A REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO DO FLUMINENSE E O ORÇAMENTO PARA 2021 – Texto Frente Ampla Tricolor

A REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO DO FLUMINENSE E O ORÇAMENTO PARA 2021 (por Frente Ampla Tricolor)

Hoje, 29 de dezembro, às 20h30, o Conselho Deliberativo do Fluminense estará analisando e votando a proposta do Orçamento para 2021 feita pelo Conselho Diretor, presidido pelo Sr. Mário Bittencourt.

A Frente Ampla Tricolor, dentro dos seus princípios, das suas bandeiras e dogmas, realizou um estudo aprofundado sobre o material apresentado pela diretoria do clube.

De forma clara, as dúvidas são muitas. Nota-se claramente uma visão super otimista por parte da diretoria no que tange às futuras receitas, além de um incontrolável e indecifrável aumento das despesas.

Diante desse quadro, cabe a nós da Frente Ampla Tricolor, depois de extensa reflexão, perguntar e sugerir.

  1. PERGUNTAS

1.1 RESULTADO FINANCEIRO – apresentação do perfil da dívida do Fluminense:

Como se compõe?

A projeção de R$21 Milhões negativos contempla quais linhas?

Ademais, sabendo que nos anos anteriores o Fluminense apresentou um resultado financeiro de prejuízo entre R$40 e R$50 Milhões, o que leva o Conselho Diretor do Fluminense, presidido pelo Sr. Mário Bittencourt, a acreditar que vamos em 2021 reduzir drasticamente este prejuízo?;

1.2 PATROCÍNIOS INCENTIVADOS –

(i) Dado que o histórico do Fluminense apresenta receitas zeradas nessa linha;

(ii) Que o clube não tem C.N.D. (Certidão Negativa de Débitos);

(iii) Que a projeção não é modesta (os R$10 Milhões fariam o Fluminense ser a 2ª maior organização esportiva em valores recebidos do Brasil);

(iv) Que os projetos precisam ser aprovados pela Secretaria Nacional de Esportes (em um prazo que, geralmente, varia de 4 a 6 meses);

(v) Que algum patrocinador precisa, depois disso tudo, investir em um esporte específico tal valor, algo que não tem histórico de ocorrência no clube.

Pergunta-se: qual foi a base para tal orçamento?;

1.3 RECEITA COM BILHETERIA: projetam-se receitas de menos de R$ 5 Milhões para 2020 (ano vigente). Em 2019, ano sem pandemia, a arrecadação foi de R$16,3 Milhões.

Dado que:

(i) 2021 começará sem público nos estádios;

(ii) Que o próprio Fluminense está projetando participações modestas nos campeonatos esportivos, chegando à final apenas no Campeonato Carioca;

(iii) Que este será disputado em pontos corridos em 2021, com 11 rodadas, onde se classificarão os 4 primeiros, com mais 2 partidas de semifinais e 2 das finais.

Pergunta-se: por que o orçamento prevê receitas de R$ 19 Milhões, quase R$ 3 Milhões acima de 2019?

Cabe ressaltar que esta rubrica ainda exclui a receita do Sócio Futebol, tratada à parte. Ou seja: se apenas sócios fossem aos jogos em 2021, a receita de bilheteria será contabilmente zero, correto?;

1.4 RECEITA COM PATROCÍNIOS / ROYALTIES: é possivelmente a rubrica que demanda mais explicações de toda a DRE do orçamento. Nos últimos anos, o maior valor realizado foi em 2017, de R$ 15 Milhões. O ano atual, de pandemia, projeta receitas de R$ 6 Milhões. Agora, em 2021, ano que iniciará ainda em pandemia (sem data para terminar), no qual o próprio clube projeta participações modestas nas competições (o que acarreta menos visibilidade, portanto menos atratividade a patrocinadores), espera-se uma receita mais que o dobro maior que a maior receita de patrocínio dos últimos anos: R$ 37 Milhões.

