Equador, posta as festividades, os seus “vacinados” atletas sem máscara no avião e agora “exige” adiamento do seu jogo contra o Palmeiras! Que os afetados pelo cruel calendário se apertem ainda mais, pois precisamos atender ao império do mal! E se não bastasse tanta contradição, assistimos mais uma vez a mídia defender com total clubismo e capitalismo sua bandeira, mesmo que neste mesmo campeonato já tenhamos caso similar com o Goiás entrando em campo sem 15 atletas: https://agenciabrasil.ebc.com.br/esportes/noticia/2020-08/mesmo-sem-15-atletas-com-covid-19-goias-ataca-mais-que-palmeiras
O que eles fizeram pela volta do futebol, ignorando leis e qualquer senso esportivo, todos já sabem. Como tricolor, vou narrar o escárnio atual a partir da decisão da Taça Rio.
Em que pese a grande alegria pela “conquista” da Taça Rio em 08/07/20, que certamente poderia ficar gravada na história como “a batalha da moral X o apocalípse da imoralidade”, não manifestei euforia futebolística. O momento que vivemos na história da humanidade não nos permite tratar futebol como prioridade, mas como elemento cultural histórico do nosso país, seria natural a extração de bons exemplos e ações, como às demonstradas por inúmeros artistas em “Lives gratuitas” e muitas toneladas de alimentos doados.
O FFC é berço do FootBall brasileiro, carioca e da seleção brasileira. É o único clube de futebol no mundo a receber do COI a taça Olímpica, em 1949, por inúmeras contribuições aos esportes olímpicos, pela sua moralidade, pela sua estrutura e pela sua HONRA! Para receber a honraria, o pleiteador deve ser exemplo de organização administrativa e um vitorioso nos setores esportivos, sociais, artísticos e cívicos. Este reconhecimento é considerado o Prêmio Nobel dos Esportes.
O “mundo” sempre soube quem é o FLUMINENSE e o reconhece pela sua fidalguia, pela sua contribuição a inúmeras modalidades esportivas, não somente o famoso football, que aliás, foi o motivo central de sua criação, diferentemente dos demais “grandes do RJ”. Nas piscinas, quadras, no tiro, entre outras, produzíamos, desde a origem, medalhas para o país e cidadãos de bem para a sociedade. Em campo éramos o maior campeão daquilo que havia de mais valioso até a década de 80 passada, o Campeonato Carioca. Chegamos ao final da década de 70 ainda sobrando nesta condição, com título nacional no primeiro modelo de “grande campeonato brasileiro”, 1970, justamente o ano do futebol arte. Havíamos levantado canecos da Taça Rio SP, um “mini brasileiro” para a época, inúmeros torneios relevantes para o período na Europa (contra os seus gigantes) e mesmo diante da ignorância de muitos e ocultação tendenciosa da mídia, havíamos nos sagrados campeões do modelo de Mundial que havia, batendo inclusive o Penãrol, base da seleção Uruguaia que havia derrotado o Brasil 2 anos antes em pleno Maracanã (https://globoesporte.globo.com/futebol/times/fluminense/noticia/jogo-fluminense-x-penarol-de-52-e-eleito-maior-da-historia-tricolor-e-jogador-vivo-se-emociona-honra.ghtml).
Paralelo a esta linda trajetória, surgia um fenômeno que está atrelado a tudo que hoje conhecemos como “Jeitinho Brasileiro”. Como bem elucidou o Dr. Renato Soares Coutinho em sua tese de Doutorado em História na UFF (https://www.historia.uff.br/stricto/td/1453.pdf), o clube de Regatas divorciado da Rede Globo foi alçado a um modelo de “política nacionalista popular”. Em período de golpe de estado, sem congresso e com nova constituição autoritária, foi criado o DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda e neste momento quem já nadava em berço esplendido era o maior ídolo da nação: O Sr. Marinho.
Entre várias articulações, utiliza-se massiçamente as principais mídias da época para divulgar o sucesso do modelo autoritário, mas que espelhava um cuidado com o povo, com as crianças e mostrava para os quatro cantos do país um sucesso, que tinha nos tentáculos rubro negros a magia ideal para comover as massas e tratar o povo como “gado”. Daí surge, por exemplo o Jornal dos Sports, absoluto para a época. Mas Marinho precisava de um sócio que representasse toda a arquitetura do modelo: eis que ganha destaque Mário Filho.
Exatamente! Mário Filho, irmão do ilustre e consagrado até hoje, Nelson Rodrigues, não somente conduz o noticiário esportivo brasileiro, como também ignora a utilização de recursos públicos para regimentar uma massa, através da paixão e da ignorância (percebendo a coincidência com os tempos atuais?). Este mesmo, anos após, viraria o nome do maior e mais belo estádio de futebol de todos os tempos: Maracanã.
Neste momento o FFC tinha a consolidação da sua sede própria, casa da seleção canarinho, que anos após, mesmo sem nenhum recurso estatal, teve ¼ da sua arquibancada ceifada para obras da cidade, além dos serviços utilizados pelo Palácio Guanabara.
No lado dos que compraram a história, surge o decreto 3.686, na década de 30, cedendo ao clube de regatas terreno nobre, onde hoje existe a sede da Gávea. Era o que faltava para estruturar as campanhas governamentais, os cenários perfeitos que associavam o rubro negro ao “Brasil forte”.
Como não tenho pretensões de parafrasear o Dr. Renato Soares Coutinho, deixo que vocês observem os detalhes em seu material original, que está exposto em link acima.

