A quem interessa não ter voto online? Opinião Antonio Gonzalez

A quem interessa não ter voto online? 

A matéria publicada ontem no NetFlu, com a assinatura do sempre brilhante Paulo Brito, “Mário não garante voto online na eleição do Fluminense em 2022” (https://www.netflu.com.br/mario-nao-garante-voto-online-na-eleicao-do-fluminense-em-2022/) traz consigo algumas considerações feitas pelo Presidente Mario Bittencourt na última reunião (12/04/2021) do claudicante e omisso Conselho Deliberativo.  Entre elas a de que o próprio “presidente do Fluminense não garantiu que o modelo (voto online) estará disponível para as eleições do ano que vem”.

Então antes de qualquer especulação, que tal falarmos do Estatuto do FFC?

O artigo 9 é direto: “A Assembleia Geral é constituída de Sócios maiores de 16 (anos), pertencentes ao Quadro Social há mais de 1 (um) ano e há mais de 2 (dois) anos para a categoria Sócio Futebol, ambos, ininterruptamente, e em situação regular com o clube”.

O artigo 11 é claro: “A Assembleia Geral reunir-se-á: I – Ordinariamente de 3 (três) em 3 (três) anos, na segunda quinzena de novembro, para eleger o Presidente do FLUMINENSE, o Vice-Presidente Geral e os membros titulares e suplentes do Conselho Deliberativo”.

ONDE SE REALIZARÁ?

O Estatuto não diz!

Aguenta o clube a circulação de 20 mil sócios dentro  de Álvaro Chaves 41 no mesmo dia num espaço de 9 horas (09h00 às 18h00)? É óbvio que não. Se com 4 mil presentes as filas são quilométricas.

QUE TIPO DE REUNIÃO?

Ora Senhores, em tempos de pandemia, em tempos de aplicativos que te levam a comida quentinha à sua casa, em tempos de Zoom, não existe problema para que essa Assembleia Geral também possa ser virtual.

O parágrafo 2 do artigo 12 diz: “A Assembleia Geral realizar-se-á com qualquer número de Sócios presentes”…

Pera aê (como dizem os mais jovens): presentes aonde? E se o formato da Assembleia Geral utilizar a participação digital, podemos dizer que os Sócios estão presentes? Claro que sim! Cabe recordar que as reuniões do Conselho Deliberativo levam quase um ano sendo feitas em plataforma digital, para nada presencial.

Como é que se marcam os ingressos dos jogos?  O Sócio entra no site do clube, vai no setor de compra de ingressos, digita o número da sua carteirinha e a sua senha, marca e compra o ingresso.  Isso só acontece se o associado estiver em dia com as suas obrigações.  Em se tratando de eleição bastava colocar mais um filtro (que quando se digitasse o número da carteirinha): o do tempo de antiguidade, 1 ano para Contribuinte e Proprietário, 2 anos para a categoria Futebol.

Então até agora ZERO de mistério.

Vamos então para o CAPÍTULO IX, DO PRESIDENTE DO FLUMINENSE, Seção l, da eleição, Artigo 48: “O Presidente e o Vice-Presidente Geral, serão SÓCIOS DO FLUMINENSE, maiores de 21 (vinte e um anos), em pleno gozo dos seus direitos sociais há mais de 5 (cinco) anos, eleitos pela Assembleia Geral, em escrutínio secreto, para uma legislatura de 3 (três) anos. Apenas uma reeleição será permitida.

Parágrafo 1º – A eleição do Presidente e do Vice-Presidente Geral processar-se-á na forma estabelecida nos artigos 22, e 23 caput”.

Até agora NADA que diga que só pode ser nas Laranjeiras.

Mas o que dizem os artigos 22 e 23?

O artigo 22 é incontestável: “A Assembleia Geral Ordinária elegerá, em escrutínio secreto e concomitantemente, o Presidente do FLUMINENSE, o Vice-Presidente Geral, os 150 (cento e cinquenta) Membros Efetivos e os 50 (cinquenta) Suplentes do Conselho Deliberativo, para uma legislatura de 3 (três) anos”.

Continuo perguntando: onde está explicitado que o sistema de votação é presencial? Ou que a reunião tenha por obrigação ser totalmente realizada no intramuros da rua Álvaro Chaves, 41?

Já o artigo 23 fala que as eleições dar-se-ão por meios de chapas. E os parágrafos a seguir falam da formatação das chapas, com as suas particularidades.

Repito: Até aqui, onde é que reside algum impeditivo explícito para a realização de uma votação online?

