PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE: O CONSELHO DIRETOR – Opinião Ademar Arrais

PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE:
O CONSELHO DIRETOR


Assim como no caso dos demais poderes, o Conselho Diretor precisa mudar e muito não só estruturalmente, por meio de modificações a serem efetivadas numa estatuinte ampla, geral e irrestrita, mas também quanto ao seu próprio funcionamento diário. A minha larga experiência no Clube em geral e no pouco tempo que participei de algumas reuniões no Conselho Diretor me permitir afirmar que é literalmente assustador a forma de atuação do Conselho Diretor no Fluminense.


Inicialmente é preciso ter noção de que o Conselho Diretor é um dos Poderes do Clube e não um segmento para atendimento das vontades e caprichos do Presidente. O Presidente deve ser apenas o líder de um projeto de transformação e melhoria permanente do Clube. Os Vice-presidentes devem ter um planejamento da sua área a ser executado incorporado no projeto geral e não apenas executarem o que tiverem vontade. É preciso que tenham metas, que as áreas interajam entre si, se integrem, sob a coordenação do Vice-presidente Geral, liberando assim o mandatário maior para as questões macro e de maior importância do clube.


Presidente não é dono. Presidente não é imperador. Presidente é gestor apenas e mesmo assim temporário. Assim, Presidente deve cobrar, mas também deve ser cobrado, inclusive pelos seus próprios pares.


O cargo de Vice-presidente geral não pode continuar servindo apenas para composições eleitorais e muito menos para acomodação de pessoas sem uma afinidade grande e que irão se degladiar logo depois da eleição. Isso é mais um desvirtuamento estatutário. O vice-presidente geral pode muito bem coordenar o trabalho de todas as Vice-presidências e fazer com que o Presidente tenha maiores condições e tempo para cuidar, por exemplo, do Futebol e das Finanças do Fluminense.
Observe-se que no Fluminense os nomes dos Vice-presidentes precisam passar pelo crivo do Conselho Deliberativo, mas na imensa maioria dos casos é feita uma votação levando em conta somente aspectos pessoais ou de grupos políticos. As pessoas sequer apresentam um plano de trabalho do que pretendem fazer à frente da pasta e muito menos o Conselho Deliberativo cobra. Não existe planejamento estratégico geral nem por áreas e portanto não existe um projeto institucional. Tudo é feito de acordo com a vontade pessoal de cada um que lá está e durante o período que lá está, sem qualquer trabalho de continuidade. Por outro lado, imaginem um grande nome de nossa sociedade civil, do mercado financeiro por exemplo, sendo convidado para fazer de uma Diretoria amadora e aceitando o desafio, sem ganhar nada, mas correndo o risco de ter seu nome vetado por um Conselho com a formação do nosso. Tudo sem o menor sentido e o mínimo de bom senso até.


Outro aspecto também é que independente de política interna, o Conselho Diretor deve ser único. Não faz sentido algum o que tem acontecido em diversas gestões. Várias pessoas participando de uma mesma Diretoria e falando mal da mesma, do Presidente, seja publicamente seja nos bastidores e corredores do Clube. Isso atinge diretamente ao Fluminense, pois enfraquece a gestão e contribui para o fomento de um péssimo ambiente. Quem participa de um Conselho Diretor não precisa e até não deve concordar com tudo, mas deve expor suas divergências internamente, jamais pode ficar sabotando ou difundindo fogo amigo. Se a pessoa faz isso de maneira comprovada e injustificável deve ser afastada em nome da unidade de gestão.
Nenhuma área do Clube deve ser analisada isoladamente. Participei de reuniões do Conselho Diretor na época do Peter onde a gestão tentava fazer um controle mínimo do orçamento, mas o Vice-presidente de futebol não participava das reuniões, o Presidente, quando ía, chegava mais tarde e saía antes da reunião acabar, não havia interação alguma entre as áreas, cada vice-presidente falava e fazia o que queria e bem entendia, etc…


É EVIDENTE QUE NÃO PODEMOS MAIS CONTINUAR COM ESSA ESTRUTURA ARCAICA, ULTRAPASSADA E AMADORA. COMO FALA MUITO BEM PEDRO TRENGROUSE: “NÃO SE PODE TRATAR UM ESPORTE, UM NEGÓCIO, QUE NO MUNDO TODO GERA MILHÕES, COM ESTRUTURA AMADORA E RECEBENDO TOSTÕES”.
Hoje a estrutura do Clube é para não funcionar mesmo. Alguns clubes possuem um comitê de gestão, um conselho de administração enxuto e mais eficaz, etc… De qualquer forma, o certo é que o Fluminense não pode continuar sendo administrado pelo horário que sobra de algumas pessoas, como um bico, apenas com voluntarismo. O profissionalismo tem um custo evidentemente, mas o custo do amadorismo, muitas vezes falso do ponto de vista do dirigente, tem sido infinitamente maior do ponto de vista institucional. Falar em profissionalismo no Fluminense atualmente é uma verdadeira piada, um deboche. Para um melhor funcionamento do Clube há que se ter também mecanismos de gestão com complaince, conformidade, melhores práticas de governança, com mais agilidade e que confiram segurança jurídica e financeira para investidores e parceiros do Clube.


Com os textos das duas últimas semanas e o de hoje, encerro uma breve análise sobre os Poderes Constituídos do Clube: Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Conselho Diretor. Semana que vem escreverei sobre algumas propostas para serem levadas para uma estatuinte ampla, geral e irrestrita.
Saudações Tricolores,

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