Esse grande projeto criou um fenômeno. Como um clube sem nenhuma representatividade no cenário internacional, nada relevante esportivamente em qualquer modalidade no cenário nacional e até mesmo 3ª ou 4ª força no cenário estadual conseguira chegar à década de 50 como maior torcida do Brasil, quiçá do mundo?
Resposta cristalina no material do Dr. Renato Soares Coutinho e até mesmo no breve resumo deste texto.
Para que não demonstre ignorância aos fatos positivos, aproveitaram uma baita geração para serem vencedores na década de 80, mesmo que Internacional e principalmente Atlético MG tenham seus motivos para criar ressalvas escandalosas. Em paralelo aumentava sua campanha de time popular, criando “Fake News” contra aquele que era o mais próximo “time do povo”, o único grande fora da zona sul, entre outras mais imundas contra o FFC como a eterna associação entre um jogador vindo do Bangu, que lá usava pó de arroz e foi contratado por nós já sob esse triste hábito, além do ranço homofóbico criado (quem tem cultura e personalidade em classes menos favorecidas para virar as costas para o “time do povo” e abraçar um time “afeminado” e “preconceituoso”?).
Em resumo, meus nobres, curtir a vitória de 08/07/20 foi maravilhoso. Ganhar da soberba, do jeitinho brasileiro, da ganância, do desrespeito às leis e às vidas humanas não tem preço. No entanto, o resultado não nos altera. Perdendo ou ganhando, nosso caráter é centenário, enquanto eles buscam sempre os atalhos e estão sempre tropeçando no próprio destino.
Os episódios recentes que envolvem este clube são de embrulhar o estômago, mas eles foram criados assim. Essas são suas raízes e não mudarão mesmo diante da empatia que toda coletividade teve com eles em dias recentes e tão difíceis.
Dois ou três dias após uma tragédia para todo nosso país, teríamos um fra X FLU. Minutos após o Fluminense postava solidariedade e se colocava a disposição para remarcação do jogo, o que ocorreu. Agora, durante uma Pandemia inigualável em nossa história, onde não temos condições de contar em dedos das mãos e sim em dois maracanãs super lotado de mortos, eles mais uma vez, desafiaram a lei, criaram a lei, manipularam a lei, e buscaram o jeitinho brasileiro, para chegarem ao Brasileirão mais preparados que os demais de outros estados, que ainda precisaram jogar de 5 a 7 jogos em 20 dias e imediatamente entrar na longa disputa do título nacional; para finalizarem um campeonato estadual de forma desumana, sem que os adversários tivessem em condições mínimas aceitáveis fisicamente; para expor seu patrocínio conquistado na mesma surdina que a sua Medida Provisória; para impor seu irracional projeto que limita a 4, ou 5, que seja 10 milhões de pessoas que teriam acesso à internet, sendo que a TV atingiria historicamente 50, 60 ou 80 milhões de pessoas, tão carentes de alegrias em dias tão difíceis.
O campeonato Carioca ter sido decidido nos dias 12 e 15/07 foi a gota d`água da patifaria. Na euforia do êxito de uma batalha, muitos tricolores ignoraram que jogamos 4 partidas em 10 dias, sendo a última, uma decisão com vários desfalques e outros que saíram de campo esgotados, machucados…
