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PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE: O CONSELHO FISCAL – Opinião Ademar Arrais

PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE:
O CONSELHO FISCAL

Na semana passada ao falarmos sobre o Conselho Deliberativo, deixei claro a necessidade precípua e emergencial de uma estatuinte ampla, geral e irrestrita, que modifique todo arcabouço normativo do Clube, mas apresentei algumas modificações que poderiam mesmo na estrutura atual acarretar em melhorias substanciais a eficácia do trabalho do Conselho Deliberativo.

Infelizmente em relação ao Conselho Fiscal isso não é possível, ou seja, sem mudanças estruturais profundas e prévias não há como termos melhores resultados quanto ao seu trabalho.


Os membros do Conselho Fiscal são escolhidos dentre os Conselheiros do Fluminense eleitos junto com o Presidente. Assim como acontece normalmente na eleição da Presidência e da Mesa do Conselho Deliberativo, os três membros do Conselho Fiscal são escolhidos a dedo e praticamente nomeados pelos Presidentes e seus respectivos grupos políticos, ou seja, o gestor escolhe, diante dos seus próprios interesses, quem irá fiscaliza-lo e ainda dentre os seus correligionários. Uma verdadeira ação entre amigos institucionalizada. É evidente que isso não tem funcionado e não funcionará nunca nesse formato.


Ao longo de minha experiência no Conselho Deliberativo acompanhei de perto o trabalho de todos os Conselhos Fiscais, principalmente quando participaram de maneira singular da sua composição os grandes amigos Ivan Cavalcanti Proença e Humberto Menezes Filho. Em quase 20 anos, foram com esses dois as únicas vezes que vi Conselheiros Fiscais cumprindo a sua real missão, mas que também de nada adiantou em razão da conivência dos outros membros do Conselho Fiscal da época e sobretudo pela postura que os membros dos Conselhos Deliberativos tiveram na análise dos pareceres em separado apresentados. A coisa é feita para não funcionar mesmo.


Vou dar o exemplo do orçamento atual. Observem e tirem suas próprias conclusões.

  • A atual gestão tomou posse em 11/06/2019.
  • Em 27/12/2019 foi convocada, na forma do estatuto, a reunião do Conselho Deliberativo para análise e votação do Orçamento 2020, cuja proposta sequer foi encaminhada previamente ao Conselho Fiscal e por conseguinte também não foi ao Conselho Deliberativo.
  • Em 24/01/2020 o Conselho Diretor envia uma proposta orçamentária inicial, que é revista em conjunto com o Conselho fiscal e acarreta no envio de uma outra proposta orçamentária final para o ano de 2020 em 19/02/2020.
  • Recebida do Conselho Diretor a proposta em 19/02/2020, mesmo com o Carnaval logo em seguida, em 11/03/2020 os três membros do Conselho Fiscal encaminham por unanimidade seu parecer favorável à proposta orçamentária.
  • Curiosamente, antes do recebimento da proposta final e obviamente do parecer do Conselho Fiscal, o Presidente do Conselho Deliberativo encaminha aos Conselheiros do Fluminense, em 11/02/2020, uma outra proposta a ser analisada e votada em reunião convocada para o dia 27/03/2020.
  • Vem o período de Pandemia e a proposta orçamentária, que já tinha sido enviada intempestivamente, é votada e aprovada por unanimidade no mês de agosto, ou seja, com oito meses do Presidente e o Conselho Diretor fazendo o que queriam e bem entendiam, sem qualquer autorização orçamentária prévia e sem qualquer pedido de suplementação orçamentária do ano anterior, faltando quatro meses para o término do exercício.
  • A proposta orçamentária aprovada no mês de agosto de 2020, para o exercício de 2020, não tem um elemento sequer relacionado ao período de pandemia, o que é completamente absurdo, pois evidentemente é impossível que o Clube não balize e altere seu orçamento em função de um fato de repercussão universal como esse.
    Não cabe a um Conselho Fiscal realizar defesas efusivas de qualquer gestão do Clube como temos visto costumeiramente, ainda mais através de seus pareceres. Ele precisa ficar adstrito a regularidade da gestão financeira do Clube, bem como na proposição de medidas que visem auxiliar os demais Poderes na adoção de melhores práticas para obtenção de resultados mais positivos quanto ao aspecto financeiro e contábil.
    Para tanto, é preciso desvincular, ainda que formalmente indiretamente, a eleição do Presidente do Clube e de seu grupo da eleição dos membros do Conselho Fiscal, conferindo aos Conselheiros Fiscais independência. Essa eleição pode ser inclusive em momento distinto e ou por mandato fixo diverso do mandato do Presidente, numa forma similar ao que é feito com os Dirigentes de Agências Reguladoras.
    Outro aspecto a ser considerado também é a necessidade de previsão expressa no estatuto do Clube quanto as responsabilidades dos Conselheiros Fiscais. A lei já prevê algumas é verdade, mas é preciso algo mais explicito e contundente, até mesmo porque o modus operandi atual faz parte de um obstáculo até mesmo cultural do Fluminense e do futebol brasileiro.
    A inclusão no estatuto social de normas claras e rígidas de complaince, conformidade e para melhores práticas de governança poderão também direcionar e melhorar a atuação do Conselho Fiscal.
    Por fim, é preciso também conceder maiores e melhores instrumentos estatutários para o Conselho Fiscal, inclusive quanto a parte técnica, possibilitando o acesso as informações e documentos, a contratação de profissionais e ou empresas de assessoramento ao seu trabalho, etc…
    Tratarei dessas propostas objetivamente quando for escrever sobre um anteprojeto para uma estatuinte ampla, geral e irrestrita.
    Saudações Tricolores,
  • Texto de total responsabilidade do autor.

PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE O CONSELHO DELIBERATIVO. Opinião Ademar Arrais

PODERES CONSTITUÍDOS DO FLUMINENSE
O CONSELHO DELIBERATIVO

Hoje e nas próximas duas semanas escreverei um pouco sobre os Poderes Constituídos do Fluminense, ou seja, Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Conselho Diretor, na forma do estatuto atual, apresentando propostas de mudanças para uma maior eficiência desses três Poderes. Ao término dessas abordagens, na semana seguinte, farei também comentários e proposições para uma estatuinte ampla, geral e irrestrita, que há tempos é necessária para que o Clube tenha modernos instrumentos institucionais de melhoria, acompanhamento, compartilhamento e fiscalização de suas gestões. Evidentemente que todos os referidos temas devem ser analisados de forma conjunta.


Inicialmente é preciso ter a noção de que muito piores que vários Presidentes do Clube que tivemos foram os respectivos Conselhos Deliberativos, que, à época, permitiram, viabilizaram e legitimaram infinitas decisões administrativas, esportivas e financeiras completamente irresponsáveis e teratológicas. Conselho Deliberativo não pode ser um mero órgão homologador do Presidente e do Conselho Diretor.


Ao meu ver, dentre outras, temos três razões principais para a completa inoperância e descrédito do Conselho Deliberativo. A primeira é o atrelamento eleitoral do Conselho ao Presidente do Clube, pois acaba vinculando os conselheiros ao Presidente quase que de uma forma subserviente. Sejamos francos, o Presidente e a Mesa do Conselho Deliberativo são praticamente nomeados pelos Presidentes eleitos do Clube. É evidente que precisamos mudar esse sistema. A segunda é a composição do Conselho Deliberativo, que coloca os destinos do Clube nas mãos de inúmeros torcedores e associados amadores, muitas vezes sem qualquer tipo de preparo, qualificação ou experiência para o exercício daquela função. Infelizmente não basta amar o Clube. Hoje é preciso muito mais. Ao contrário do que muita gente pensa, Conselheiro é também um dirigente do Clube e se não possuem o menor preparo é evidente que isso tem reflexos por ação ou por omissão. A terceira é a estrutura arcaica e ultrapassada, inclusive quantitativa do Conselho Deliberativo. Só com uma estatuinte ampla, geral e irrestrita poderemos modificar efetivamente esse status quo.


Mas o que fazer para mudar esse cenário? Vamos lá:
1) Estatuinte ampla, geral e irrestrita. Como já mencionado acima, abordarei esse tema especificamente em três semanas. As propostas seguintes levam em consideração a nossa realidade com o estatuto atual.


2) Sempre quando possível, viabilizar a transmissão das reuniões em tempo real para os associados, inclusive e principalmente o sócio futebol.


3) Modernizar o sistema de gravações das reuniões. O Conselho Deliberativo e as ações e defesas dos Conselheiros também precisam ser transparentes e responsáveis.


4) Ter um espaço eletrônico especifico do Conselho Deliberativo.


5) Delimitar claramente um espaço físico para os Associados que desejarem assistir as reuniões.


6) Maior disciplina quanto aos horários marcados para inicio das reuniões, bem como no respeito ao tempo previsto para cada conselheiro falar.


7) Fazer com que o Conselho Deliberativo tenha uma previsão orçamentária mínima própria.


8) Dialogar com o Conselho Diretor para que tenhamos um espaço físico para trabalho das comissões, bem como para guarda segura de material e documentação do Conselho Deliberativo.


9) Utilizar as comissões permanentes e criar outras temporárias, na forma do estatuto atual, sempre que houver necessidade para os trabalhos internos do próprio Conselho ou para atuar de forma pró-ativa na gestão do Clube junto com o Conselho Diretor.


10) Melhorar o sistema de informação e comunicação com os Conselheiros.


11) Realizar um maior número de reuniões extraordinárias que se fizerem necessárias, mas evitar, sempre que possível, reuniões completamente improdutivas e esvaziadas madrugada a dentro.


12) Não ter qualquer condescendência com agressões e abusos de direito, independente da corrente política das pessoas envolvidas e do mérito das questões, estabelecendo sempre que preciso abertura de processo disciplinar ou outras medidas que se fizerem necessárias, respeitando-se sempre a ampla defesa e o contraditório. O Clube e todos os seus ambientes precisam ser um espaço sadio e no mínimo respeitoso. É inadmissível o que vem acontecendo há anos e quantas pessoas sérias e qualificadas já se afastaram do Clube exatamente por não quererem se submeter e permanecer num ambiente hostil.


13) Diversificar os dias de reuniões para que os Conselheiros que estejam impossibilitados de comparecer num dia da semana possam comparecer nos demais.


14) Enviar com a maior antecedência possível para casa dos Conselheiros ou para entrega na secretaria do Clube, toda documentação necessária para análise financeira ou de outras matérias de maior complexidade.


15) Sempre que possível ou necessário, convidar os Vice-presidentes, Diretores ou profissionais do Clube para falar sobre um fato ou ato determinado ou sobre os trabalhos/resultados. O problema do Clube nunca foi o diálogo e a transparência, mas sim a ausência de ambos. Muitas vezes desconhecemos o que está sendo feito, o que temos de melhor e ainda deixamos de corrigir rumos por falta de um diálogo franco, direto e amplo. Ao invés de alimentarmos um processo auto-destrutivo, precisamos nos unir e ajudar à melhoria e fortalecimento do Clube em seus mais diversos segmentos.


16) Ter uma atuação menos personalista da Presidência do Conselho e mais conjunta da Mesa do Conselho.


17) Divulgar um calendário-base anual de reuniões.
Semana que vem falarei sobre o Conselho Fiscal.


Saudações Tricolores,
Ademar Arrais

Texto de total responsabilidade do autor.

QUEREMOS OU NÃO PROFISSIONALISMO NO FLUMINENSE? – Opinião Ademar Arrais

QUEREMOS OU NÃO PROFISSIONALISMO NO FLUMINENSE?


Quando o discurso a ser defendido é o do profissionalismo não existe situação ou oposição nos Clubes de futebol. Mas tratando-se de um assunto defendido por todos, quais as razões para não termos a implantação desse tão decantado profissionalismo no futebol brasileiro?


Ao meu ver a primeira razão é conceitual. Devemos considerar que um Clube privilegia o Profissionalismo quando as suas atividades são planejadas, baseadas, implementadas, exercidas e fiscalizadas fundamentalmente por pessoas físicas e jurídicas técnicas, especializadas e remuneradas, sendo as decisões dessas pessoas legitimadas para tanto. Profissionalismo na verdade é um sistema sob o qual o clube deve se direcionar buscando melhores resultados, assim como em qualquer empresa.


