” E a transparência? ” Opinião Alan Petersen

E a transparência?

Ontem saiu mais uma triste notícia, de que o Miguel entrou na justiça querendo a rescisão indireta do contrato com o Fluminense.

E o pior de tudo, é que a nossa torcida nem se espantou com o que aconteceu. Porque qualquer pessoa com meio neurônio sabia que havia algum problema na relação diretoria x jogador.

Não é normal um menino tão talentoso chegar no time profissional e receber tão poucas chances, especialmente em uma posição extremamente carente no elenco há tantos anos.

O Fluminense não tem no elenco um meia como o Miguel. A característica dele não é a mesma de Ganso e Nenê, nossos dois meias desde 2019, que estão longe de serem unanimidades dentro da torcida.

Talvez o que mais se aproxime das características do Miguel seja o Cazares, mas esse chegou não tem nem 5 jogos.

Ou seja, nada, absolutamente nada, justifica o Miguel ter sido tão preterido nesses últimos anos, por jogadores com qualidades técnicas tão medíocres.

A não ser um problema com a diretoria, algo que foi cada vez mais ventilado nos últimos meses.

E as desculpas descabidas pra não escalação do menino se amontoavam. “É muito novo”. “É muito franzino”. Como se ser novo e franzino fossem empecilhos pra aproveitamento de Xerém nos últimos 20 anos.

E aí bum… mais uma promessa que se vai, sem dar retorno técnico ao clube, e sem dar nenhum retorno financeiro.

Nos últimos anos, podemos enumerar alguns casos desses: Scarpa, Marcos Paulo, Evanilson, e agora Miguel.

E ninguém se justifica. Ninguém consegue apresentar uma explicação plausível pro torcedor pra tanta incompetência.

E depois ainda têm a cara de pau de colocar artista no Boteco Tricolor, criticando o torcedor que não se associa.

Então deixa eu entender como funciona: o torcedor tem que dar seu suado dinheiro pro clube. E a diretoria pode fazer o que quiser com esse dinheiro, sem dever um mínimo grau de transparecia? Virou caridade então?

Ora amigos, qualquer empresa decente do mundo deve satisfação a seus investidores. Sobre os bons resultados e sobre os maus resultados. É essa transparência, inclusive, que deixa os investidores seguros pra aportar dinheiro.

Não existe maior investidor potencial do clube que o seu torcedor. Mas ele não vai colocar dinheiro sem confiar nessa destinação.

Parem de tratar essa relação clube x torcedor como um gesto de voluntariedade. Não é nem tem que ser.

Eu sou sócio. Mas sou porque quero ser. E não por ter confiança com o que fazem com o meu dinheiro.

Qualquer investidor gostaria de saber o que aconteceu de verdade na relação Fluminense x Miguel. Já está mais do que na hora do clube ser mais transparente sobre essas coisas.

ST,

Alan Petersen

HÁ UM PLANO PRA XERÉM? Opinião Alan Petersen

HÁ UM PLANO PRA XERÉM?

Xerém é a fábrica, e Laranjeiras é a loja! Essa triste frase foi proferida, se não me engano, pelo ex-presidente Roberto Horcades, no auge da parceria com a Unimed.

Por esta afirmação, ele sofreu na época pesadas críticas de muitos que posteriormente vieram a atuar na gestão da “loja”, e que mantiveram o mesmo “modelo de negócio”.

Atualmente, o presidente Mário Bittencourt inclusive aperfeiçoou o modelo, se dando ao luxo de perder alguns destes “produtos” sem sequer obter qualquer vantagem financeira para a “loja”.

Diante disso, surgem as seguintes indagações: há algum plano para Xerém, que não seja a venda descontrolada de qualquer jogador um pouco mais qualificado tecnicamente? Há alguma pretensão desta diretoria, e de qualquer outro participante da política tricolor, de obter de fato retorno técnico das promessas que chegam ao profissional? Há algum planejamento para alavancar o retorno financeiro destes jogadores, apenas APÓS darem retorno técnico ao clube?

Amigos, não se enganem. O futuro do Fluminense passa diretamente pela resposta a estas perguntas. Em um mundo tão competitivo, em que os grandes clubes brigam por migalhas, o Fluminense precisa saber qual o seu diferencial em relação aos demais.

O Fluminense não vai conseguir competir, por exemplo, com o clube de regatas, num curto prazo, em exposição na mídia e capacidade de atração de investidores. O ciclo vicioso inaugurado pela Globo atingiu um nível de difícil reversão.

