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QUEREMOS OU NÃO PROFISSIONALISMO NO FLUMINENSE? – Opinião Ademar Arrais

QUEREMOS OU NÃO PROFISSIONALISMO NO FLUMINENSE?


Quando o discurso a ser defendido é o do profissionalismo não existe situação ou oposição nos Clubes de futebol. Mas tratando-se de um assunto defendido por todos, quais as razões para não termos a implantação desse tão decantado profissionalismo no futebol brasileiro?


Ao meu ver a primeira razão é conceitual. Devemos considerar que um Clube privilegia o Profissionalismo quando as suas atividades são planejadas, baseadas, implementadas, exercidas e fiscalizadas fundamentalmente por pessoas físicas e jurídicas técnicas, especializadas e remuneradas, sendo as decisões dessas pessoas legitimadas para tanto. Profissionalismo na verdade é um sistema sob o qual o clube deve se direcionar buscando melhores resultados, assim como em qualquer empresa.


O conceito de Profissionalismo não pode se limitar a mera contratação de profissionais para o exercício de determinadas funções, por melhor que sejam, e muito menos ao auto-profissionalismo, que é o modus operandi na maioria dos Clubes brasileiros, onde após as eleições, os dirigentes eleitos contratam amigos, parentes e outras pessoas como pagamento de promessas de campanha. Tudo evidentemente com dinheiro do Clube e sem qualquer risco futuro de responsabilização.


É preciso que mudemos também a nossa mentalidade enquanto torcedores e enquanto dirigentes. Não podemos defender o profissionalismo apenas quando interessa. Vamos dar alguns exemplos diversificados do que ora afirmo:

  • Como não poderia deixar de ser, lá vou eu novamente falar de Planejamento estratégico. O papo pode ser considerado chato, mas trata-se de um assunto fundamental, com influência direta em toda vida do Fluminense. No futebol então nem se fala. Não existe uma empresa ou instituição de sucesso e de grande porte no mundo que não tenha realizado seu planejamento estratégico.
    Em 2013, quando organizei no salão nobre do Clube um Seminário para tratar do Planejamento Estratégico do Fluminense até 2020, alguns tricolores boicotaram o evento, outros se mostraram contrários, pois na concepção deles em Clubes de Futebol só existe o “hoje” e portanto fazer planejamento para 2020 seria utópico. Infelizmente, à época não me deixaram dar continuidade ao trabalho e eu pedi o meu afastamento do cargo de Vice-presidente quando o Presidente Peter assinou sozinho o contrato do Maracanã por 35 anos. O ano de 2020 chegou e nesses 7 anos que se passaram não evoluímos em absolutamente nada substancialmente.
  • Alguns clubes passaram a produzir e comercializar, ainda que indiretamente por meio de terceirização, seu material esportivo. Com todo respeito, mas independente da minha opinião, da sua, da opinião do Presidente do Clube ou das convicções de quem quer que seja, para sabermos se uma iniciativa dessa poderia ser boa ou ruim para o Fluminense, é preciso que tenhamos um estudo técnico-profissional a ser examinado e decidido pelo Gestores do Clube.
  • Há anos escuto que o Clube não oferece nada ao Associado. Sim, mas o que devemos oferecer ao Associado? O que atrai ao jovem? Qual nosso público alvo? É o Presidente do Clube e ou o Vice-Presidente Social que devem decidir isso com base nas suas meras convicções? Não. É um estudo técnico, com alicerce em pesquisas, público alvo e segmentado, etc…
  • Como cediço, há décadas existem no Fluminense graves problemas financeiros e orçamentários e os gestores precisam urgentemente identificá-los tecnicamente, buscando o diagnóstico preciso para adoção das medidas cirúrgicas para salvamento do paciente. Ninguém melhor do que uma grande e respeitada empresa de Auditoria Externa para auxiliar o gestor nesse sentido, inclusive para retomada da credibilidade externa e interna. Ocorre que ao invés de realizar tal investimento institucional, os últimos Presidentes, após a eleição, mudaram o discurso passando a considerar essa iniciativa despicienda e de um custo inviável para o clube, ou seja, continuamos com as mesmas práticas, esperando resultados diferentes. Não teremos.
    Se você acha que custa caro uma Auditoria Externa de uma grande empresa é porque você não sabe quanto tem nos custado a ausência dela.
  • A contratação de um jogador deve ser feita pela visão que o Presidente do Clube tem do futebol do Atleta ou da amizade que possui com o empresário do jogador? Não. Qualquer contratação de jogador deve encontrar amparo técnico de profissionais do futebol, mas também devem ser analisados aspectos financeiros, jurídicos e médicos. Nenhuma área pode tomar decisões de contratações sem a oitiva das demais, exatamente porque deve existir um sistema profissional. Não são raras as vezes que observamos decisões extremamente amadoras tomadas por profissionais muito bem remunerados.
  • Recentemente um grande amigo tricolor, para defender num grupo de Whatsapp a permanência do atual técnico do Fluminense no cargo, alegou que o Presidente deveria consultar os jogadores, pois a opinião deles é que deve ser respeitada senão eles fazem motim. Eu, que estava fora da discussão do grupo, na mesma hora entrei rebatendo. Como podemos defender profissionalismo apoiando isso? De forma alguma. Dirigente tem que dirigir. Técnico tem que treinar. Jogador tem que jogar. Cada um no seu quadrado e todos tendo limites, direitos e obrigações, como em qualquer instituição ou empresa séria. O dirigente até pode dialogar, mas ele não deve ser obrigado a tal conduta pelo medo dos jogadores fazerem motim. A instituição deve estar sempre em primeiro lugar.
    É preciso acabar de vez com essa visão de que no futebol tudo é diferente do mundo corporativo. Existem especificidades próprias, é verdade, mas essas diferenças não devem servir de justificativa para institucionalização de um ambiente amador, ultrapassado e completamente anti-profissional.
    Ressalte-se que tratamos apenas de alguns de muitos exemplos.
    Por fim, quando se defende profissionalismo, deve-se defender que o conjunto dos atos de gestão tenham como fundamento de validade das decisões, a técnica e a especialização de profissionais multidisciplinares de mercado, qualificados, respeitados, bem remunerados de acordo também com as possibilidades do Clube, e não mais decisões com fulcro na política, no achismo ou nas convicções pessoais dos dirigentes, associados ou torcedores.
    Saudações Tricolores,
    O texto é de total responsabilidade do autor.

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