O conceito de Profissionalismo não pode se limitar a mera contratação de profissionais para o exercício de determinadas funções, por melhor que sejam, e muito menos ao auto-profissionalismo, que é o modus operandi na maioria dos Clubes brasileiros, onde após as eleições, os dirigentes eleitos contratam amigos, parentes e outras pessoas como pagamento de promessas de campanha. Tudo evidentemente com dinheiro do Clube e sem qualquer risco futuro de responsabilização.


É preciso que mudemos também a nossa mentalidade enquanto torcedores e enquanto dirigentes. Não podemos defender o profissionalismo apenas quando interessa. Vamos dar alguns exemplos diversificados do que ora afirmo:

  • Como não poderia deixar de ser, lá vou eu novamente falar de Planejamento estratégico. O papo pode ser considerado chato, mas trata-se de um assunto fundamental, com influência direta em toda vida do Fluminense. No futebol então nem se fala. Não existe uma empresa ou instituição de sucesso e de grande porte no mundo que não tenha realizado seu planejamento estratégico.
    Em 2013, quando organizei no salão nobre do Clube um Seminário para tratar do Planejamento Estratégico do Fluminense até 2020, alguns tricolores boicotaram o evento, outros se mostraram contrários, pois na concepção deles em Clubes de Futebol só existe o “hoje” e portanto fazer planejamento para 2020 seria utópico. Infelizmente, à época não me deixaram dar continuidade ao trabalho e eu pedi o meu afastamento do cargo de Vice-presidente quando o Presidente Peter assinou sozinho o contrato do Maracanã por 35 anos. O ano de 2020 chegou e nesses 7 anos que se passaram não evoluímos em absolutamente nada substancialmente.
  • Alguns clubes passaram a produzir e comercializar, ainda que indiretamente por meio de terceirização, seu material esportivo. Com todo respeito, mas independente da minha opinião, da sua, da opinião do Presidente do Clube ou das convicções de quem quer que seja, para sabermos se uma iniciativa dessa poderia ser boa ou ruim para o Fluminense, é preciso que tenhamos um estudo técnico-profissional a ser examinado e decidido pelo Gestores do Clube.
  • Há anos escuto que o Clube não oferece nada ao Associado. Sim, mas o que devemos oferecer ao Associado? O que atrai ao jovem? Qual nosso público alvo? É o Presidente do Clube e ou o Vice-Presidente Social que devem decidir isso com base nas suas meras convicções? Não. É um estudo técnico, com alicerce em pesquisas, público alvo e segmentado, etc…
  • Como cediço, há décadas existem no Fluminense graves problemas financeiros e orçamentários e os gestores precisam urgentemente identificá-los tecnicamente, buscando o diagnóstico preciso para adoção das medidas cirúrgicas para salvamento do paciente. Ninguém melhor do que uma grande e respeitada empresa de Auditoria Externa para auxiliar o gestor nesse sentido, inclusive para retomada da credibilidade externa e interna. Ocorre que ao invés de realizar tal investimento institucional, os últimos Presidentes, após a eleição, mudaram o discurso passando a considerar essa iniciativa despicienda e de um custo inviável para o clube, ou seja, continuamos com as mesmas práticas, esperando resultados diferentes. Não teremos.
    Se você acha que custa caro uma Auditoria Externa de uma grande empresa é porque você não sabe quanto tem nos custado a ausência dela.
  • A contratação de um jogador deve ser feita pela visão que o Presidente do Clube tem do futebol do Atleta ou da amizade que possui com o empresário do jogador? Não. Qualquer contratação de jogador deve encontrar amparo técnico de profissionais do futebol, mas também devem ser analisados aspectos financeiros, jurídicos e médicos. Nenhuma área pode tomar decisões de contratações sem a oitiva das demais, exatamente porque deve existir um sistema profissional. Não são raras as vezes que observamos decisões extremamente amadoras tomadas por profissionais muito bem remunerados.
  • Recentemente um grande amigo tricolor, para defender num grupo de Whatsapp a permanência do atual técnico do Fluminense no cargo, alegou que o Presidente deveria consultar os jogadores, pois a opinião deles é que deve ser respeitada senão eles fazem motim. Eu, que estava fora da discussão do grupo, na mesma hora entrei rebatendo. Como podemos defender profissionalismo apoiando isso? De forma alguma. Dirigente tem que dirigir. Técnico tem que treinar. Jogador tem que jogar. Cada um no seu quadrado e todos tendo limites, direitos e obrigações, como em qualquer instituição ou empresa séria. O dirigente até pode dialogar, mas ele não deve ser obrigado a tal conduta pelo medo dos jogadores fazerem motim. A instituição deve estar sempre em primeiro lugar.
    É preciso acabar de vez com essa visão de que no futebol tudo é diferente do mundo corporativo. Existem especificidades próprias, é verdade, mas essas diferenças não devem servir de justificativa para institucionalização de um ambiente amador, ultrapassado e completamente anti-profissional.
    Ressalte-se que tratamos apenas de alguns de muitos exemplos.
    Por fim, quando se defende profissionalismo, deve-se defender que o conjunto dos atos de gestão tenham como fundamento de validade das decisões, a técnica e a especialização de profissionais multidisciplinares de mercado, qualificados, respeitados, bem remunerados de acordo também com as possibilidades do Clube, e não mais decisões com fulcro na política, no achismo ou nas convicções pessoais dos dirigentes, associados ou torcedores.
    Saudações Tricolores,
    O texto é de total responsabilidade do autor.

