“SEMPRE OS MESMOS” – Opinião Roberto Medeiros

SEMPRE OS MESMOS!


Mais um campeonato importante se inicia e outros, para nós, podem se encerrar, mais uma vez, precocemente. Renovam-se as esperanças de dias melhores e novas conquistas, entretanto o debate sobre o pequeno público nos estádio é recorrente.


Muitos poderiam ser os argumentos que justificassem tal condição, pretendo ater-me a alguns.
Inicialmente é indubitável reconhecer os impactos da pandemia, na vida como um todo e na economia, em particular, mas esse argumento não responde a todas as questões, pois, o esvaziamento dos estádios e o desinteresse pelo futebol são anteriores à pandemia. No entanto, parece óbvio que maior deveria ser a dose de imaginação dos gestores para reinserir o futebol em nossas vidas, com pitadas de algo novo e atrativo. Nossos gestores pararam no tempo e replicam as velhas fórmulas ineficazes que não proporcionam ao torcedor um incremento positivo na imagem que os mesmos já construíram acerca do futebol. O plano de sócio torcedor patina e não decolou até hoje.


Como negócio, o futebol caminha para o fracasso. Não me parece, há algum tempo, que sejamos o país do futebol, e o pior, diariamente, um número menor de pessoas consome o produto, por diversos motivos. Dados de uma pesquisa do Reuters, em 2018, sinalizam que a cada dia o futebol deixa de ser interessante para parcelas, cada vez maiores, da população de todas as classes sociais. Poderia elencar como aspectos que afastam consumidores: os altos custos dos produtos relacionados ao futebol, a pirataria física e digital de produtos, o baixo poder aquisitivo da maioria do público que tem interesse no futebol, a violência urbana, o advento de novas formas de entretenimento, e o baixo nível técnico dos jogos.


No limiar de um século altamente tecnológico e competitivo uma ferramenta de gestão desenvolvida na década de 60, por Albert Humphrey na Universidade de Stanford, Califórnia, a Matriz SWOT, aponta os Fatores de Força, Fraqueza, Oportunidades e Ameaças, que interagem com uma organização/instituição. Tal análise contribuiria para o nosso entendimento do problema e ajudaria os gestores do futebol a encontrar soluções.
Como fatores de Força o futebol conta com a paixão pelo jogo, o que é um fator importante para que a atividade seja demandada. Entretanto, as ameaças proporcionadas por novos entrantes como, espaços de entretenimento alternativos, um mundo cada dia mais tecnológico que engloba também a pirataria digital, em que as partidas são transmitidas no conforto de bares e residências, impactam significativamente a presença nos estádios. Da mesma forma, o amadorismo das gestões, a necessidade de obtenção de resultados como garantia de manutenção de cargos, tem criado uma mentalidade de não derrota em oposição à busca por vitórias e um melhor espetáculo, fortalecendo a tese de que o medo de perder diminui a vontade de ganhar. Esses fatores de fraqueza que são inerentes aos clubes, são provavelmente os maiores alvos de críticas por parte dos torcedores que não aceitam que clubes gigantes e gloriosos como o nosso Fluminense, venham a se apequenar pela vaidade da manutenção dos cargos de alguns dirigentes, colocando interesses particulares e de terceiros, à frente de decisões, em detrimento dos interesses dos clubes.


Nesse contexto cabe também uma reflexão sobre o papel do torcedor como ator e consumidor do produto futebol. Já descritos alguns dos problemas que afetam direta ou indiretamente o futebol, pensemos nas posturas dos torcedores diante das próprias indignações: Quebrar vidros, apedrejar ônibus, pichar muros dos clubes, invadir CT, abordar treinadores e jogadores com demonstrações de valentia, seriam práticas eficazes, desejáveis e adequadas? Algumas delas já trouxeram resultados positivos práticos? Não seriam esses os mesmos protestos da década de 70 e 80?


O que pensar da atitude da torcida do Barcelona, a Grada de animación, que abandonou as arquibancadas do estádio em protesto pela “invasão” da torcida adversária em um jogo da Champions. O que pesar de um Maracanã completamente vazio, em protesto por um elenco melhor e pelo fim de uma gestão perdulária, ao invés dos 10 mil de sempre?


Esta mensagem não se trata de uma crítica pura e simples. A minha pretensão é que sejamos induzidos a uma reflexão sobre o nosso papel e o que podemos fazer para mudar os cenários que nos desagradam. A estrutura de um clube de futebol é muito complexa e quanto mais complexa, mais afasta os torcedores dos processos decisórios, e o caminho para a perpetuação no poder se torna mais simples e fácil. Vivemos um paradoxo, já que um clube, na prática, vive essencialmente da paixão da sua torcida, que na imensa maioria não é sócia desse mesmo clube, que tem como presidente uma figura eleita por sócios nem sempre são torcedores desse clube, nem apreciadores de futebol. Notem, portanto, que assim como na vida cotidiana, não existe vácuo de poder. Se você não ocupa o seu espaço, alguém fará por ti. Sejamos críticos, mas inteligentes, chamemos para a causa setores influentes, mas atuando com proatividade, sem violência. A violência, apesar de ser a mais fácil e simples de ser perpetrada, desagrega, denigre, mascara, inferioriza e corrói os objetivos. Como diria o estadista Winston Churchill “a democracia é o pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que já foram experimentadas”. Resumindo, a frase que diz: se você faz o que sempre fez terá o que sempre teve, se aplica a torcedores, treinadores e dirigentes e se estende também aos que criticam, podem fazer algo, mas não se manifestam para assumir responsabilidades e compromissos com a mudança.


