” O Fluminense sempre teve base forte, mas não foi Xerém quem inventou a roda” Opinião por Antônio Gonzalez.

“O Fluminense sempre teve base forte, mas não foi Xerém quem inventou a roda” (por Antonio Gonzalez)

A foto é clara em razão, trata-se do time Campeão Carioca Infantil de 1973.

Os sócios e torcedores do Fluminense que frequentavam às Laranjeiras nos sábados pela manhã (entre eles, quem vos escreve essas humildes palavras) sabiam, naquele início dos anos 1970, que aquelas safras de jogadores dos Dentes de Leite e dos Infantis, iriam dar frutos.

E que frutos!

Em 1971, nos Dentes de Leite, o camisa 10 Gilson, que anos mais tarde receberia o tratamento de Gilson Gênio, era o Rei do Rio. Na imprensa esportiva tinha tratamento de craque.

Já o time de Infantis em 1973 foi campeão invicto com a seguinte campanha:

32 jogos, 29 vitórias, 3 empates, 94 gols pró, 0 (sim: ZERO) gols contra.

Uma Maquininha de jogar bola aquela geração de 1959 e 1960. Todos flutuavam sobre os 13 anos de idade. Imberbes, porém campeões.

Eu não perdia nenhum jogo deles em Álvaro Chaves

Nessa foto, tirada em nosso estádio por ocasião do empate que nos deu o título, 0 x 0 contra o Botafogo, estavam…

Em pé: o Diretor Orlando Hardman, Zé Carlos, Valter, Flávio Paraense, Zezinho, Edgar (o goleiro que não levou nenhum gol), José Farias (Treinador) e o Diretor Alfredo.
Agachados: o Massagista Humberto, Jaiminho, Mourinho, Robertinho, Vicentinho, Tião, Novaes e o Roupeiro “Seu” Luiz.

Nos anos que correm muito se fala da “Batalha dos Aflitos”, com relação à partida entre o Náutico e o Grêmio, disputada em 2005, vencida pelos gaúchos no campo adversário e que lhes deu o direito de disputar a Série A no ano seguinte.

Mas também existiu outra batalha épica.

Esse time de garotos participou da Batalha da Pavuna:

Pavunense 0 x 1 Fluminense, com o alçapão da equipe amarelo e verde lotado até o último suspiro. Vencemos por 1 a 0, gol do Robertinho de cabeça (o camisa 9 que tinha cheiro de gol), no último minuto do 2º tempo. Então eram 2 tempos de 35 minutos na categoria.

O clima foi de total guerra, 100% Vietnã. O nosso time foi recebido à pedradas e até jogaram fogos em direção ao nosso vestiário. Do nosso time 2 atletas (Flavio e Valter) tiveram que ser costurados, cada um deles saiu com 4 pontos de sutura na cabeça.

Não esqueçam, falamos de adolescentes de somente 13 anos: pura covardia. Sem esquecer que mães e pais dos nossos atletas também foram vítimas de morteiradas e cusparadas. O árbitro da partida foi o já polêmico e gordinho Pedro Carlos Bregalda que nada relatou na súmula.

Isso sem falar do nível do time da Pavuna: no meio de campo o Pita e no ataque o Juari e o João Paulo… Isso em 1973…

Pois bem, o Santos Futebol Clube conquistou em 1979 o seu primeiro título pós-Pelé. Foi o Campeonato Paulista de 1978, que só terminou no ano seguinte. João Paulo foi o atleta que mais atuou entrando em campo 69 vezes e marcando 14 gols. O Juari jogou 59 partidas e fez 33 gols. O Pita, o cérebro do time, fez 7 gols em 54 jogos. Foi então que surgiu a expressão “OS MENINOS DA VILA”.

Com isso dá para entender o tamanho da vitória e da conquista daquela equipe de Infantis do Fluminense.