Se formos à Seção XV, do Sócio Futebol, no artigo 101, em seu parágrafo 1º encontramos essas palavras: “O Sócio-Futebol terá direito a voto após dois anos de contribuição efetiva e ininterrupta, nesta categoria, conforme art. 9º.”.

Terá direito a voto? Sim!

Onde votará? Não se fala de local e sim da existência da Assembleia Geral previamente convocada, mas também sem nenhuma previsão ESTATUTARIA de local para realização. E a forma de votação?

Seguindo em frente nos encontramos com o artigo 164 – “o eleitor deve expressar seu voto assinalando os nomes dos candidatos de sua preferência na cédula ou em SISTEMA INFORMATIZADO QUE VENHA SER IMPLEMENTADO no clube, na forma disciplinada no Regulamento Geral e nos Regimentos competentes, aprovados pelo Conselho Deliberativo”.

Não sou eu e sim o Estatuto quem diz: “SISTEMA INFORMATIZADO QUE VENHA SER IMPLEMENTADO”… mais transparente que copo de cristal na prateleira.

Portando NADA impede a implementação do voto online para a eleição de 2022.  Sem esquecer que foi promessa de campanha.

Mas respondendo ao título deste texto:

A quem interessa não ter voto online? 

Vamos lá:

 Aos Esportes Olímpicos, com o voto online o Futebol elegerá facilmente o próximo presidente e eles deixarão de viver às custas do dinheiro do Futebol;

 Aos Senhores Feudais, personagens decadentes, que não vem o Fluminense com os mesmos olhos de quem frequenta as arquibancadas em todo o Brasil. São os mesmos que defendem o poder com unhas e dentes, para manter os empregos de familiares (muito bem remunerados, acima do mercado);

 A aqueles que há 11 anos vivem do Fluminense e fizeram do clube seu meio de vida. Estão em vários departamentos da administração, com aquela conversa de sinhá mariquinha cadê o vigário, utilizando linguagem de banco de universidade, mas sem nenhum poder prático na captação de novos recursos para o clube. Nunca souberam o que é queimar a bunda nos cimentos das Moças Bonitas de por aí.

Então Presidente Mario Bittencourt, não há muito o que pensar e sim á alinhar.  Coloco-me à disposição para a interpretação do Estatuto devido a carência de conhecimentos da mesa que dirige os trabalhos do Conselho Deliberativo.

Como bom cidadão que é, ciente dos seus deveres e homem de palavra, sei que o Presidente Mario Bittencourt cumprirá a sua promessa de campanha, gesto esse, o da implementação do voto online, que abrilhantará o seu currículo pessoal junto aos nossos Sócios.

Outrossim, finalizando essa resenha, estou muito preocupado Sr. Presidente com alguns profissionais que trabalham  consigo.  Senão vejamos, a sua Secretária Cristiane Luz foi para as redes sociais, no dia 25/10/2019 (há exatos 18 meses) disparou a seguinte pérola: “Querem voto online? Está pronto!”.

É ou não é para ficar preocupado?

Será que ela se empolgou então? Quem sabe!!!

Será que ela se precipitou e colocou a carroça na frente do gado? Quem sabe!!!

Será que ela seguiu os passos determinados pelo Papa da Comunicação do Fluminense? Quem sabe!!!

Mas o que mais me assusta é a dúvida: será que ela se equivocou (conforme a foto abaixo) somente com relação ao voto online, ou a parada é pior e nem o PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, nem o NOVO SÓCIO FUTEBOL, nem a GOVERNANÇA e o COMPLIENCE, nem a DIVISÃO DE CONTAS e CENTROS DE CUSTOS um dia serão realidade.
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Em tempos de Presidentes como Arnaldo Guinle, Marcos Carneiro de Mendonça, Francisco Laport, Jorge Frias de Paula, Manoel Schwartz e David Fischell, entre outros, a decisão seria única com relação a casos especiais  Assim funcionava o Fluminense que aprendi a amar e respeitar, aquele que jamais foi  A CASA DA MÃE JOANA!

Um forte abraço meu Presidente Mário Bittencourt! Apesar do pacotão das novas contratações, espero (rezando) a chegada de um Camisa 10, daqueles  meias de criação que tem gol, desses que são craques de Seleção.

Que Deus lhe abençoe!

PS.: vamos ter novidades com relação a um clube inglês que vai além da compra / venda de jogadores? Ou devo procurar a resposta junto ao futebol boliviano? Quem souber a resposta me procura no Twitter @TomRegueirasgon

O texto é de total responsabilidade do autor.

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