MARACANÃ, LARANJEIRAS E OU ESTÁDIO PRÓPRIO – Opinião Ademar Arrais

MARACANÃ, LARANJEIRAS E OU ESTÁDIO PRÓPRIO
Essa semana vou externar minha visão em relação ao Maracanã, Laranjeiras e ou estádio próprio, ressalvando desde já que temas como esses não devem continuar sendo reféns da mera vontade de Presidentes do Clube e de seus respectivos grupos políticos ou de quem quer que seja. É preciso que o Fluminense Football Club urgentemente passe a ter um projeto institucional com alicerce num planejamento estratégico, contendo ações e metas de curto, médio e longo prazo. Nesse planejamento estratégico precisamos ter também deliberações que reflitam a vontade da maior parte dos segmentos ligados ao Clube em temas como esses que trataremos agora. Em breve escreverei um texto exclusivamente sobre a necessidade do planejamento estratégico para o Fluminense.
Ninguém é tão bom sozinho que todos nós juntos e organizados. “O Fluminense somos todos nós”


MARACANÃ
O Presidente atual do Fluminense vem desde agosto de 2019 concedendo entrevistas onde afirma reiteradamente que o Maracanã não dá prejuízo ao Clube, pois os números constantes dos borderôs demonstram um prejuízo operacional que não leva em consideração outras receitas. Ao revisitar através do google essas matérias, para escrever esse texto, me deparei com a seguinte frase:


“– As redes sociais, infelizmente, geraram um tipo de pessoa com um oceano de conhecimento, mas com um dedo de profundidade e falam sobre custo no Maracanã. O Maracanã não nos dá prejuízo hoje…”


Se pegarem meu texto anterior, vão observar que mencionei que a frase também dita pelo Presidente do Clube “dos dois treinos”, não era uma mera frase de efeito. Vejam o que tem em comum aquela frase com essa acima, ditas em dois momentos diferentes e sobre assuntos distintos.
Quanto ao mérito da opinião do Presidente do Fluminense, mais uma demonstração do nosso amadorismo completo. Maracanã dá prejuízo sim, independente do que consta ou não nos borderôs. Se existe um prejuízo operacional, ele deve ser corrigido ou ao menos diminuído e não justificado por outras receitas eventualmente existentes.
Além disso, é inaceitável que o Fluminense continue passivamente pagando valores exorbitantes pela prestação de serviços no Maracanã sem qualquer tipo de questionamento. Ressalte-se que vários desses serviços sequer são necessários na proporção que são utilizados para jogos com pouquíssimo público (antes da pandemia). O caso dessa empresa SUNSET, por exemplo, é escandaloso. Dinheiro literalmente jogado no lixo. Essa história que contam de que o MP e a PM exigiram não sei se é verdade. Se for, tal exigência deve ser contestada, inclusive em juízo se for o caso. Nenhuma autoridade, nenhum contrato, nenhuma norma jurídica, pode obrigar a quem quer que seja a pagar algo desnecessário e que não se quer. Quem paga a conta do Fluminense é o Fluminense e não o MP ou a PM.
Outro aspecto a ser observado pelo Fluminense com muito cuidado no caso do Maracanã é essa relação perigosíssima com o Flamengo, ainda mais em razão das nossas fragilidades financeiras e políticas, ausência de Certidão Negativa de Débitos, etc…A história já deveria ter nos ensinado, mas ainda tem muita gente que enxerga o Flamengo como parceiro. Se não ficar muito esperto dança.
Assim, na minha opinião o Maracanã é importantíssimo para nós, principalmente enquanto não temos um estádio próprio. Contudo, é preciso que o Clube demonstre o seu inconformismo com as exorbitantes taxas e valores dos serviços prestados, bem como racionalize a utilização desses serviços de acordo com a necessidade do jogo que será realizado. Qualquer prejuízo deve ser combatido independente de outras receitas supostamente compensatórias. O princípio da eficiência não se resume à inexistência de prejuízo, mas sim a buscar sempre os melhores resultados e menores custos. Revisão de contratos que prejudicam o Fluminense faz parte do conceito de defesa institucional. Defesa institucional é obrigação de todo Presidente e dirigente de Clube.


CONSTRUÇÃO DE ESTÁDIO PRÓPRIO
Vários Clubes pelo Brasil conseguiram recentemente construir ou reformar seus próprios estádios. Outros estão também voltados a fazer o mesmo. Sem dúvida nenhuma é um grande sonho de todo torcedor tricolor. Ter um estádio próprio vai muito além de ter uma estrutura física. Abre portas para que possamos dar voos mais altos, ter maiores receitas, solidificar um projeto institucional, etc…
É absurdo para o Fluminense todo endividado pensar nisso? Ao meu ver não. Estar endividado não é o nosso maior problema, falta de dinheiro também não, mas sim a maneira como nos portamos diante dessas mesmas dividas e fabricamos em série inúmeras outras. Dinheiro não nasce em árvores.
Não há como falar nesse assunto no Fluminense sem mencionar a importância do legado do trabalho do Vice-presidente de Projetos Especiais da gestão Peter, Pedro Antônio. Independente de quem seja simpático ou não à pessoa dele, temos todos que ser gratos a todo o seu trabalho e empenho na construção de nosso Centro de Treinamento. Desde a conquista de Xerem trata-se do único acréscimo patrimonial e de infraestrutura do Clube. Prefiro nem comentar muito sobre o que penso com em relação aquela indelicadeza, falta de educação, ingratidão…que fizeram com relação ao nome do CT. Poderia ser qualquer outro nome, sem problemas, mas fazer aquilo, daquela forma, envergonha qualquer pessoa com um mínimo de decência.
Mas porque tocar nesse assunto do CT se estávamos falando de estádio próprio? Porque recentemente soube de detalhes do que dirigentes do Fluminense e do Flamengo fizeram junto à Prefeitura para barrar à época iniciativas do Pedro Antonio para construção de nosso estádio. E sabem porque acredito no que soube? Pelo histórico dessas mesmas pessoas comigo e com o Fluminense. Sabe porque acredito que seria viável a construção do estádio? Pelo pequeno, mas eficaz histórico do Pedro Antonio no Fluminense. Ele foi lá e fez. Se dependesse da grande maioria das pessoas do Fluminense não tínhamos uma estaca levantada até hoje. Infelizmente no Fluminense sobram discursos, promessas, mentiras, ofensas, brigas, fuxicos e outras coisas mais e faltam atitudes e realizações em prol do Clube.
Nenhum problema em sonharmos, inclusive em razão da nossa grandeza e potencial, mas antes de tudo, vamos nos preparar para sair desse pesadelo, que é o atual arcaico e ultrapassado modelo de gestão. Estádio próprio é um sonho que pode sim ser concretizado, mas desde que com responsabilidade, com um projeto factível e tendo à frente pessoas empreendedoras como, por exemplo, o próprio Pedro Antônio, se for o caso. Estádio próprio não pode mais servir para um powerpoint bonitinho e populista e obtenção de votos em período eleitoral, mas se tivermos pernas e mãos para fazermos tudo concomitantemente, porque não? Unidos pelo Fluminense nem nós conhecemos os limites da nossa força.


