Torcedora do Fluminense cria movimento de inclusão de torcedores tricolores com autismo

Monike Lourinho, torcedora do Fluminense e mãe de Frederico, de 6 anos, criou este ano, o movimento Autistas Flu, com a intenção de propor uma arquibancada inclusiva no Maracanã. O filho, que leva o nome do ídolo Fred, é uma criança autista e foi a grande inspiração para a criação do movimento.

Tudo começou quando Monike levou Frederico a um clássico contra o Botafogo e o menino não conseguiu permanecer no estádio por conta do barulho da torcida tricolor. A hipersensibilidade auditiva é comum em pessoas TEA (Transtorno do espectro autista). Fred utiliza um abafador sonoro, mas, neste dia, não foi suficiente. Após o incômodo apontado pela criança, mãe e filho precisaram deixar o estádio, mesmo querendo assistir a partida.

“Chegando em casa, percebi que por conta da hipersensibilidade auditiva ele foi impedido de fazer o que ele gosta muito, que é torcer para o Fluminense. E tive a coragem de pôr a cara e tentar criar uma arquibancada inclusiva.” – disse a fundadora do movimento.

Frederico no Maracanã.

Hoje em dia, há cerca de 15 torcidas atípicas de diversos clubes do Brasil em busca de estádios mais inclusivos. Monike aponta a torcida Autistas Alvinegros, do Corinthians, como grande incentivadora para o início do projeto.

O principal objetivo do movimento é a criação da sala TEA no Maracanã, um ambiente próprio e confortável para torcedores autistas. Mário Bittencourt, presidente do Fluminense, já está ciente e disponível para ajudar na criação do local. Apesar de alguns fatores administrativos, o objetivo de Monike é que a sala já esteja pronta em abril de 2023.

“Para um futuro gostaria que a sala, em dias que não tenha jogos, também tenha uma funcionalidade. Além da inclusão, acho que devemos dar suporte com terapias, que é o mais importante. Principalmente para famílias atípicas de baixa renda que são torcedores do Clube.” – Ressaltou a tricolor

Já para o início da temporada, em janeiro de 2022, Monike pretende pôr em prática algumas medidas paliativas, como: empréstimo de abafadores de ruídos nos jogos e distribuição de cordões de identificação para torcedores.

Além das medidas para a inclusão, a ideia é estender a bandeira do movimento nos jogos em casa. Para, assim, conseguir espalhar cada vez mais a causa e atingir o maior número de torcedores possível.

Pessoas TEA costumar ter um interesse intenso em um ou mais assuntos. O hiperfoco de Frederico é o futebol e principalmente o Fluminense. Fred desenvolveu melhor a sua fala a partir das músicas cantadas pela torcida. A preferida do pequeno tricolor é “louco da cabeça”

“A arquibancada é um movimento popular, que particularmente gosto muito, é lá onde podemos demonstrar nossa paixão pelo fluminense. Podemos ser nós mesmo, não tem seletividade social. Agora precisa ser inclusiva tanto para TEA, como para outras neurodiversidades.” – disse Monike.

Para além do ambiente do futebol, Monike tem o objetivo de desmistificar o autismo e mostrar que pessoas TEAs podem sim ser incluídas na sociedade, independentemente do nível de suporte.

Para conseguir dar o pontapé inicial, a fundadora do movimento está rifando uma camisa autografada por Paulo Henrique Ganso. O meia do Flu e sua esposa, Giovanna Conti, são grandes apoiadores do Autistas Flu e fizeram a doação do manto tricolor. Para participar, entre em contato pelo Instagram ou pelo Twitter, @autistasflu.

Fotos: Arquivo Pessoal

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