Opinião: o esquecimento do meia Miguel prejudica mais o Fluminense do que o próprio jogador

Foto: Twitter Miguel

Começo meu texto deixando claro que isso é uma opinião minha. Falo isso porque sei que, provavelmente, muitos vão pensar “é tudo culpa do pai/empresário dele.”

O meia Miguel Silveira, 17 anos, é uma das maiores revelações de Xerém nos últimos anos. O jogador não pulou etapas à toa. O armador soma poucas partidas no profissional, mas seu talento é indiscutível. Aí vem o questionamento: por que o Fluminense é o maior prejudicado pelo esquecimento de Miguel? Pois bem, a minha análise tem base técnica e financeira.

Com passagens pelas seleções de base, Miguel chama atenção pela sua facilidade de enxergar o jogo e a qualidade no passe. O meia foi o líder de assistências do Fluminense no Campeonato Carioca. Em 2019, Miguel foi lançado por Fernando Diniz num jogo decisivo da Copa do Brasil, no Mineirão. Na ocasião, o jogador demonstrou personalidade e participou do golaço de empate marcado por João Pedro.

O jogador, que chegou ao Fluminense com apenas 10 anos, acertou seu primeiro contrato profissional no ano passado com multa de 35 milhões de euros (R$ 223,1 milhões). Não utilizar um ativo desse tamanho é um tiro no pé. Ver Caio Paulista tendo inúmeras chances é triste demais. Miguel se destaca por conseguir jogar centralizado ou aberto na esquerda. Será que em nenhum momento o jogador foi melhor nos treinamentos que Marcos Paulo, Wellignton Silva, Caio Paulista e até Paulo Henrique Ganso? Eu, Rodrigo, não acredito. Tá muito na cara que tem algum problema interno que faz com que o atleta não seja utilizado. O presidente, obviamente, deve saber o motivo. Seja qual for, quem perde é o Fluminense.

A atuação do tricolor na última rodada foi deprimente, Ganso entrou no intervalo na vaga de um Michel Araújo pouco eficiente. O desempenho do camisa 10 foi ainda pior. E Miguel? Mais um jogo assistindo de camarote.

É de conhecimento de todos que o pai/empresário exigiu que o jogador ficasse no profissional para renovar. Pra mim, um erro gravíssimo. Mas, cá entre nós, Miguel tem bola pra jogar muito nesse time. Uma birra com o empresário do atleta não pode atrasar a utilização de um ativo do clube. Afundado em dívidas, o tricolor precisa valorizar cada dia mais Xerém, contratar por contratar não resolve problema de ninguém. Sejam sinceros, alguém aqui tá satisfeito com as contratações? Estamos vendo Caio Paulista e Felippe Cardoso pintando como preferidos de Odair Hellmann. Isso é um crime inafiançável. Esse texto não perderá tempo criticando jogadores terríveis como Igor Julião e nem o previsível Hudson. Nem vou falar que Martinelli, André, Calegari e até Metinho podem oferecer mais ao time do Fluminense do que os medalhões utilizados.

Miguel é um jogador pra ser vendido bem, com capacidade pra ser a maior venda da história do clube. Para isso, sua utilização é essencial. Em 2023, o contrato acaba. Do jeito que tá, o pai leva ele para outro time e a carreira segue. Esse não é o cenário que desejo para o clube que amo. Tecnicamente, o atleta merece ser utilizado; financeiramente, o jogador precisa jogar pra valorizar.

Deixar de lado uma jóia de R$ 223,1 milhões pra utilizar refugo de empresários é pegar uma arma e atirar em cada torcedor do Fluminense.

Acorda, Odair. Apareça, Mário Bittencourt.

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