LARANJEIRAS
Nossa casa. Nossa raiz. Nossa história. Propostas como a de construção de shopping através de permuta ou venda do terreno de nossa sede de Laranjeiras, independente da real impossibilidade jurídica, demonstram cabalmente como pessoas sem a menor noção do que é o Fluminense tem ocupado ultimamente os principais postos de comando do Clube. Certamente o shopping seria melhor para o torcedor do Fluminense passear do que assistir aos jogos do time que eles montaram. Se algum dia tentarem concretizar uma atrocidade dessas eu serei o primeiro a ingressar em juízo para barrar.
Revitalizar as Laranjeiras é obrigação legal tendo em vista o tombamento, bem como obrigação moral com nossa história, nossa torcida e nossos associados. Isso já deveria estar sendo feito há tempos. Tem muitas coisas que são difíceis numa gestão de um clube com as características atuais do Fluminense, mas outras tantas basta carinho e respeito pela instituição. Nada mais.
Falta de dinheiro não justifica desleixo, descaso e desídia. Vou dar dois exemplos que demonstram bem a nossa situação. Recentemente vi alguns sócios e torcedores comemorando como um verdadeiro feito da gestão, uma pintura próxima do campo e ajeitadinha no telhado, tamanha é ausência de qualquer cuidado ou tratamento com nossa sede. Para quem não sabe, boa parte dos troféus de nossas conquistas encontra-se há anos, atravessando já duas gestões, nos porões dos elevadores do salão nobre, deteriorando-se como se fosse lixo. Isso porque temos, inclusive estatutariamente, o Flu-Memória. É falta de dinheiro? Não. Nada justifica isso.
No que se refere a ampliação e modernização do estádio das Laranjeiras, também acho que seria maravilhoso, desde que tenhamos comprovadamente viabilidade técnica e também política. O assunto não é simples e assim como o próprio tema de construção de outro estádio, esse não deve servir como um discurso fácil para enganar as pessoas em período eleitoral como fez o atual Presidente do Clube.(vide material de campanha)
Tenho acompanhado pelas redes sociais e imprensa o trabalho da comissão de sócios que se dispôs a ajudar nesse assunto e fiquei estarrecido com a postura do atual Presidente, que recentemente se recusou a simplesmente fazer uma carta concedendo poderes para a comissão poder falar formalmente em nome do clube junto às autoridades competentes. Isso é literalmente desonesto, tendo em vista o que ele se comprometeu publicamente na sua campanha. Observem que em nenhum momento vi representantes dessa comissão requerendo do clube recursos para nada. Novamente o problema não é dinheiro. Pelo contrario até. Só queriam apoio institucional, pois evidentemente não conseguem nem podem falar em nome do clube sem estarem legitimados para tanto.


O CLUBE TINHA QUE APOIAR INCONDICIONALMENTE A INICIATIVA DESSAS PESSOAS E AINDA SE EMPENHAR EM CONJUNTO COM ELAS NO MESMO SENTIDO. ALÉM DISSO, DEVERIA TENTAR TRAZER PEDRO ANTÔNIO TAMBÉM PARA ESSE ÂMBITO DE DISCUSSÃO, POIS ACREDITO QUE ELE POSSA AJUDAR MUITO. SE NÃO HOUVER VIABILIDADE TÉCNICA, POLÍTICA OU FINANCEIRA DO PROJETO, O PRÓPRIO TEMPO, OS ESTUDOS TÉCNICOS E AS AUTORIDADES PÚBLICAS DIRÃO. CHEGA DE POLITICAGEM. PRECISAMOS PENSAR E DEFENDER OS INTERESSES DO FLUMINENSE FOOTBALL CLUB INDEPENDENTE DE GRUPOS POLÍTICOS, DE AMIGOS E DE OUTROS INTERESSES PESSOAIS.
Saudações Tricolores
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PRESIDENTE NÃO É DEUS. PRESIDENTE NÃO É DONO. PRESIDENTE PODE MUITO, MAS NÃO TUDO. Opinião Ademar Arrais

PRESIDENTE NÃO É DEUS. PRESIDENTE NÃO É DONO.
PRESIDENTE PODE MUITO, MAS NÃO TUDO.

