” Há 20 anos” Opinião Antonio Gonzalez

Há 20 anos  (por Antonio Gonzalez)

Meu avô, um pouco antes de falecer em 1973, já com a diabetes em estado bem avançado, disse umas palavras que me servem de exemplo até os dias de hoje: “Meu querido neto: o tempo não passa, o tempo voa!”

E o Antonio Sanchez Barreiro, o velho Careca do Restaurante Yankee Brasil, na Rua Rodrigo Silva nº 32, em pleno pulmão centro da cidade, entre a 7 de Setembro e a Assembleia, tinha razão. Passadas quase 5 décadas, agora ele é uma estrela, eu um diabético problemático, emocional.  Sim a velocidade do tempo é cruel e, sem cuidado, pode ser definitiva.

A performance do histórico e lendário boxeador Evander Holyfield, neste fim de semana, traz consigo elementos de que a grandeza um dia alcançada passou porque o tempo voou.  E o grande campeão tornou-se uma presa de fácil alcance e curto recorrido. Provavelmente com o bolso mais recheado de dólares.

Beijar a lona é para valentes e voltar a ficar de pé é para HOMENS. Mas o querer só existe se acompanhado pelo verbo poder.  QUERER É PODER.

Vivemos o momento em que se honram as vítimas de umas das maiores barbáries que já existiram no planeta terra, quiçá em todo universo: os atentados perpetrados pela organização fundamentalista islâmica al-Qaeda (além das  Torres Gêmeas também, naquele 11/09/2001, teve mais avião caindo: um no Pentágono e outro na zona rural perto de Shanksville, na Pensilvânia).  20 anos depois aquelas cifras assustam: Houve um total de 2 996 mortes, incluindo os 19 sequestradores.

Lembro que naquele dia eu estava na antiga Academia Staff, que existia na Rua Machado de Assis. Meu treinador de boxe na época era o Márcio, um mago da arte de ensinar, que naquela manhã colocou-me para “apanhar gostoso”, num daqueles treinos em que o ar desaparece e os miolos dão cambalhotas. Uma vez finalizada a atividade, fui para a Sala de Cardio, 40 minutos de bicicleta. Do nada a televisão mostra uma das torres em chamas. Um terrível acidente, afirmavam. Corre-corre pelas ruas de Nova Iorque, incertezas.

Do nada, de forma totalmente imprevisível até para o mais futurista dos escritores apocalípticos, outro avião se choca contra a outra torre do World Trade Center… E o que era acidente deixou de ser, tornando-se o mais sanguinário atentado da história. 

Nada mais justo do que manter viva as imagens daquele dia. Fatídico, brutal, cruel. Infelizmente não pode, nem deve ser apagado das nossas memórias. A nossa luta tem que ser para que os homens deixem de se matar. Encontrar novas e acertadas soluções para a humanidade deve ser a missão.

Quase 3 meses depois, para ser exato era o dia 8 de dezembro de 2001, recebi uma missão oficial do Fluminense: fui designado pelo clube junto ao comando do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Curitiba, como o representante pelos 20 ônibus de torcedores tricolores que se dirigiram à capital do Paraná. Era a semi-final do Campeonato Brasileiro, 3 a 2 para o Athético Paranaense, fomos roubados… em campo e no regulamento: arbitragem caseira e disputa a um jogo.

Já na estrada, depois de sairmos das garras da PM (a porrada comeu e foi feia, tivemos mais de 30 torcedores baleados – bala de borracha – pela JUDARIA de quem deveria ter proporcionado segurança), muito puto com a derrota e com a 3ª colocação definitiva na competição, tive a sensação de que o Presidente David Fischel terminava o primeiro mandato com um forte processo de recuperação e resgate:  de campeão da Série C em 1999 a 3º no Brasileiro de 2001.  Pelo menos isso. Mas era muito pouco.

