Na FluTV, técnico do Sub-20 justifica preleções na Sala de Troféus e lembra desafios da transição entre base e profissional.

No último domingo, o Boteco Brahma Tricolor comandou o pré-jogo do empate em 1 a 1 entre Fortaleza e Fluminense, pela 5ª rodada do Campeonato Brasileiro. O programa da FluTV recebeu Eduardo Oliveira, técnico do Sub-20. Durante a live, o comandante relembrou as preleções na Sala de Troféus de Laranjeiras e explicou o que o leva a colocar seus jogadores em contato com a história do clube.

“É importante para nós. Temos que viver a história da instituição que representamos. Estamos em um clube centenário, que recebeu o primeiro jogo da Seleção Brasileira. Às vezes, o jogador não sabe. Gosto de história e de entender onde é que eu estou e para quem estou comunicando e trabalhando”, disse.

“Tentamos trazer grupos de jogadores que ainda não vivenciaram a Sala de Troféus de Laranjeiras para que façamos preleções em jogos grandes, clássicos… Para que eles possam realmente ganhar inspiração. Porque nós não motivamos ninguém. A motivação vem de dentro. Nós inspiramos, damos referência e exemplo. Fazemos os caras entenderem o contexto que estão vivendo. É prazeroso ter uma Sala de Troféus e uma história lindas como as do Fluminense”, completou.

Para ajudar na formação dos atletas, o Flu desenvolveu o DNA Tricolor, estrutura que norteia o trabalho desenvolvido nas categorias de base. “Buscamos entender a filosofia do clube, os valores que o torcedor quer ver em uma equipe do Fluminense e processar no dia a dia para que se torne vida”, resumiu.

“Temos cinco valores em Xerém: comprometimento, respeito, espírito de equipe, criatividade e meritocracia. Então, pegamos o modo como a torcida gosta de ver as equipes e jogadores tricolores em ação a partir da história. Dhaniel (Cohen) nos ajudou, no momento em que escrevemos a metodologia. Queremos não só resgatar e fomentar a história, como formar o atleta para daqui a cinco, dez anos”, explicou.


Envolvido com as divisões de base tricolores desde 2017, Eduardo revelou que valoriza o sucesso dos moleques de Xerém. “Ver um jogador que passou pelas nossas mãos estrear ou se consolidar no profissional é a mesma sensação de ganhar um título. É ver a ascensão do Gabriel Teixeira, com a sua importância para o elenco do Fluminense, e lembrar de quando ele tinha 13 anos”, exemplificou.

Ao mencionar Gabriel Teixeira, o treinador destacou os desafios da transição entre base e profissional. “Hoje, o jogador tem que estar mentalmente bem preparado para transitar de um contexto onde era uma pessoa sem aparição pública. O próprio Gabriel Teixeira fala que, se sair para algum lugar, as pessoas pedem autógrafo. Há um ano, poucos o conheciam. Na transição para o profissional, a vida muda. O menino passa a ter um maior poderio financeiro, notoriedade social… Como é que ele reage? Não é simples. É um grande desafio”, ressaltou.

“Temos um propósito em Xerém: ‘faça uma melhor pessoa, que teremos um melhor jogador’. Eu, como treinador, não consigo dissociar o homem do atleta. Existem jogadores na minha categoria que, de repente, começam a ter um grande reconhecimento da torcida. Como é que ele reage? Ele não é um robô. Preciso educá-lo para entender como é que o contexto de vida vai mudar, porque vai influenciar diretamente dentro de campo. Uma coisa não consegue se separar da outra. Então, obviamente, o ser humano precisa ser entendido. Não só dando afago. Também criticamos, punimos… Mas precisamos entender que, por trás daquele número da camisa, existe um coração, um cérebro, uma pessoa com sentimentos. Quanto mais conseguirmos acessar e criar a afetividade, maior o sucesso”, concluiu.

Foto: Reprodução/FluTV

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