Um Clube de futebol é uma espécie de pequeno retrato da sociedade em que ele está inserido. No Brasil as pessoas costumeiramente acham que o Presidente da República e outras autoridades, porque foram eleitos ou exercem determinados cargos, podem fazer o que querem e bem entendem. Não podem e não devem. A difusão desse pensamento acaba incentivando arbitrariedades e abusos dos gestores públicos, além do menosprezo pela res pública. No Fluminense é igualzinho.
O fato de um Presidente ser eleito não lhe confere o direito de agir como dono do Clube. O sistema político eleitoral e até estrutural de poder constante de nosso arcaico estatuto social, legitima essas ações quando o Conselho Fiscal e a Mesa do Conselho Deliberativo são praticamente nomeadas pelo Presidente do Clube, transformando os referidos Poderes ao longo de todo mandato em meras instâncias de homologação das vontades do “rei e de seus amigos”, independente dos reais interesses do Fluminense.
Pior do que os Presidentes totalitários que reiteradamente estamos tendo, são os Conselhos que vem permitindo que eles façam o que querem. Depois eles vão embora cuidar das suas vidas e o Clube fica numa situação cada vez mais grave. Há anos ouço e luto contra atos e fatos completamente estapafúrdios e contrários aos interesses do clube, mas que são levados à frente porque o Presidente encaminhou e as pessoas acham que tem o dever de apoiá-lo incondicionalmente mesmo indo contra ao próprio clube que dizem reiteradamente amar.
Só a titulo de exemplo, quando o nome do atual Presidente irresponsavelmente foi indicado para a Vice-presidência de Futebol, eu fui o único Conselheiro à época a demonstrar minha indignação e contrariedade na Tribuna contra aquele fato ilegal, irregular e completamente absurdo de colocar um prestador de serviços (contratado) comandando a principal área do clube (contratante). Pois bem, o nome dele foi aprovado apenas com voto contrário meu, dos membros do Ideal Tricolor e de mais um ou outro Conselheiro. Uma verdadeira aberração. Depois todos conhecem a tragédia que foi e cujos muitos efeitos financeiros catastróficos perduram até hoje…
Isso tudo vem contribuindo decisivamente para o nosso acelerado apequenamento e auto-destruição. Os fatos e a nossa realidade estão aí…
É inadmissível o Mario querer ser o próprio Fluminense. Ninguém, por melhor que eventualmente seja, o que não é o caso, pode ser absolutamente tudo no clube. Não há nada mais amador do que isso. Mas vale também uma outra reflexão. Porque e pra que um dirigente faz isso?
Primeiro porque quem faz isso imagina que é um ser supremo, que sabe de tudo e sempre. A frase falada dos “dois treinos” não é uma mera frase de efeito. Pelo contrário até. Ela demonstra cabalmente a prepotência e arrogância próprias dos fracos, inseguros e deslumbrados. Muito pior do que o jogador cabeça de bagre é o jogador cabeça de bagre que se acha o Pelé…

Mas pra que se isolar, pra que querer decidir tudo absolutamente sozinho?
Para poder fazer tudo o que quer e bem entende e de acordo com suas próprias convicções, independente de qualquer embasamento técnico-profissional. O importante para ele são as suas próprias convicções e interesses. Para que ele receba todas as informações e repasse apenas o que lhe interessa. Para que toda e qualquer decisão dependa da vontade dele e portanto as pessoas tenham a imagem de que é mais importante servir ao rei e seus amigos do que ao Clube…
As melhores práticas indicam exatamente o contrário disso tudo que vem sendo feito. Presidente deve ser um líder na acepção da palavra e não apenas um chefe/imperador do clube em razão do cargo. Um líder escuta, coordena, delega, forma uma grande equipe retirando de cada um o que tem de melhor para sua empresa/instituição. Um líder trabalha com base num projeto, metas, ações institucionais. Um líder sabe que os anseios de uma instituição não necessariamente são os seus. Um líder não se preocupa com o foco do holofote nele. Pelo contrário, sente orgulgo quando o foco está em outras pessoas da sua equipe. Um líder gera confiança e credibilidade, que geram recursos com o tempo. Um líder compartilha e divide responsabilidades, um líder cobra, mas também incentiva por meio de críticas construtivas, um líder divide para multiplicar, etc…
Chega desse personalismo excessivo, dessa concentração de poder, dessa arrogância e dessa prepotência, que, repito, são características próprias dos fracos, inseguros e deslumbrados. O foco deve ser sempre os interesses do Fluminense Football Club. A diferença do Presidente do Fluminense para Deus é que Deus não se acha Presidente.
Precisamos urgentemente de várias lideranças juntas, tendo como diretriz um projeto institucional de mudaça do modelo de gestão, de profissionalização, de renovação, de mudanças, de transformações e melhorias para o nosso Fluminense. Já estou trabalhando por isso. Quem acreditar na idéia e quiser agregar, somar, fica desde já o convite para irmos à campo juntos…
Saudações Tricolores.

É PRECISO UNIR, CLARO. MAS #ÉPELOFLU – Opinião Ademar Arrais

É PRECISO UNIR, CLARO. MAS #ÉPELOFLU

Essa semana vou tratar de outro tema de suma importância para o Fluminense, que é a necessária união de todos os segmentos e principais lideranças do Clube.

Como cediço, há décadas o Clube vem passando por um processo crescente de auto-destruição institucional, que alimenta diariamente um ambiente hostil, muitas vezes sujo, intolerante, inócuo e onde as pessoas se agridem, se ofendem, detroem biografias e fazem de absolutamente tudo para afastar de vez por via reflexa e as vezes diretamente pessoas sérias e valorosas, que muito poderiam contribuir para o Clube. Se é amigo ou do meu grupo pode tudo e vale tudo. Se não é, nem paro pra escutar.

Com muito orgulho, desde que participo da política do Fluminense permaneci quase a totalidade do tempo na oposição às diversas gestões catastróficas que tivemos. Algumas delas, apoiei e fiz parte de composições eleitorais e logo um tempo depois da eleição fui para oposição. O foco é e deve ser sempre o Fluminense e seus interesses.

Composições eleitorais, no cenário do arcaico estatuto que temos, são necessárias, mas não podem justificar jamais a colocação dos interesses do clube num segundo plano, nem antes, nem muito menos depois das eleições. Se o candidato e sua chapa prometem mundos e fundos, mentem descaradamente para torcida e para os associados e depois resolvem fazer o que querem e bem entendem, ignorando o Clube para atender a outros fins, quem realmente ama o Fluminense tem mais do que obrigação de se afastar e lutar pelo que tinha sido prometido e contra o que estiver sendo feito de prejudicial, até mesmo porque ajudou a eleger quem lá está.

Contudo, pensar diferente, divergir, ser oposição, não significa que tenhamos que acabar pessoalmente com quem está na direção do Clube e vice versa. Mesmo sendo sempre muito enfático e incisivo na defesa dos interesses do Fluminense, apenas uma ou outra pessoa do Fluminense parei de falar e cumprimentar e mesmo assim porque elas pararam de falar comigo.  E olha que não faltaram traições, atitudes e tratamentos completamente desrespeitosos e sem nenhuma reciprocidade da minha parte.

A maturidade e a própria vida nos ensinam que a construção e reconstrução de pontes são muito mais importantes para cada um de nós evoluirmos e sobretudo para todos nós juntos crescermos. Nem sempre é possível, mas é importante tentarmos sempre.