Dessa escalação, o Zezinho e o Mourinho chegaram a jogar nos profissionais, sem brilho numa fase de transição entre o time campeão carioca de 1980 e do Tri. O Zezinho, que era lateral esquerdo até que chegou a ser mais utilizado.

Os craques, ainda em começo de adolescência, eram o zagueiro Flávio e o Robertinho, atacante que tinha cheiro de gol.

Flávio foi capitão das categorias de base do Fluminense e levantou mais taças, colecionador de títulos. De família com história nas Laranjeiras, no esporte nacional e mundial. Seu avô, Guilherme Paraense, atleta da equipe de tiro do clube, conquistou a 1ª medalha de ouro para o Brasil numa olímpiada, nos Jogos Olímpicos da Antuérpia em 1920.

Jogador de corte clássico, técnico, guerreiro de largo recorrido, sem deixar de ser vigoroso. Poderia ter ido longe nos profissionais se não tivesse encontrado pela frente nada mais, nada menos do que o Edinho, que sem lugar à dúvida foi o maior zagueiro revelado nas Laranjeiras e dos quase 119 anos de existência do clube.

Já o Robertinho foi o grande craque. Até a sua estreia nos profissionais era, de forma inquestionável, o maior artilheiro das divisões de base do Fluminense. Naquela época era comum o atleta jogar campo e Futebol de Salão no Tricolor.

Então o recorde brasileiro de artilharia no Salão em uma única temporada era de um jogador de São Paulo com oitenta e poucos gols. O Robertinho chegou à última partida em condições de ultrapassar a marca. Fla-Flu nas Laranjeiras. Fez 6 gols e virou recordista.

Traduzindo: se fosse hoje, com 17 anos o Robertinho estaria valendo no mínimo 20 Mi de Euros e o Flavio também teria sido vendido para o exterior.

Que me perdoem os mais jovens, mas nos anos 1970 e 1980 a base do Fluminense produziu muita qualidade. Só que então o número de extrangeiros na Europa era reduzido e com sorte eles vinham buscar ao Brasil no máximo figurinha já carimbada. Só para vocês terem uma ideia na Seleção Brasileira que ganhou o Pré-Olímpico em 1971 e participou dos Jogos Olímpicos de 1972 (na época somente podiam ser convocados jogadores não profissionais) passaram os seguintes atletas do Flu: Nielsen, Rubens Galaxe, Marquinhos, Abel, Marinho e Carlos Alberto Pintinho. Quase nada!

O treinador José Farias (que anos mais tarde iria para Marrocos e conseguiria levar a seleção daquele país ao Mundial do México em 1986) garimpava e o Pinheiro dava polimento transformando em pedras preciosas.

Amigos…
Muito legal Xerém.
É um belo trabalho Xerém.

Mas as facilidades financeiras são outras: maior número de estrangeiros nas competições europeias, passaporte europeu por descendência, televisão passando competições Sub-Chupeta para os 4 cantos do mundo…

Mas só um ponto para a reflexão: quanto valeriam hoje com 18 anos os seguintes atletas… Marco Antônio, Didi, Nielsen, Rubens Galaxe, Marquinho, Zé Roberto, Abel, Carlos Alberto Pintinho, Kleber, Edinho, Erivelto, Dufrayer, Arthurzinho, Gilson Gênio, Sylvinho, Uchoa, Carlinhos, Paulo Sérgio (goleiro), Edevaldo, Zezé, Robertinho, Flávio Paraense, Mario Português, Gilcimar, Deley, Branco, Ricardo Gomes e Eduardo?

Com certeza, através de gestões transparentes, consequentes e sem dirigentes inconsequentes, com as joias do tesouro citadas acima, certamente o Fluminense já teria ZERADO A SUA DÍVIDA.

De resto…

Hoje é dia de atropelar o Junior Barranquilla. A Libertadores, além de ser obrigação, é possível.

No mais…

PELA DEMOCRACIA PLENA NO FLUMINENSE…

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