Mas o Fluminense tem um ativo que, ouso dizer, talvez apenas o Santos possua similar. Uma fábrica absurda de talentos. Uma base que promove dezenas de jogadores todos os anos. E o Fluminense precisa saber capitalizar em cima disso. Não apenas financeiramente, mas também tecnicamente.

O que escrevo a partir de agora, é uma pequena sugestão de plano, que com um mínimo interesse político, se torna perfeitamente executável.

Em primeiro lugar, para que isso dê certo, é preciso amenizar a farra de empresários em Xerém, e também nas Laranjeiras (acabar de vez reconheço ser um pouco utópico). Como fazer isso? Contratações para o time de cima, somente de poucos jogadores que “resolvam”, e que possam ser referência para a molecada. Se é para “compor elenco”, então que se use a base.

Em Xerém, é preciso criar um plano de carreira para todos os jogadores. TODOS. Desde os que serão aproveitados, até os que serão vendidos, e mesmo emprestados.

É preciso estabelecer um plano de jogo unificado para todas as categorias, e que seja implementado também pelo futebol profissional. Assim, a transição do jogador do Sub-13 para o sub-15, para o sub-17, para o sub-20, e para o profissional será feita de forma suave, e sem maiores traumas. Possivelmente, isso melhorará o desempenho inicial de todos os jogadores da base que chegam ao profissional.

Deve-se criar metas de desempenho para os jogadores, junto ao Scout Técnico. A partir de metas batidas, em termos de desenvolvimento técnico, o jogador muda de patamar, inclusive no que tange a remuneração.

O jogador de Xerém já deve sair da base sabendo o que tem que fazer pra mudar sua remuneração e seu patamar dentro do clube. De forma clara, como os planos de carreira das empresas. Sabendo já o valor de aumento em sua remuneração para cada melhora de desempenho e meta alcançada. Inclusive com métricas e parâmetros para negociações futuras, junto a grandes clubes europeus. Como exemplo, pode-se estabelecer metas em números de gols, participações em gols, desarmes, recomposições corretas, obediência tática, passes complexos executados, etc.

O teto salarial pode ser o dos poucos jogadores contratados para serem referências no elenco principal. E de acordo com o alcance das metas pelos jogadores da base que passam a integrar o profissional, os salários destes sofrem reajustes previamente estabelecidos no plano de carreira, até atingirem o teto do jogador referência.

Caso o jogador da base decida fazer carreira no clube (ah, utopia!), poderia se criar gatilhos para que este se torne uma das referências para os mais novos, e passe a ter o seu salário como teto no elenco, desde que seu desempenho seja justificável para isso.

Em caso de negociação futura, o plano de carreira teria inclusive, projeções de vendas a se alcançar para cada atleta, a depender do tempo de clube, do desempenho alcançado, e do nível de mercado europeu almejado (clubes grandes, médios e centros menores do exterior). 

Os jogadores que não puderem ser aproveitados no elenco principal, podem ser emprestados para rodagem, ou vendidos para eventuais interessados. Cabe destacar que empréstimos para rodagem só devem ser realizados para aqueles casos em que a pontuação do jogador no scout técnico justifique uma nova chance futura no elenco principal.

Por fim, deve-se criar em Xerém um treinamento com aulas teóricas, que ensine para os garotos o que é o Fluminense, e qual a importância do clube para o futebol brasileiro, desde sua criação, com “matérias” sobre ídolos do clube, conquistas tricolores, perfil e característica da torcida tricolor, desmistificação de “boatos” sobre o clube criados na mídia, e relevância e grandeza do Fluminense na construção e desenvolvimento do futebol brasileiro.

Óbvio que este é um plano simples, de um mero torcedor que não faz parte do meio do futebol, e que teria muita coisa para ser aperfeiçoado.

Mas o Fluminense precisa olhar pra essa questão com um pouco mais de carinho.

O que não dá é pra revelar jogador, este fazer 10 jogos no profissional, e depois ser vendido por 2 mariolas pro primeiro interessado que surgir, possibilitando assim o pagamento dos salários dos diversos jogadores de empresários do time profissional. Isso quando o garoto não é vendido antes mesmo de estrear no time de cima.

Xerém é o que o Fluminense ainda tem hoje de diferente em relação às outras equipes. Precisa trabalhar este trunfo com mais inteligência. Só assim conseguiremos nos manter competitivos entre os grandes do futebol brasileiro.

Obrigado aos amigos da Flunews pelo espaço aberto para a publicação deste texto.

Saudações Tricolores a todos!

O texto é de total responsabilidade do autor.