No Fluminense tem sido muito comum também satanização de quem não é amigo ou não faz parte do mesmo grupo. Qualquer reunião ou organização de tricolores pela melhoria do Fluminense, desde que seja pelo Fluminense mesmo, é válida. Nesse sentido, não vejo problema algum na existência de grupos políticos. Alguns que estão atuando e outros que passaram pela história do Clube cometeram erros gravíssimos e que produzem efeitos imensuráveis até hoje, mas também realizaram transformações importantíssimas. É hipocrisia e mentira, por exemplo, atacar genericamente a Flusócio, como se tudo o que ela tivesse feito tenha sido prejudicial. Não é verdade isso. O movimento em si deixou alguns legados positivos também e as pessoas que dele participaram, via de regra, não podem ser responsabilizadas pelos desvios provocados pela suas lideranças.

O retrovisor serve para você não bater o carro nem errar com os mesmos caminhos do passado, mas se ficares apenas preocupado e olhando para o retrovisor certamente baterá o carro da mesma forma ou errará o caminho.

Conforme defendi no artigo da semana passada, não basta trocarmos o Presidente, as pessoas ou os grupos da Direção do Clube, independente de quem sejam os que vão sair e os que vão entrar. É preciso mexer nos alicerces, reestruturar, mudando efetivamente todo o modelo ultrapassado que temos hoje. Não há outra saída para o Fluminense que não seja o Clube-empresa ou o Clube gerido como uma empresa. Qualquer outro caminho é paliativo e enganador.

O discurso da união pela mera união, pela mera junção entre tricolores, ou pela união em torno de outros interesses é uma mera bobagem. Precisamos sim de união, mas tendo como foco prioritário sempre os interesses do Fluminense.

Nenhuma instituição pode ter sucesso e ainda mais se reestruturar, se reerguer, como é o nosso caso, tendo a quantidade que temos de guerrilheiros e guerrilhas internas. Observem que até mesmo nas arquibancadas temos hoje inúmeras divisões de fomento a esse processo destrutivo do Clube. O atual Presidente do Clube não só menospreza esse fato, como procura se isolar para imperar,  incentivando esse ciclo destrutivo ainda com requintes de arrogância e prepotência.

O fundamental é sempre entendermos que o que nos une é o Fluminense Football Club e são os interesses dele que devem estar sempre em primeiro lugar. Ninguém precisa amar ninguém, mas todos devem se respeitar e amar o Fluminense. Eu não conheço problema algum do Clube que tenha sido criado ou aumentado em razão do diálogo e do respeito mutuo. Ao revés, boa parte dos problemas que temos são exatamente pela falta de respeito e pela falta de diálogo. Mudemos isso juntos e o Fluminense só terá a ganhar.

Saudações Tricolores.

Imagem de destaque Criador: MaleWitch 

NADA É MAIS IMPORTANTE E URGENTE PARA O FLUMINENSE DO QUE A MUDANÇA DO MODELO DE GESTÃO – Opinião Ademar Arrais

NADA É MAIS IMPORTANTE E URGENTE PARA O FLUMINENSE DO

QUE A MUDANÇA DO MODELO DE GESTÃO

Inicialmente gostaria de agradecer ao Canal FluNews pelo convite para escrever semanalmente sobre assuntos de interesse do Fluminense Football Club. Com base na experiência adquirida ao longo de toda minha história de vida ligada ao Fluminense, bem como na minha experiência pessoal e profissional, vou procurar apresentar algumas das minhas idéias, projetos e ou criticas sobre os mais diferentes aspectos e segmentos do Clube, objetivando sempre contribuir para a qualificação do debate sobre nossos problemas e sobretudo de forma propositiva e sem qualquer pretensão de ser dono da verdade.

Nesse primeiro texto vou abordar aquele que é disparado há tempos o assunto mais importante para o Fluminense, que é a necessidade de mudança urgente do seu atual modelo de gestão arcaico e ultrapassado. Não é mais uma opção. Trata-se de um imperativo no sentido de que ou muda radicalmente o modelo ou continuaremos esse processo de apequenamento acelerado e constante do Clube até chegarmos a completa inviabilização administrativa, financeira e esportiva.

A transformação do Fluminense em clube-empresa há tempos me parece ser o melhor caminho a ser trilhado, mas não o único possível. Existem experiências de sucesso e insucesso com Clubes que são sociedades civis sem fins lucrativos, da mesma forma que existem experiências de sucesso e insucesso em clubes-empresa. Independente da roupagem jurídica escolhida, para obtermos a eficiência e os resultados esperados o fundamental é que tenhamos uma gestão empresarial, responsável e profissional.

É compreensível, mas completamente inócua a esperança constante de segmentos do Clube e da torcida de que a solução de nossos problemas está na contratação ou troca de um determinado técnico, na contratação de um ou outro jogador ou até mesmo na esperança de que só um Presidente Rico seria capaz de resolver nossos problemas. Infelizmente nossos problemas são muito mais profundos e não são essas as soluções.

Outro aspecto importante é que para superarmos nossas dificuldades precisamos parar de terceirizar responsabilidades. Os problemas do futebol não são decorrentes da existência do Social e do Olímpico. Lembro que desde que passamos a ter eleições diretas no Fluminense, todos os Presidentes eleitos pelos Associados, sem exceção, são ligados ao Futebol do Clube. A mesma gestão caótica, à deriva e irresponsável do futebol é a do Social e também do Olimpico ou alguém acha que nesses outros dois segmentos somos verdadeiras potencias e que não existem dificuldades. A SITUAÇÃO DO FUTEBOL, DO OLIMPICO E DO SOCIAL DO FLUMINENSE SÃO CONSEQUÊNCIAS E NÃO CAUSAS DOS NOSSOS PROBLEMAS. É preciso também que mudemos nossa mentalidade sobre essas questões sem ficar elegendo inimigos.