Davi superou Golias uma vez; Duas vezes é bem difícil; Três é pouco provável! Não tivemos a defesa institucional devida. Não tivemos o amparo da mídia. O final, todos já sabem. Fomos melhores também no segundo jogo, mas não tínhamos mais pernas para seguir a diante. O “jeitinho imundo” venceu, mas isso é apenas uma definição para quem nasce, cresce e morre sendo gado. Pra mim, meu clube mais uma vez foi gigante e eles mais uma vez tiveram os imorais atalhos a seu serviço.
Qualquer argumento fisiológico/médico provaria que não poderíamos ter entrado em campo naquelas finais. As finais sempre foram em dois domingos e sem nenhum motivo real a quadrilha criou mais uma forma de desequilibrar a competitividade. Como presidente do FFC, o campeonato acabaria com a Taça Rio. Deixaria as duas datas para que eles transmitissem no seu canal “time A X time B”; ou
Time dos 62 funcionários demitidos X Time dos familiares das vítimas.
Enquanto isso, a Sra. Globo, historicamente farinha do mesmo saco, retransmitiria irmãos coragem para o Brasil todo dizendo que o Duda jogava dopado; retransmitiria o Tufão como traficante e não como bom moço; faria a cobertura do goleiro assassino sem se preocupar com a imagem do clube; faria uma cobertura séria sobre a maior tragédia no meio esportivo brasileiro, com a morte de 10 jovens e a negativa do clube de aceitar a proposta do MP que representava menos que 4% do faturamento anual e menos até do que o lucro liquido divulgado; volte no tempo, em 2012, e forje alguma tramóia na documentação que criou o abismo no futebol brasileiro, com diferenças que chegariam a 1Bi de faturamento em 1 década para os demais times de tradição; apresente no Globo Reporter a posse do terreno da Gávea e como o clube de regatas foi usado como propaganda política para que chegasse uma imagem de um país que os povos isolados nem conheciam; as relações entre Godinho, Lava Jato, BNDES, empresas que patrocinaram o clube, obtendo grana junto ao mesmo banco; o escárnio de mais uma vez ter recursos públicos injetados em sua camisa…

O episódio atual, dos contaminados vindos da Gávea, solo de todo povo brasileiro era a oportunidade deles vir a público reconhecer erros. Enquanto isso, a mídia os trata como vítimas. Tento entender o motivo e existem duas visões: Quanto a saúde, os exames do maravilhoso protocolo que eles tanto se gabaram, irão garantir que só entre em campo quem tem condições; Quanto ao efeito esportivo, eles não se preocuparam com a disparidade ao retornar antes e ao negociar MP visando ainda mais abismo financeiro e cancelamento do contrato da Globo com os demais clubes Cariocas. Portanto, se eles possuem jogadores aptos a jogar, que joguem, independentemente dos inaptos. Se não tiver nenhum, W.O neles!
Eles são de outro patamar, que tenho orgulho de não fazer parte. Que não demitam mais ninguém ou não infrinjam mais leis que possam gerar tantas perdas financeiras, psicológicas ou de vidas humanas!

Como escreveu o gênio Nelson Rodrigues: “o Flamengo tem mais torcida; o Fluminense tem mais gente…”

Rafael de Castro Ladewig de Araujo.
Meu sangue é grená com glóbulos verdes e brancos.

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