fbpx

” Minha primeira subversão foi ser Fluminense!” Opinião Eduardo Coelho

Minha primeira subversão foi ser Fluminense! Com um pai vascaíno fanático e o irmão mais velho também, ser tricolor, na infância significaria desde cedo romper com o poder estabelecido. Era estar ausente dos estádios nos jogos do time do coração. Seria romper com todos aqueles presentes que os pais oferecem aos filhos na arte de seduzi-los pra que torçam pro seu time de futebol. Ou seja, seria remar contra a maré.
Mas, nada como contar com a ajuda de “tios companheiros” pra salvar a pátria “VERMELHA”, branca e verde, pra assistir uma “Máquina” jogar. Na adolescência melhorou. Aí, tirei o atraso. Matava aula pra ver o Flu jogar, à tarde, na dura arquibancada da Bariri. Pegava chuva, à noite, na arquibancada de madeira de Marechal Hermes. E o aniversário de 17 anos? Dei furo no almoço familiar, com a presença dos padrinhos, deixando meus pais furiosos comigo. Tudo por um jogo em Moça Bonita. E só tinha o dinheiro do ônibus e alguns sanduíches de pão com ovo frito. No final: 3 a 0 Bangu. O pessoal lá em casa falou que foi castigo.
Criamos a “TIJUNENSE”, a única torcida até hoje, que teve “NENSE” no nome. Na verdade, éramos um bando de malucos apaixonados pelo Flu, querendo assistir os jogos do nosso time. Nossa maior loucura? Pular o muro do Maracanã, às 7:30 da manhã (o jogo era às 17h), com bandeirões, peças de bateria, sacos e mais sacos de papel picado e talco pra jogar pro alto, quando o Flu entrasse em campo. Era a final do 1° turno de 80, com o Vasco. Pra aliviar a fome, muitos sanduíches de pão com ovo frito. E pra passar o tempo uma bola “dente de leite”. Nessa a gente se deu bem. O Flu venceu de 4 a 1 nos pênaltis.
A primeira grande “revolta guerrilheira” foi quando venderam o Edinho pra Itália, em 82. Pô, o Edinho era o craque do time, o ídolo da torcida e vendem o cara? O time que já não era lá essas coisas ainda ficaria pior. Então, fomos pras Laranjeiras fazer o enterro da diretoria e gritar “QUEREMOS TIME”. É claro que o couro comeu! Era sopapo pra cá, pernada pra lá e até cadeira voou. Pra conter a fúria da torcida tiveram que apelar pra ajuda pacífica da PM.


Em 83, fui parar no exército. A rebelião continuou! Por outros motivos, claro, mas continuou. Bati de frente mesmo e “dane-se”. Óbvio, rolaram várias prisões. Faz parte é do jogo. O ano foi difícil. Mas, o que salvou foi aquele gol do “ASSIS” aos 45 do 2° tempo. Tive que chorar e negociar muito pra me liberarem pra ver o jogo, pois tava detido no quartel. Servia no 1°BG, em São Cristóvão, que era pertinho do Maraca. Como dei “MINHA PALAVRA” voltei logo depois do jogo, feliz da vida. Deixei pra encher a cara noutro dia.
Passaram-se muitos anos. Muitas lutas políticas. Muitos jogos e títulos do Flu. Rebaixamentos também. Mas, sempre com o Flu. Um operário virou presidente da República e não faltou emprego e comida na boca do povo. E o operário que sempre gostou de futebol, recebeu todo sorridente nossa delegação em Brasília, quando conquistamos depois de 23 anos um título nacional: a Copa do Brasil de 2007. Aí, já adulto, realizei o sonho de menino e entrei de sócio do Flu.
Criei o Blog “Cidadão Fluminense” e meti o pé na porta! No bom sentido é claro. Falava de história e política do Flu. Claro que desagradei algumas oligarquias. As mumificadas e as juvenis que pretendiam se “encastelar no poder”. Era um crítico ácido e feroz. Mas nunca faltei ao respeito ou proferi ofensas pessoais. Cada um possui as suas capacidades e eu criei as minhas.
Uns adoravam as minhas criativas matérias – geralmente os opositores do “status quo” – e davam gargalhadas. Outros detestavam e levavam pro lado pessoal. Tranquilo. Faz parte do jogo político. Aí, vieram as retaliações. Pensaram que eu me intimidaria. Tolinhos! De processos na Justiça foram 6 (SEIS). Fazer o que, né? Me diverti. Tive que “DERROTAR MEUS ADVERSÁRIOS”, um a um.
Teve até um “garoto arrogante” toda vida, que mais parecia um “pavão” de tão vaidoso que era. Ou ainda é, sei lá. O cara não cansava de me processar e eu não cansava de “GOZAR” ao “DERROTÁ-LO TODAS AS VEZES”. Fazer o que, né? O cara não imaginava que fosse encontrar aqui, uma “resistência guerrilheira”. Vento que venta cá, venta lá também. Talvez o cara pensasse que eu fosse mais um desses “mauricinhos” que sabem tudo de tudo.


Pra finalizar, moral da história: quem ocupa espaço de poder precisa ter humildade, respeitar as pessoas e suas histórias. Todo mundo, por mais simples que seja, possui uma história. É preciso ouvir o povo! Atender aos reclames do povo! É pra isso que existem os espaços de poder. E não para oprimir o povo. E num clube de futebol, o povo são os seus “TORCEDORES”.

QueremosTime #VencerOuVencer #Tricolor

FluminenseFootballClub1902 #Laranjeiras

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Top