Mas então, o que precisamos fazer? O que significa mudar o modelo de gestão? O que significa mexer nos alicerces atuais, reestruturar? Vamos citar EXEMPLIFICADAMENTE algumas dessas medidas:

  1. Auditoria externa e interna que auxiliem tecnicamente a gestão no diagnostico do clube para a correta adoção das melhores medidas necessárias a obtenção de uma maior eficiência.
  2. Renegociação, quando possível, das dividas e melhor tratamento da sua equalização por pessoas jurídicas e físicas especializadas e experientes no assunto.
  3. Adotar medidas concretas de prevenção de passivo trabalhista, cível e tributário, evitando assim a continuidade dessa bola de neve.
  4. Separação imediata das receitas e despesas do futebol, do olímpico e do social, com adoção de todas as medidas necessárias para o imediato reequilíbrio orçamentário de cada unidade de negócio.
  5. Revisão de todos os contratos para eventuais renegociações e ou rescisões quando tivermos acordos fora da realidade de mercado ou das possibilidades do Clube.
  6. Diminuição de despesas e busca por novas receitas substanciais.
  7. Elaboração do planejamento estratégico do Clube em geral, promovendo a deliberação institucional pela adoção do modelo do clube-empresa ou pela continuidade como sociedade civil sem fins lucrativos,  o Planejamento estratégico especifico de cada unidade de negócio, plano diretor, ações de curto, médio e longo prazo, o papel da sede de Laranjeiras, de Xerem, do Centro de Treinamento, a possibilidade de construção de um estádio próprio, etc…
  8. Reforma estatutária com inicio através de um anteprojeto que contemple as deliberações do Planejamento estratégico e onde necessariamente conste a responsabilização dos dirigentes por gestões temerárias, regulamentação de um novo e moderno processo politico-eleitoral, independência maior entre os Poderes Constituídos do Clube, limites aos gestores, maior poder de fiscalização e acompanhamento do fiel cumprimento orçamentário pelos gestores, proibição explicita e bem definida de conflitos de interesses, etc…
  9. Posicionamento institucional ativo, permanente e combativo na defesa de nossos interesses, buscando melhores resultados. Como exemplo podemos citar as absurdos valores que pagamos de forma completamente desnecessária em relação ao Maracanã, direitos de transmissão, etc…O Clube precisa de uma vez por todas saber usar a sua própria força, até mesmo através de pessoas ligadas a ele no Poder Público Municipal, Estadual e Federal, bem como em importantes segmentos da iniciativa privada.
  10. Estruturação completa de um Departamento de Gestão de Pessoas. É preciso ter critérios e parâmetros salariais, perspectiva de crescimento profissional, meritocracia, critérios, parâmetros e procedimentos para contratações, metas, cobranças, ter quantidade de empregados compatível com a sua necessidade, impedir medidas que deixem o clube vulnerável, etc… O Clube não pode continuar contratando pessoas por critérios políticos ou de amizade e a peso de ouro e ainda sem que os contratados tenham a  qualificação necessária. Lembro que o atual Presidente manteve todos os funcionários da gestão Abad, que tanto satanizou, e ainda contratou para pagamento de promessas de campanha. Não há como tirar qualquer instituição do caos com as mesmas pessoas que criaram o caos, sobretudo quando elas acreditam que ele não existe e que tudo o que está acontecendo é normal.
  11. Da mesma forma, é preciso ter claro o perfil dos profissionais e atletas do futebol que desejamos na busca de um time sempre equilibrado e  competitivo. É preciso também apostar mais na meritocracia através de parcela remuneratória variável e progressiva, priorizar o trabalho de Xerem principalmente quando não tiver condições de buscar no mercado jogadores efetivamente melhores, ter contratos cuja negociação levem em conta as condições do clube, as características pessoais do atleta como a idade por exemplo, o rendimento as perspectivas do mesmo para o Clube, etc…
  12. Ações e posturas institucionais que contribuam para o resgate da credibilidade do Fluminense em todos os segmentos. Credibilidade gera dinheiro com o decorrer do tempo. Ser dirigente do Fluminense e em especial Presidente, é uma honra e tem o bônus, mas também o ônus. Presidente do Fluminense não pode jamais fomentar internamente e publicamente a idéia de que em função de menos recursos vamos entrar numa competição com outros objetivos menores que o título da competição. Não pode sequer admitir que um jogador do Fluminense ache prepotência ter como meta o título. Da mesma forma que não é papel de Presidente do Fluminense ir abraçar e pular com jogadores em vestiário. Presidente é a ultima palavra do Clube, é quem negocia e assina pelo clube, não pode ter esse tipo de conduta. Não é papel de Presidente do Fluminense ficar batendo boca com torcedor em rede social e muito menos ficar ameaçando de processo judicial. Não é papel de Presidente do Fluminense organizar doações para Fiocruz quando sequer paga os salários de seus profissionais. Não é papel de Presidente do Fluminense comemorar e divulgar pagamento parcial de salários de meses passados como se fossem títulos. Presidente do Fluminense não pode jamais se considerar um ser supremo e superior porque deu dois treinos. Não pode ter relações promiscuas com empresários nem conflitos de interesses com o Clube. São apenas alguns dos milhares de exemplos.
  13. Ter transparência em todas as suas ações. Transparência gera confiabilidade e ambas também geram credibilidade e dinheiro com o tempo. A confidencialidade no Fluminense não pode mais ser a regra e continuar servindo de instrumento para assinatura de contratos milionários, imorais, completamente fora da realidade de mercado e das condições do clube. A transparência não pode continuar completamente opaca.
  14. Abertura da gestão para eventual ajuda e o diálogo permanente com todos os segmentos e lideranças do clube, tendo humildade suficiente para ouvir e implementar sugestões e corrigir rumos.
  15. Ter permanentemente ações congruentes com a situação geral do Clube e somente tomar determinadas decisões após a oitiva do Departamento específico, do Jurídico e do Financeiro, realizando todas as ponderações necessárias.

Quantas dessas medidas ou outras no mesmo sentido foram adotadas pela atual gestão do Fluminense? Se temos as mesmas atitudes e as mesmas práticas, não podemos esperar resultados diferentes. Precisamos mudar urgentemente. Não há outra saída.

Saudações Tricolores,

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