“SAFlu”- Opinião José Florêncio K, The Second (pseudônimo de André Ferreira de Barros)

“SAFlu”
Segundo a mitologia grega, Cassandra ganhou destaque na “Guerra de Troia” pelos desacertos de suas previsões – erros, aliás, que, alegadamente, advinham duma maldição que lhe fora conjurada pelo deus Apolo.


Pois bem, encarno neste post a Cassandra Tricolor. Ou seja, arrisco-me a escrever um monte de asneiras – incomodativas asneiras – que poderão ser facilmente desconstituídas por pessoas mais versadas no assunto em tela.


Quando a Praça XV ainda tinha uma passarela rumo à estação das barcas – estou ficando velho -, um camelô oferecia, aos berros, um elixir que tratava de hemorroidas a Mal de Alzheimer. Com um otimismo panglossiano comprei – e tomei – aquela porra. Em troca, ganhei uma baita dor de barriga. Tenciono com isso dizer que não acredito em remédios milagrosos – SAF incluída.


Sincera e honestamente, não tenho conhecimentos bastantes para opinar sobre o mérito da questão da SAF. Mas, enquanto servidor público, tremo, da cabeça aos pés, ao ouvir falar em alteração de regime jurídico. Nunca vi mudança para melhor. E é diante disso que estamos, amigos, duma migração de sociedade civil sem fins lucrativos para sociedade anônima.


Mantendo o norte, Mário Henrique Simonsen dizia que o problema mais difícil do mundo era resolvível se fosse corretamente enunciado. E, aí, justamente aí, que reside a minha preocupação central. A transformação em SAF é tratada, ao menos pela maioria de tricolores, como uma forma de nos livrarmos de Mários, Abads et caterva. Mais, tão logo, a SAF ganhe personalidade jurídica, jorraria grana no Fluminense.


Gente, estamos na iminência duma baita mudança na política monetária norte-americana. Decerto, o aumento na taxa dos FED funds vai drenar os recursos financeiros para os Estados Unidos. Não há, no planeta Terra, investimento indiferente à curva de juros de Tio Sam. Temperança é preciso!


Prosseguindo, bons gestores é um gênero de primeira necessidade – e escasso, há anos, nas Laranjeiras. É deles que precisamos, quer nos mantenhamos como sociedade civil sem fins lucrativos, quer nos convolemos em SAF. Exemplos saltam aos olhos. A escola municipal na Rua Moreira César, em Icaraí, Niterói/RJ, é mais bem administrada do que a então bilionária – e (des)capitalizada – Enron.


Em suma, eu faria um pacto com o diabo para livrar o Fluminense de Mário et caterva, mas manteria, ao menos por enquanto, o status jurídico. Alterá-lo seria, com o devido respeito aos que pensam diferentemente, um grande salto no escuro. Evocando um clássico do cinema, se formos visitar o “Parque dos Dinossauros”, sugiro que o façamos algum tempo após a sua inauguração. Vai que o T-Rex se solta e destrói a porra toda.


José Florêncio K, The Second .

O texto é de responsabilidade do autor.

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