A história das falsas narrativas são direcionadas a tirar méritos e criar monstros: se não fosse o surgimento da Vanguarda Tricolor o Fluminense teria desaparecido, nenhum clube no mundo teria resistido a presidentes (consecutivos) como Gil Carneiro e Álvaro Barcelos que sucederam a um Arnaldo Santhiago que fez a dívida do clube saltar de 3 para 25 Milhões entre 1993 e 1995. Três presidentes com fortes laços de amizade com o feudalismo dos Esportes Olímpicos e a galera do Social que é comandada pela mesa do whisky (que existe até hoje e elegeu ao Peter, ao Abad e ao Mario).

Na primeira parada dos ônibus num posto de gasolina e com restaurante, carros da Polícia Rodoviária Federal nos aguardavam.  Dei graças a Deus, impossível qualquer tipo de confusão, queria estar chegando ao Rio no menor tempo possível.  Relaxei, depois de descobrir que não havia almoçado, era imperioso colocar combustível no corpo.

Pensar que 2 anos depois de passar pela penúria da 3ª divisão estávamos entre os 3 primeiros clubes do Brasil, merecia muito fincar os joelhos no chão e levantar as mãos ao céu…

Mas não representava nada para os 1.000 tricolores que estiveram na Arena da Baixada, gente que cresceu vendo ao Flu entrando em campeonatos para vencer.

Gritar “É CAMPEÃO!!!” é um orgasmo diferenciado. É muito mais do que ejacular. Choramos de prazer.

Mas a Vanguarda Tricolor cometeu um grande erro: em nome de uma pacificação política NÃO PUXOU A DESCARGA.

20 anos depois o tempo não passou, ele voou. A humanidade, apesar de parte dela ainda cultivar velhos hábitos de não convivência (racismo, xenofobia, homofobia), acelera à uma velocidade gigantesca, as novas tecnologias estão muito acima do dicionário básico de quem se esconde nas redes sociais.

E o Fluminense 20 anos depois? 

Vocês lembram dos 25 milhões de dívida que o Arnaldo Santhiago deixou?  Dizem que hoje são 750… mas com a opaca transparência alguns pensam na casa de 1 bi.

E ao não puxar a descarga a Vanguarda Tricolor permitiu que aqueles a quem ela derrotou com o discurso de limpar o clube, voltassem a ocupar lugar de destaque. E o pior, eleger o presidente do Flu.

A década de 1990 representou um Fluminense que vivia no reino de Alice no País das Maravilhas, um verdadeiro paraíso de empresários e as suas respectivas barangas.

20 anos depois da tragédia dos U.S.A., tirando a Era Unimed, o que temos para comemorar?

Nada! Mais do mesmo e as consequências daquela babaquice chamada “novo fluminense” criada para eleger o Peter Siemsen. Fábrica de factoides, sem projetos reais, criação de falsas narrativas, segmentação do ódio na divisão da torcida.

O Fluminense necessita uma mudança radical. O câncer tem que ser combatido, extirpado se necessário.  O modelo deste século é outro e a distância aumenta para com quem está à frente.

As novas tecnologias estão muito acima do dicionário básico de quem se esconde nas redes sociais.  Transformar a contratação em definitivo do mítico Caio Paulista em evento do ano é coisa de gente medíocre.

Tenho muito orgulho da campanha do voto ONLINE. Conhecer o Estatuto é fundamental. Não é um laboratório, nem se necessitam alquimistas, menos ainda sem personalidade.

Hoje jogaremos no Maracanã contra o São Paulo. O que acho? Espero vencer sofrendo como sempre e mantenho a ilusão de que tem possibilidade de ser campeão brasileiro.  Basta não atrapalhar.

Manter a ilusão? Sim. Nascemos para ser CAMPEÕES!!!

Me despeço com as palavras do Patrick Bruel, um cantor e compositor francês de origem judaica.

“No creo ya lo que hay pintado en la pared,
No creo ya el mismo rollo otra vez,
No estoy para sonrisas de salón,
Déjame gritar mi rabia déjame…” (Romper la voz – Patrick Bruel)

É fundamental começar o 2º turno passando o carro na galera do Morumbi!!!

Antonio Gonzalez

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