Por um prato de comida – Opinião Antonio Gonzalez

Por um prato de comida

De saída quero agradecer o convite para escrever neste site, é uma honra… primeiro no Explosão Tricolor, depois no Panorama Tricolor e agora no Flunews. Muito orgulho é o que sinto por essa trajetória, espero estar à altura. Somos Tricolores, isso é o que importa.

Mal chegamos na terça-feira (6) e parece que já vivemos os 30 dias deste abril que mal acaba de começar.  Ontem as redes sociais pareciam o vulcão Etna, em plena erupção siciliana… Teve todo o tipo de “Spaghetti western”.   A pergunta é a seguinte: Quem quer ser o mocinho se na tela da vida real não se fala deles?

O sentimento é uma mescla de tristeza e desesperança. O trem na estação, o casamento é daqui a pouco e aquela sensação de não ter conseguido, pelo menos, engraxar os sapatos, menos ainda levar o blazer surrado na tinturaria.  Nem ao menos uma lavagem a seco.

Do nada pinta uma Libertadores (GRAÇAS A DEUS), baita oportunidade para uma mudança de estigmas e de conceitos.  Mas tem que ir além do discurso. Não dá para se portar como low profile, quando o momento exige nervos de aço e atitude vencedora.  Menos ainda ter discurso tipo rúcula com tomate frito (o de conjugar os verbos do que dizem ser politicamente correto),  quando na vida real as fotos revelam outra direção.  A ação pede outro tipo de velocidade, muito além de Flusquinhas.

Quem já foi a Ferrari do futebol brasileiro não pode se acostumar com viajar em vagão com banco de madeira, nos fundos.  Amigos: é a Libertadores!  Um título que não temos e nos faz muitíssima falta.  Uma questão de história, a que hoje poucos conhecem e outros poucos querem mudar através da construção de falsas narrativas. Até em cuspe a distância: o Fluminense nasceu com a histórica  missão,  a de disputar títulos.  A mera participação não deve encontrar eco em nossas vidas.

Samuel Xavier, o Wellington, o Rafael Ribeiro, são algumas das referências que acabam de chegar… o David Braz, de 33 anos,  pelo visto está a caminho…
Teve gente pensando que o Matheus Babi seria a solução, quando em casa você tem John Kennedy, Kayky, Samuel… sem fazer força.

Se pelo menos 1 deles (o que não é o caso) não performar (verbo Flusociano) o que pode produzir o Babi, então temos que rever os conceitos de Xerém.  E é obvio que a nossa base produz atacantes, no mínimo, tão bons quanto o Babi.

Mas pode piorar: chutaram a bola do Fluminense pela linha de fundo e o árbitro marcou tiro de meta favor do Athlético Paranaense.  Se há 44 anos, em 1977, quando comecei a participar de movimentos de arquibancadas, alguém cometesse um deslize e ousasse dizer que um dia o nosso clube perderia um jogador para qualquer clube do Paraná, seria chamado de maluco (que não significa o mesmo que louco).

Entretanto os mares não param de vomitar inflamações ocultas, do nada os 50% do Praxedes encolheram na força de uma água sanitária batida na roça, nas pedras de algum riacho.  Hoje são somente 10%.  Mas a indignação não se move além das mídias digitais. Muita conversa sem ação convicta e com poder de convocação.

Será que ninguém está vendo o que realmente está acontecendo?

Será que a explanação de ocasião, na vaidade em primeira pessoa, vai continuar te contando mentiras e você vai acreditar?

Mas o pior estava reservado para o começo da noite quando do nada acabamos sabendo sobre a multi-função. A preguiça é normal dentro do mundo do futebol em clubes com o modelo do Fluminense.  Mais fácil uma procuração para que um Agente Fifa te represente. Isso é uma coisa…

O que é de difícil digestão é que o  Uram represente o nosso clube numa possível negociação com o Goiás,  pelo atleta David Duarte. O que a princípio para os enxuga gelo da gestão é normal, dista das melhores práticas que seriam as eticamente corretas.  Nosso querido Eduardo  Uram também é o empresário do jogador.  Sabe o tal de Complience em todas as suas facetas? Só existe de forma uníssona, sem conceções.

O certo é que já vamos ter o sorteio das chaves da mais importante competição sulamericana.

E a gestão apresentou, até o momento,  muito pouco.

Com o elenco no CT distante das Laranjeiras e sem público presente nos estádios ficou super tranquilo…
quando o correto seriam os gritos de QUEREMOS TIME e QUEREMOS CRAQUES.

Nos foi dito que a premiação da CBF em conjunto com a da primeira fase da Libertadores nos apresentava a um dinheiro novo cuja cifra era superior a 40 milhões de reais, dinheiro suficiente (mesmo destinando a metade para pagar dívidas) para investir em um William Bigode da vida e para trazer um camisa 10 de verdade, meia de criação que nos falta desde a aposentadoria do Deco e da saída do Thiago Neves.

Infelizmente essa percepção não é a mesma daqueles que dirigem, os mesmos que já deram mais de 2 treinos e assinaram cheques.

Espero que nas minhas próximas  palavras eu consiga trazer notícias de um elenco consistente, equilibrado e competitivo.

Por outro lado, desde que livre de fanfarrões, a oposição tem e deve organizar-se. Tem gente se preparando e, graças a Deus, sem populismo barato, nem formatação de palavras sem conteúdo para ir além da segunda linha.

As promessas feitas em campanha podem ser vistas de formas distintas: aquelas que dependem de outras partes,  tipo patrocínio master e os investidores (além da imprescindível  credibilidade)

Mas prezado Presidente Mário Bittencourt: colocar o voto ONLINE em prática depende somente do Fluminense.  E nesse caso eu continuo acreditando nas suas palavras… que em 2022 TODO O SÓCIO terá o direito ao voto ONLINE.

E você torcedor não permita que pseudo tricolores tentem fazer a sua cabeça dizendo que está tudo a mil maravilhas. É contaminação fabricada por aqueles que em realidade lutam por um prato de comida vendendo a alma por um contracheque ou minutos de fama fugaz.

De resto,  hoje à noite tem Carioca, que venha o Macaé!

Antonio Gonzalez

PS – a minha solidariedade aos funcionários do Fluminense que estão com os salários atrasados. Já são 2 meses sem receber.

O texto é de total responsabilidade do autor.

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