Filé e Felipe falam do trabalho em família no Fluminense

Respeito à hierarquia é a chave do sucesso do trabalho da fisioterapia tricolor

Na intensa rotina de treinos, jogos e viagens no futebol, datas festivas nem sempre são comemoradas como se devem. Passar o Dia dos Pais longe de casa, por exemplo, é algo a que Nilton Petrone se habituou. Mas Filé, coordenador do departamento de fisioterapia tricolor, desde 2015 tem uma extensão da família no trabalho. Afinal de contas, ele é chefe do próprio filho, e agora é Felipe Bastos quem vai viver pela primeira vez a experiência de não estar junto da família nesta data especial.

Com a delegação em Belo Horizonte, onde o Fluminense enfrenta o América-MG neste domingo, às 16h, no Estádio Independência, ele não estará com a filha de dez meses justamente em seu primeiro Dia dos Pais. Mas Filé, assim como faz no trabalho, aconselhou bem o filho e mostrou a importância de encarar isso com um olhar diferente e especial.

“Foi assim a vida inteira. Eu comecei no esporte em 1985 e cheguei ao futebol profissional em 1990. Então, eles passaram muitos Dias dos Pais sem a minha presença. Mas, para mim, todo dia é dia do pai e da mãe, porque todo dia é o dia do respeito, do amor, do companheirismo e da amizade dento de casa. Eu tento passar isso para eles dentro de casa. Se não podemos estar juntos no dia que se estabeleceu mundialmente como o Dia dos Pais, que todos os dias sejam um Dia dos Pais na família, para que a gente possa ter uma harmonia, uma família tranquila”, disse Filé.

Felipe entendeu o recado. E hoje percebe que a ausência do pai em algumas datas festivas durante sua infância foi por um bom motivo.

“Ele é um exemplo. Eu me tornei pai há pouco tempo e hoje consigo ter noção e dimensão do que representa sérum bom pai dentro de casa. Tenho um pai que abriu mão de muita coisa, até mesmo de tempo conosco para dar tudo de melhor para os filhos. Como profissional ele é fora de série, mas como pai ele é melhor ainda”, declarou Felipe.

Filé começou a trabalhar com o filho em 2015, quando Felipe chegou ao Fluminense ainda como estagiário. A partir daí, ele passou por um processo natural de aprendizado até ser incorporado como profissional do departamento de fisioterapia do Tricolor. Para eles, é importante deixar a relação de pai e filho na porta do Centro de Treinamentos do Tricolor.

“Ele sempre foi muito profissional, sabendo separar bem as questões pessoais das profissionais. A gente conseguiu definir bem os espaços, respeitando o processo de hierarquia que existe dentro do clube. A gente tem, é claro, o lado pai e filho no dia a dia, o que é natural. Aliás, acho que eu cobro mais dele do que dos outros”, contou Filé.

A declaração do pai arrancou um sorriso de canto de boca do de Felipe. Afinal de contas, é natural que haja uma cobrança maior quando o trabalho é levado para casa. Mas se hoje em dia eles conduzem este processo com tranquilidade, nem sempre foi tão fácil. Principalmente na época em que os treinos eram realizados nas Laranjeiras, bem longe da casa deles.

“O problema era quando a distância era maior, com os treinos nas Laranjeiras. Às vezes, eram 3 horas no trânsito quebrando o pau no carro voltando para casa. Mas, brincadeiras à parte, ele já puxou mais (a orelha). Com o passar do tempo, a gente vai amadurecendo. O processo de hierarquia dentro do departamento de fisioterapia do Fluminense com certeza é muito respeitado por todos os profissionais. Sobretudo pelo que ele representa para a fisioterapia não só do clube, mas do futebol, do esporte, no mundo todo. Nós somos o que somos hoje em termos de avanço na área porque ele abriu espaço para isso. O respeito é de pai para filho e de profissional para profissional”, disse Felipe, que fez questão de tecer elogios ao trabalho desenvolvido pelo clube na recuperação de atletas lesionados:

“O Fluminense está muito avançado. Temos todo aparato e apoio necessários. Há uma ligação muito boa com os outros departamentos, e isso é fundamental para o andamento do processo de trabalho. O Fluminense vem recuperando atletas muito rapidamente. Em termos de equipamentos e metodologia, estamos muito bem fundamentados”.

Fotos: Lucas Merçon e Nelson Perez/FFC
Texto: Comunicação/FFC

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