O tema é amplo, não se esgota neste simplório texto, e comportaria uma gama imensa de outros aspectos a serem analisados por mim e por você caro leitor, sinta-se a vontade. Sejamos a torcida guerreira do time de guerreiros. Não precisamos de leões desdentados. O Fluminense precisa de atitude e de ações para se reerguer. “O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”.

Saudações Tricolores.

Foto imagem destacada @AndréDurão

Não foi uma vitória normal !!! – Por Roberto Medeiros

Não foi uma vitória normal !!!

A euforia justa e legítima que nos toma as veias decorre de um título vencido a várias mãos. Várias mesmo, pois foi a sua indignação nas redes sociais, com cada um dos caracteres digitados, dando voz a uma torcida ferida por tantos desmandos, que movimentou e fez mudar obtusos pensamentos que levaram o nosso Fluminense, recentemente, a derrocada em diversas competições importantes. Portanto, não foi normal vivenciarmos isso. Normal seria uma ideia de jogo retrógrada que incutia na cabeça dos jogadores a mediocridade dos pequenos e médios, e mascarava um time que nasceu com a vocação para as vitórias. Nos jogos das finais o Fluminense foi o novo velho normal, se engrandeceu, reviveu os bons tempos em que, independente da qualidade dos times do nosso maior rival, sempre, sempre nos saíamos melhores, e fazíamos vitórias se tornarem normais.

Nosso treinador Abel foi gigante na sua humildade, quando reconheceu e assumiu seus erros e que algo precisava mudar. Teimosia e arrogância não combinam com sucesso. Colocou o time para cima deles e fomos Fluminense.

Ontem também não foi normal, porque derrubamos uma muralha até pouco tempo, aparentemente intransponível. Derrubamos a empáfia, a arrogância, a soberba e contrariamos a lógica de uma mídia tendenciosa. Não existe time invencível. Descemos nosso adversário do ‘’otopatamá’’ e, poderíamos até dizer que, diante de tantas vitórias seguidas e uma invencibilidade insistente, que nós agora subimos para um patamar mais elevado. Entretanto a prudência diz que não. Isso não combina com a nobreza da nossa história, nem com a nossa indefectível fidalgia, muito menos com a nossa sabedoria, afinal, sabemos que nenhuma vitória é para sempre. Aprendemos com a dor e inauguramos, quem sabe, um novo capítulo de glórias e vitórias, como sempre nos mostrou a fantástica história do Fluminense.

Não foi uma vitória normal, porque vimos um jogador outrora apático e sem inspiração para exercer sua profissão, mostrar o seu verdadeiro valor e talento, como maestro de um time renovado, e contribuir significativamente para um título que não tínhamos há 10 anos. Valeu Ganso.

Não foi uma vitória normal porque fazia tempo que não víamos uma revelação de Xerém, vestir nossa armadura com tanta garra. Infelizmente, nos acostumamos com traíras que foram criados em Xerém, mas no entanto torciam por outros clubes e não hesitaram em querer menosprezar o Fluminense,  tão logo vestiram a camisa do rival. André, foi gigante nessa conquista e não tenho dúvidas em afirmar que, muito em breve, estará vestindo a camisa da seleção brasileira, em que pese os questionáveis critérios atualmente utilizados. André reuniu a garra de Denilson Rei Zulu, com a técnica de Deley e o amor ao Fluminense de Assis. Moleque André você nos encheu de orgulho.

Seria injusto se não citasse outros dois jogadores que encarnaram o que é ser profissional. Vencidas as desconfianças iniciais, David Braz e Felipe Mello foram importantíssimos nessa jornada e emprestam suas experiências para contagiar esse time que, com alguns ajustes, pode continuar a nos dar muitas alegrias. Valeu David Braz, Valeu Felipe Mello, Ruf! Ruf!

Não foi uma vitória normal porque pode ter sido a última conquista de um dos nossos maiores ídolos contemporâneos. Fred está terminando sua gloriosa carreira e recebeu essa retribuição do clube, com o título no Maracanã, pelos seus bons serviços prestados. Valeu Frederico.

Não foi uma vitória normal porque o pai do Lorenzo em outros times não era campeão de nada. Vibra Cano, agora você é um vencedor. Como diria a torcida tricolor, você cheira a gol. Assis, no céu, deve ter ficado orgulhoso. A capa do carrasco que estava sem dono, agora possui um herdeiro. Com as bênçãos de João de Deus e de todos os tricolores vivos e mortos, Cano eu te batizo carrasco do time de Remo.

Por fim, parabéns para você fiel tricolor que vibra e chora pelo seu clube, que paga se associando e não é ouvido, que sofre para comprar um ingresso, que é enganado em diversas oportunidades. Hoje não foi um dia normal, você pode sorrir e gritar para todos lhe ouvirem:

EU SOU CAMPEÃO CARIOCA DE 2022.