PRESIDENTE NÃO É DEUS. PRESIDENTE NÃO É DONO. PRESIDENTE PODE MUITO, MAS NÃO TUDO. Opinião Ademar Arrais

PRESIDENTE NÃO É DEUS. PRESIDENTE NÃO É DONO.
PRESIDENTE PODE MUITO, MAS NÃO TUDO.

Um Clube de futebol é uma espécie de pequeno retrato da sociedade em que ele está inserido. No Brasil as pessoas costumeiramente acham que o Presidente da República e outras autoridades, porque foram eleitos ou exercem determinados cargos, podem fazer o que querem e bem entendem. Não podem e não devem. A difusão desse pensamento acaba incentivando arbitrariedades e abusos dos gestores públicos, além do menosprezo pela res pública. No Fluminense é igualzinho.
O fato de um Presidente ser eleito não lhe confere o direito de agir como dono do Clube. O sistema político eleitoral e até estrutural de poder constante de nosso arcaico estatuto social, legitima essas ações quando o Conselho Fiscal e a Mesa do Conselho Deliberativo são praticamente nomeadas pelo Presidente do Clube, transformando os referidos Poderes ao longo de todo mandato em meras instâncias de homologação das vontades do “rei e de seus amigos”, independente dos reais interesses do Fluminense.
Pior do que os Presidentes totalitários que reiteradamente estamos tendo, são os Conselhos que vem permitindo que eles façam o que querem. Depois eles vão embora cuidar das suas vidas e o Clube fica numa situação cada vez mais grave. Há anos ouço e luto contra atos e fatos completamente estapafúrdios e contrários aos interesses do clube, mas que são levados à frente porque o Presidente encaminhou e as pessoas acham que tem o dever de apoiá-lo incondicionalmente mesmo indo contra ao próprio clube que dizem reiteradamente amar.
Só a titulo de exemplo, quando o nome do atual Presidente irresponsavelmente foi indicado para a Vice-presidência de Futebol, eu fui o único Conselheiro à época a demonstrar minha indignação e contrariedade na Tribuna contra aquele fato ilegal, irregular e completamente absurdo de colocar um prestador de serviços (contratado) comandando a principal área do clube (contratante). Pois bem, o nome dele foi aprovado apenas com voto contrário meu, dos membros do Ideal Tricolor e de mais um ou outro Conselheiro. Uma verdadeira aberração. Depois todos conhecem a tragédia que foi e cujos muitos efeitos financeiros catastróficos perduram até hoje…
Isso tudo vem contribuindo decisivamente para o nosso acelerado apequenamento e auto-destruição. Os fatos e a nossa realidade estão aí…
É inadmissível o Mario querer ser o próprio Fluminense. Ninguém, por melhor que eventualmente seja, o que não é o caso, pode ser absolutamente tudo no clube. Não há nada mais amador do que isso. Mas vale também uma outra reflexão. Porque e pra que um dirigente faz isso?
Primeiro porque quem faz isso imagina que é um ser supremo, que sabe de tudo e sempre. A frase falada dos “dois treinos” não é uma mera frase de efeito. Pelo contrário até. Ela demonstra cabalmente a prepotência e arrogância próprias dos fracos, inseguros e deslumbrados. Muito pior do que o jogador cabeça de bagre é o jogador cabeça de bagre que se acha o Pelé…

Mas pra que se isolar, pra que querer decidir tudo absolutamente sozinho?
Para poder fazer tudo o que quer e bem entende e de acordo com suas próprias convicções, independente de qualquer embasamento técnico-profissional. O importante para ele são as suas próprias convicções e interesses. Para que ele receba todas as informações e repasse apenas o que lhe interessa. Para que toda e qualquer decisão dependa da vontade dele e portanto as pessoas tenham a imagem de que é mais importante servir ao rei e seus amigos do que ao Clube…
As melhores práticas indicam exatamente o contrário disso tudo que vem sendo feito. Presidente deve ser um líder na acepção da palavra e não apenas um chefe/imperador do clube em razão do cargo. Um líder escuta, coordena, delega, forma uma grande equipe retirando de cada um o que tem de melhor para sua empresa/instituição. Um líder trabalha com base num projeto, metas, ações institucionais. Um líder sabe que os anseios de uma instituição não necessariamente são os seus. Um líder não se preocupa com o foco do holofote nele. Pelo contrário, sente orgulgo quando o foco está em outras pessoas da sua equipe. Um líder gera confiança e credibilidade, que geram recursos com o tempo. Um líder compartilha e divide responsabilidades, um líder cobra, mas também incentiva por meio de críticas construtivas, um líder divide para multiplicar, etc…
Chega desse personalismo excessivo, dessa concentração de poder, dessa arrogância e dessa prepotência, que, repito, são características próprias dos fracos, inseguros e deslumbrados. O foco deve ser sempre os interesses do Fluminense Football Club. A diferença do Presidente do Fluminense para Deus é que Deus não se acha Presidente.
Precisamos urgentemente de várias lideranças juntas, tendo como diretriz um projeto institucional de mudaça do modelo de gestão, de profissionalização, de renovação, de mudanças, de transformações e melhorias para o nosso Fluminense. Já estou trabalhando por isso. Quem acreditar na idéia e quiser agregar, somar, fica desde já o convite para irmos à campo juntos…
Saudações Tricolores.

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