A Frente Ampla Tricolor acredita que, em um cenário bastante otimista, o Fluminense conseguiria R$ 20 Milhões, o que já seria um recorde para os últimos anos. Qual é a base para este valor projetado de R$ 37 Milhões?;

1.5 RECEITAS PATRIMONIAIS / SOCIAIS: em 2019, sem pandemia, o clube realizou R$ 14,5 Milhões nesta rubrica. Em 2020, devido à pandemia, deverá fechar o ano com algo em torno de R$ 8 Milhões. Qual é a base para a projeção, para 2021, de R$ 15 Milhões de receitas? Quais seriam as ações e fontes de receita sociais, ou ao menos as premissas utilizadas para a definição de um valor quase que o dobro de 2020?;

1.6 ESPORTES OLÍMPICOS: o orçamento apresenta, de saída, um prejuízo de R$ 2 Milhões com os Esportes Olímpicos. Para chegar neste número, em nossa opinião, inflaram-se as receitas embutindo nelas os valores recebidos das escolinhas esportivas – que deveriam ser alocadas ao Social. Ademais, os custos dos Esportes Olímpicos não possuem uma abertura mínima que permita a melhor compreensão dos valores orçados. Em nossa visão, um valor mais realista seria de prejuízo de R$9M.

Perguntamos:

(A) Qual é a abertura dos R$16,1M de despesas projetadas para os Esportes Olímpicos?;

(B) Até qual nível de prejuízo a Diretoria se propõe a sustentar os Esportes Olímpicos, sabendo que o clube precisa muito dessa verba para o Futebol?;

  1. PROPOSTAS

2.1 Reduzir drasticamente as despesas não prioritárias – aumento de R$105M (70%) com relação ao orçamento 2020;

2.2 Utilizar toda a receita oriunda da venda de jogadores para o abatimento de dívida, auxiliando a reduzir o histórico de prejuízo anual de R$40-50M em despesas de juros (financeira).
Se 2.1 (REDUÇÃO DRÁSTICA DE DESPESAS NÃO PRIORITÁRIAS) não for feito, não será possível fazer 2.2, porque os valores recebidos teriam que ser utilizado para o pagamento de salários e outras despesas correntes. Por isto a combinação de 2.1 e 2.2 é preciosa;

2.3 Buscar outras formas de receitas, tais como:

  • Aumentar a gama de produtos licenciados;
  • Avaliar a comercialização de token em blockchain, como já está sendo realizado na Europa;
  • Aumentar a interação com o torcedor, reduzindo os danos de imagem ocorridos ao longo dos anos com políticas conturbadas, tanto de propostas, assim como de gerência e administração do programa Sócio Torcedor; etc;

2.4 Revisão de todos os currículos alocados nos departamentos de Marketing e Comercial (na captação de recursos, novos investimentos e gestão da marca). Há anos, desde gestões passadas, encontramos o mesmo perfil de funcionários, com as mesmas dificuldades de atuação diante do mercado. O Fluminense paga altos salários que não se transformam em desempenhos à altura das necessidades do clube e do que propõe, principalmente, o universo do futebol.

COMENTÁRIOS GERAIS:

  • Não foi apresentada a comparação com o orçamento de 2020, muito menos com uma projeção do realizado de 2020. Ainda mais considerando que 2020 foi um ano atípico, seria natural que fossem feitas comparações com exercícios anteriores;
  • Não foi apresentado o fluxo de caixa previsto para o ano, em que apareçam a distribuição da arrecadação e das despesas durante o exercício, que permite entender se e quando haverá necessidade de captação de recursos onerosos para permitir manter o fluxo de pagamentos;
  • RECEITAS: Também não foi apresentada a quantificação em valores das permutas de forma a entender o quanto significam e atender à legislação. Alertamos sobre eventuais tributos que o Fluminense deveria orçar sobre as permutas a receber;
  • DESPESAS: Não foi apresentada nenhuma informação sobre a participação do Fluminense na empresa que administra o Maracanã. Estamos totalmente no escuro sobre quanto o Maracanã, o palco mais importante do elemento mais importante do orçamento (o Futebol) custa.

A Frente Ampla Tricolor caminhará sempre na direção do que seja ideal para o Fluminense e conclama aos sócios e torcedores do clube uma maior participação nas questões que envolvam as finanças e a administração do clube. É de vital importância a participação ativa na vida do tricolor, muito além das 4 linhas

Este texto não trata de caça às bruxas, nem de fulanizar, nem buscar culpados, mas sim de querer caminhar em direção à construção definitiva da PERENIDADE.

O Fluminense não pode perder mais tempo, nem ficar à mercê de práticas irresponsáveis e inconsequentes.

Que os Conselheiros do clube saibam definitivamente qual é o seu papel dentro do Conselho Deliberativo. São de fato, ou deveriam ser, os olhos dos sócios e torcedores do Fluminense dentro da administração do clube.

Feliz 2021!

FRENTE AMPLA TRICOLOR

O texto é de total responsabilidade da Frente Ampla Tricolor.

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