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PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE O CONSELHO DELIBERATIVO. Opinião Ademar Arrais

PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE
O CONSELHO DELIBERATIVO

Hoje e nas próximas duas semanas escreverei um pouco sobre os Poderes Constituídos do Fluminense, ou seja, Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Conselho Diretor, na forma do estatuto atual, apresentando propostas de mudanças para uma maior eficiência desses três Poderes. Ao término dessas abordagens, na semana seguinte, farei também comentários e proposições para uma estatuinte ampla, geral e irrestrita, que há tempos é necessária para que o Clube tenha modernos instrumentos institucionais de melhoria, acompanhamento, compartilhamento e fiscalização de suas gestões. Evidentemente que todos os referidos temas devem ser analisados de forma conjunta.


Inicialmente é preciso ter a noção de que muito piores que vários Presidentes do Clube que tivemos foram os respectivos Conselhos Deliberativos, que, à época, permitiram, viabilizaram e legitimaram infinitas decisões administrativas, esportivas e financeiras completamente irresponsáveis e teratológicas. Conselho Deliberativo não pode ser um mero órgão homologador do Presidente e do Conselho Diretor.


Ao meu ver, dentre outras, temos três razões principais para a completa inoperância e descrédito do Conselho Deliberativo. A primeira é o atrelamento eleitoral do Conselho ao Presidente do Clube, pois acaba vinculando os conselheiros ao Presidente quase que de uma forma subserviente. Sejamos francos, o Presidente e a Mesa do Conselho Deliberativo são praticamente nomeados pelos Presidentes eleitos do Clube. É evidente que precisamos mudar esse sistema. A segunda é a composição do Conselho Deliberativo, que coloca os destinos do Clube nas mãos de inúmeros torcedores e associados amadores, muitas vezes sem qualquer tipo de preparo, qualificação ou experiência para o exercício daquela função. Infelizmente não basta amar o Clube. Hoje é preciso muito mais. Ao contrário do que muita gente pensa, Conselheiro é também um dirigente do Clube e se não possuem o menor preparo é evidente que isso tem reflexos por ação ou por omissão. A terceira é a estrutura arcaica e ultrapassada, inclusive quantitativa do Conselho Deliberativo. Só com uma estatuinte ampla, geral e irrestrita poderemos modificar efetivamente esse status quo.


Mas o que fazer para mudar esse cenário? Vamos lá:
1) Estatuinte ampla, geral e irrestrita. Como já mencionado acima, abordarei esse tema especificamente em três semanas. As propostas seguintes levam em consideração a nossa realidade com o estatuto atual.


2) Sempre quando possível, viabilizar a transmissão das reuniões em tempo real para os associados, inclusive e principalmente o sócio futebol.


3) Modernizar o sistema de gravações das reuniões. O Conselho Deliberativo e as ações e defesas dos Conselheiros também precisam ser transparentes e responsáveis.


4) Ter um espaço eletrônico especifico do Conselho Deliberativo.


5) Delimitar claramente um espaço físico para os Associados que desejarem assistir as reuniões.


6) Maior disciplina quanto aos horários marcados para inicio das reuniões, bem como no respeito ao tempo previsto para cada conselheiro falar.


7) Fazer com que o Conselho Deliberativo tenha uma previsão orçamentária mínima própria.


8) Dialogar com o Conselho Diretor para que tenhamos um espaço físico para trabalho das comissões, bem como para guarda segura de material e documentação do Conselho Deliberativo.


9) Utilizar as comissões permanentes e criar outras temporárias, na forma do estatuto atual, sempre que houver necessidade para os trabalhos internos do próprio Conselho ou para atuar de forma pró-ativa na gestão do Clube junto com o Conselho Diretor.


10) Melhorar o sistema de informação e comunicação com os Conselheiros.


11) Realizar um maior número de reuniões extraordinárias que se fizerem necessárias, mas evitar, sempre que possível, reuniões completamente improdutivas e esvaziadas madrugada a dentro.


12) Não ter qualquer condescendência com agressões e abusos de direito, independente da corrente política das pessoas envolvidas e do mérito das questões, estabelecendo sempre que preciso abertura de processo disciplinar ou outras medidas que se fizerem necessárias, respeitando-se sempre a ampla defesa e o contraditório. O Clube e todos os seus ambientes precisam ser um espaço sadio e no mínimo respeitoso. É inadmissível o que vem acontecendo há anos e quantas pessoas sérias e qualificadas já se afastaram do Clube exatamente por não quererem se submeter e permanecer num ambiente hostil.


13) Diversificar os dias de reuniões para que os Conselheiros que estejam impossibilitados de comparecer num dia da semana possam comparecer nos demais.


14) Enviar com a maior antecedência possível para casa dos Conselheiros ou para entrega na secretaria do Clube, toda documentação necessária para análise financeira ou de outras matérias de maior complexidade.


15) Sempre que possível ou necessário, convidar os Vice-presidentes, Diretores ou profissionais do Clube para falar sobre um fato ou ato determinado ou sobre os trabalhos/resultados. O problema do Clube nunca foi o diálogo e a transparência, mas sim a ausência de ambos. Muitas vezes desconhecemos o que está sendo feito, o que temos de melhor e ainda deixamos de corrigir rumos por falta de um diálogo franco, direto e amplo. Ao invés de alimentarmos um processo auto-destrutivo, precisamos nos unir e ajudar à melhoria e fortalecimento do Clube em seus mais diversos segmentos.


16) Ter uma atuação menos personalista da Presidência do Conselho e mais conjunta da Mesa do Conselho.


17) Divulgar um calendário-base anual de reuniões.
Semana que vem falarei sobre o Conselho Fiscal.


Saudações Tricolores,
Ademar Arrais

Texto de total responsabilidade do autor.

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